No AC, família adota novas técnicas e quadriplica produção de hortaliças

verduraRepolho, couve flor, brócolis e o tomate que antes só chegavam ao mercado de Cruzeiro do Sul (AC) importados de outros estados já tem parte do abastecimento com a produção local. O responsável por isso é uma família do município vizinho de Mâncio Lima (AC) que encontrou as técnicas adequadas para produzir no clima quente e úmido da região amazônica. Em quase dez anos, a produção quadriplicou, de acordo com José Barbosa de Oliveira, de 41 anos.

Ele explica que fez cursos em outros estados, para obter conhecimentos técnicos depois que decidiu, em 2005, largar o emprego em uma fazenda para se dedicar a então pequena horta. O negócio começou com 1 hectare de terra e hoje ocupa 6, de uma área de 75 hectares.

“Com as técnicas que aprendi no dia a dia e com as capacitações fomos fazendo pesquisa sobre as sementes que mais se adaptam à região. O tomate, por exemplo, plantamos separadamente dentro de vasos porque é uma planta que não pode ter contato direto com o solo, esse é um dos segredos. Hoje conseguimos produzir aqui repolho e couve flor com qualidade melhor do que qualquer outro lugar”, ressalta o produtor.

A propriedade, considerada modelo pela Secretaria de Estado de Extensão Agroflorestal e Produção Familiar do Acre (Seaprof), se tornou forte pela diversidade da produção. Além das verduras e legumes, o cultivo de frutas como melancia e mamão também são produzidas, sem falar na criação de porcos, piscicultura, frango de corte e produção de ovos. O adubo produzido com a avicultura é empregado na plantação.

O negócio, em 2005, iniciou quando dona Ilza Soares Barbosa de Oliveira, de 61 anos, e Nilton Bezerra de Oliveira, 67 anos, decidiram se mudar da cidade para a área recém adquirida pelo filho José Barbosa de Oliveira. “Tivemos muita dificuldade, a gente trabalhava durante a semana plantando cebolinha, couve e alface e meu filho vinha da fazenda onde trabalhava aos finais de semana nos ajudar. Depois ele veio com a família e todos nós passamos a morar juntos numa pequena casa de madeira”, relembra dona Ilza.

A chefe da família conta ainda que quando perceberam que o negócio poderia crescer mandaram buscar o outro filho, Edvaldo Barbosa de Oliveira, de 40 anos, que trabalhava como motorista de ônibus, em Rio Branco. Atualmente são nove pessoas da família trabalhando juntos na propriedade, além de sete funcionários.

Para vender direto ao consumidor, a família construiu um mercadinho em frente à propriedade localizada na Rodovia AC-405 que liga Cruzeiro do Sul a Mâncio Lima. Além das frutas e verduras à disposição, um açougue foi montado para vender a carne de porco e o peixe.

Com o dinheiro da produção, uma casa em alvenaria foi construída para cada um dos filhos e para os chefes da família. Quatro carros novos de uso particular foram comprados, além de dois caminhões e um carro utilitário para entrega dos produtos, além de um pequeno trator usado no plantio.

“Graças a Deus a gente conseguiu melhorar de vida, mas é preciso muita força de vontade e o trabalho só aumenta. Não é possível fazer de qualquer jeito, as técnicas são fundamentais e isso hoje a internet ajuda, eu recorro muito à internet quando tenho dúvidas”, explica José Barbosa.

Mais estruturada financeiramente, a família está investindo na hidroponia, uma técnica que consiste no cultivo sem uso de solo. Boa parte da produção de alface e tomate da propriedade já é hidropônica. “No Acre eu não sei de alguém que está produzindo tomate na hidroponia, talvez nós sejamos os primeiros e estamos apostando muito nisso, porque não depende de inverno ou verão é possível produzir o ano inteiro. Na hidroponia a produção dobra, um único pé de tomate produz até dez quilos ao longo de três meses, mas é preciso um investimento alto e contamos com orientação de um engenheiro agrônomo”, explica o produtor.

O gerente da Seaprof na Região do Vale do Juruá, Franco Severiano, diz que a propriedade da família Oliveira é modelo para o estado. “A gente procura ajudar com orientação e recentemente conseguimos um financiamento através de um programa para comprar um caminhão, mas eles são esforçados, pesquisam, e o mais importante diversificam a produção não se prendem apenas em uma cultura, isso é o diferencial”, conclui.

Fonte: G1

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