Abrigo em escola de Rondônia recebe primeira família desabrigada por cheia

abrigoApós ter a casa tomada pela cheia do Rio Madeira, uma família da comunidade Maravilhas, localizada na área rural do Médio Madeira, em Porto Velho, foi levada para o abrigo montado em uma escola desativada do outro lado da ponte na BR-319. Eles são os primeiros desabrigados a ir para o local, montado pela Secretaria Municipal de Programas Especiais e Defesa Civil (Sempedec).

Segundo a pasta, até agora 214 famílias já foram atingidas pela enchente na capital, entre desalojados e desabrigados. Na quarta-feira (18), o nível do rio estava em 16,92 metros, segundo a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM).

Este é o segundo ano em que Rosângela Gomes da Silva, de 38 anos, e Cristinei da Silva, de 23, tiveram que sair da casa onde vivem com os quatro filhos. Em fevereiro deste ano, no início da cheia, a família deixou a residência na comunidade Maravilhas e conseguiu se abrigar em uma balsa, onde vivia uma outra família. “Fomos retirando nossas coisas aos poucos até a água atingir o teto e ficamos dormindo na balsa”, conta Rosângela.

A dona de casa e a outra família que estava na balsa pediram auxílio à Sempedec para doação de barracas, mas não as receberam, porque, segundo a Defesa Civil, os desabrigados queriam montá-las embaixo da embarcação, em uma situação de risco. O órgão explicou as condições para o recebimento de auxílios e transferência dos desabrigados para a escola. Uma família decidiu ficar na balsa, a outra preferiu ir para o abrigo, por não ter onde deixar os filhos.

Rosângela e Cristinei foram informados que, por optarem pela escola, não devem receber o auxílio moradia oferecido pelo Governo de Rondônia. A família diz que preferia ficar em uma barraca, próximo à localidade alagada pelo Madeira, até que seja liberado o benefício, para o aluguel de uma residência.

“Falaram que se ficarmos aqui não receberemos o auxílio. Não queremos ficar aqui, lá é melhor pra nós. Só viemos pra cá, porque não tinha onde deixar os meus filhos, mas queremos a barraca”, disse a dona de casa, que alega já estar cadastrada para receber o auxílio moradia e espera voltar logo para o terreno até que seja liberado o benefício.

Com a cheia história de 2014, a família ficou durante seis meses em uma casa alugada, no bairro Nacional, com o benefício. Após o proprietário aumentar o aluguel, tiveram que retornar ao terreno, onde reconstruíram a casa em que moravam antes.

Este ano, novamente atingida pela enchente, além de querer retornar para perto de casa, a família reclama das condições do abrigo. Na escola, a sala tem goteiras e as crianças não estão estudando. A filha do casal, Carla, de nove anos, lamenta a situação e só pensa em voltar para casa e começar a estudar. Rosângela e Cristinei têm também filhos de 10 e 4 anos, além de uma menina de 1 ano e 4 meses.

A família reclama ainda que não recebeu cesta básica e água potável. Mas um atendimento sócio-assistencial da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas) comprovou a situação de risco alimentar, que favorece o recebimento de cestas básicas a cada 20 dias, o que garante a entrega dos alimentos.

Atingidos

De acordo com dados da coordenação da Defesa Civil, até a última quarta-feira, 214 famílias foram atingidas pela cheia. Desse total, 185 estão desalojadas em Porto Velho, 29 desabrigadas no Médio Madeira, sendo que 28 estão em barracas e uma família desabrigada que está no abrigo montado na escola.

As localidades do Médio Madeira atingidas até agora são as comunidades de Maravilhas, Silveiras, São Miguel, São Sebastião, Niterói, Linha da Amizade, Cujubinzinho, Cujubim Grande, Mutum.

No Baixo Madeira, os distritos de Nazaré e São Carlos devem receber 100 barracas da Defesa Civil.  Em Porto Velho, os bairros Triângulo, Balsa, São Sebastião, Baixa União, Belmont e Milagres estão parcialmente alagados. Outros pontos do Centro também estão sendo inundados pela água do Madeira.

Segundo a Sempedec, cerca de 20 mil pessoas podem ficar desabrigadas com a cheia do Rio Madeira, em Porto Velho, em 2015. Isso porque, existem aproximadamente 4 mil famílias vivendo em áreas de risco nas regiões central e rural da capital.

Cheia histórica

A marca histórica do Rio Madeira até o momento é de 19,74 metros, registrada em 2014. A cheia do ano passado atingiu principalmente os municípios de Porto Velho, Nova Mamoré e Guajará-Mirim.

Cerca de 97 mil pessoas foram afetadas pela enchente, sendo que 35 mil ficaram desabrigadas ou desalojadas. Os custos para a recuperação total dos locais afetados foram estimados em R$ 4,2 bilhões, e o tempo necessário foi calculado em 10 anos.

Fonte: G1

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