Acre registra 64 casos de câncer em homens em 2014, aponta Saúde

cancerSegundo dados do Hospital do Câncer do Acre (Unacon), durante o ano de 2014 foram registrados 64 casos de câncer envolvendo homens no estado. Os dados, levantados até setembro deste ano, apontam que foram diagnosticados 59 casos de câncer de próstata, 2 de testículos e 3 de pênis. Durante o ‘Novembro Azul’, mês voltado para conscientização da saúde do homem, a Secretaria de Saúde do Estado (Sesacre) realiza palestras, exames básicos e urológicos em todas as unidades de saúde.

De acordo com a oncologista e gerente de Assistência do Hospital do Câncer, Nara Rosana Andrade, o câncer na próstata é o mais comum no sexo masculino. Em 2013, segundo a médica, o estado registrou 71 casos e este ano a doença mantém a média que equivale ainda mais de 50% dos registros.
“Não conseguimos identificar um crescimento exorbitante de um ano para o outro entre os pacientes que têm esse tipo de doença. A média é essa mesmo por ano entre os homens”, contou.

Ainda, de acordo com a gerente, a maior barreira encontrada no combate à doença é o exame urológico, onde é feito o toque retal. Para Nara, ainda existe preconceito entre os homens na hora de fazer o exame, assim eles optam pelo análise de sangue para avaliação. A partir dos 40 anos, os homens já podem fazer o procedimento.

“Existem vários tabus que norteiam o câncer de próstata, mas, os principais estão relacionados ao exame do toque retal e sobre a impotência sexual causada nos pacientes. Se falarmos com um homem sobre problemas no coração, imediatamente ele vai procurar um cardiologista, mas quando falamos em avaliar a próstata, fogem”, explica a médica.

Segundo Nara, o câncer de próstata é diferente dos demais pelo fato de não existir um fator causal da doença, como nos demais que atingem a população. A médica explica que a doença está relacionada mais ao envelhecimento do homem.”Não tem um fator, como câncer de pulmão, que é causado pelo fumo. Está mais relacionado com o envelhecimento da célula, já fizemos estudos em pacientes com mais de 100 anos, analisamos a próstata e todos tinham câncer”, esclarece Rosana.

O câncer de próstata, segundo Nara Rosana, é uma doença hormônio-dependente (que se alimenta da testosterona para se desenvolver e causa o crescimento do órgão). O diagnóstico é realizado com o exame de sangue acompanhado do toque retal, se positivo, o tratamento é através da radioterapia e segundo a especialista, a maioria dos casos tem cura.

‘Novembro Azul’

A Secretaria de Saúde do Estado do Acre (Sesacre) desenvolve, durante o mês de novembro, atividades, exames urológicos, palestras e conversas com os homens nas unidades de saúde para conscientizar o risco das doenças que atingem o sexo masculino. A campanha visa reduzir o número de doenças entre os homens, com o atendimento de saúde básica feito através dos exames.

De acordo com o coordenador e médico da Divisão da Saúde do Homem no Acre, Mauro Trindade, além da capital acreana, os municípios do estado também desenvolvem atividades durante o mês para chamar atenção para os tipos de câncer que afetam os homens, tratamentos, prevenção e orientação sobre a saúde básica masculina.

“O Novembro Azul visa fomentar a questão da saúde masculina. Queremos trazer os homens para as unidades de saúde, para que se crie o hábito de procurar o médico diante de algum problema. Então todas as unidades de saúde do estado estão mobilizadas para fazer exames, palestras, conversas e outros serviços que os homens precisarem”, explicou.

Para a coordenadora da área técnica da Saúde do município, Márcia Corsini, o principal objetivo da campanha é levar o homem até a unidade de saúde para fazer as consultas. “A meta da política é que o homem faça pelo menos uma consulta por ano, tem homem que não faz nenhuma. Então novembro a gente faz essa mobilização para chamar a atenção para as doenças que atingem o sexo masculino e como devem ser tratadas”, explicou.

Além dos exames urológicos, as unidades de saúde estarão realizando exames de glicemia, pressão arterial, sangue, testes de HIV e palestras sobre as doenças e formas de prevenção.

“Queremos que o homem se cuide, que vá até a unidade de saúde. Não vemos o homem só como uma próstata ou como uma DST [Doença Sexualmente Transmissível], mas como uma pessoa que precisa tem autonomia no cuidado da saúde. Que ele venha entrar pela porta certa do SUS [Sistema Único de Saúde] que é a atenção básica e não pela especialidade, que é quando as doenças já estão avançadas”, finalizou a técnica.

Fonte: G1

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