Amazonas, Pará e Mato Grosso lideram ranking de incidência de raios no Brasil

raiosMANAUS – Com tempestades intensas em Manaus nos últimos dias, a incidência de raios também cresce. De acordo com levantamento feito pelo Grupo de Eletricidade atmosférica (ELAT) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), somente no Amazonas, aproximadamente, 11 milhões de raios caem por ano. Em segundo lugar, outro Estado da região Norte: o Pará, com 7,38 milhões de descargas por ano. Em terceiro, o Mato Grosso com 6,81 milhões de raios.

O ELAT informou ao Portal Amazônia que a explicação é geográfica: o Brasil é o maior país da zona tropical do planeta, onde o clima é mais quente e, portanto, mais favorável à formação de tempestades. Como o Amazonas é o maior Estado, com 1.559.159,148 quilômetros quadrados (dados do IBGE), é o mais afetado; bem como o Pará e o Mato Grosso, Estados que ocupam grande parte do território nacional.

Logo, nos últimos 10 anos, é a capital amazonense a cidade brasileira com maior número de mortes em função das descargas elétricas. Em relatório do Inpe referente à Densidade de Raios por município, de março de 2013, houve 16 mortes em Manaus por causa de raios, chuvas e raios

Estudos do ELAT mostram também que a ocorrência de relâmpagos tem aumentado sobre áreas urbanas. Segundo o doutor em física da atmosfera e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Antônio Manzi, acredita-se que este efeito esteja relacionado ao crescimento da cidade, que induz seu aquecimento e cria ‘ilhas de calor’. “Isso acontece porque com a impermeabilização parcial dos solos pelas construções, ruas, menos energia do Sol é utilizada para evaporação, sobrando mais energia para aquecer a superfície e o ar em contato com ela”, ilustrou.

Com isso, há o aumento das chuvas, e consequentemente maior número de raios na região. Na opinião do pesquisador, “as mudanças climáticas globais também podem e devem afetar os regimes de chuva”. “Nesse caso, espera-se aumento dos eventos de chuvas mais intensas, embora também possa aumentar a frequência de períodos secos ainda mais secos”, afirmou o pesquisador.

O verão, apesar do clima quente, é o campeão de ocorrências de morte por raio: 43% das vítimas fatais são atingidas neste período em todo o país. Homens representam 81% das vítimas fatais. Quem pratica atividades rurais, ou ao ar livre, são as mais atingidas, mas é raro um raio atingir diretamente uma pessoa.

O levantamento mais recente feito pelo ELAT em 13 capitais brasileiras e Campinas (SP) mostrou que Manaus tinha 55 dias de tempestade por ano entre 1910 a 1951. De 1951 a 2010 esse número aumentou para 165 dias de tempestade, ou seja, um crescimento de 200%. O ELAT alertou que a previsão é de que os dias de tempestade se tornem ainda mais frequentes nos próximos anos.

Fonte: Portal Amazônia

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