Amazonas prevê 800 toneladas de guaraná na safra 2014

guaranaA safra amazonense de guaraná deste ano deve apresentar aumento de 10% em comparação à safra de 2013, segundo projeção da Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror). O Amazonas deve registrar uma coleta de pouco mais de 800 toneladas do fruto, utilizado como base para a fabricação do xarope destinado à produção de refrigerantes. No Estado, a região com maior produção é a do Baixo Amazonas, que possui cerca de 70% da área produtiva do Amazonas.

O secretário executivo de planejamento da Sepror, Luis Herval, explica que o período da safra do guaraná no Amazonas tem início no mês de novembro e se estende até março do próximo ano. Herval afirma que o aumento produtivo do guaraná depende de fatores climáticos, no caso, da chuva, que contribui para o desenvolvimento do plantio. “Contamos com esse aumento. Porém, dependemos de fatores climáticos. A estiagem prejudica o cultivo e afeta a produção. Acreditamos em uma boa colheita neste ano”, disse.

De acordo com o chefe do departamento de assistência técnica e extensão rural do Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário do Estado do Amazonas), Alfredo Pinheiro, a safra de 2012 registrou mais de 690 toneladas do grão desidratado. Em 2013 esse número foi superado por mais de 740 toneladas. “Esse aumento é comum quando não há interferências climáticas. É possível que esse número cresça também neste ano”, avaliou.

Do total de 62 municípios produtores de guaraná, 12 estão localizados nas regiões do baixo e médio Amazonas; além de outras dez cidades que compõem as sub-regiões do Estado, na área dos rios Negro, Solimões e Madeira. Pinheiro informa que o município que apresenta o maior índice produtivo e de área plantada é Maués (distante 268 quilômetros de Manaus). Mais de 2,8 mil famílias atuam no cultivo do fruto em uma área de plantio de aproximadamente 6,7 mil hectares. Desse total, mais de 4,3 mil hectares são de áreas produtivas.

Dificuldades da produção

Pinheiro ainda explicou que uma das dificuldades para o aumento produtivo do guaraná no Estado é o cultivo nativo (aquele feito sem a utilização de tecnologias específicas ao desenvolvimento do plantio). Ele informa que a maior parte do cultivo do guaraná no Estado ainda é feito por agricultores nativos. “É um cultivo de baixa produtividade e que vem de berço dos moradores de determinada região. Geralmente acontece em áreas de capoeira ou mata. Diferente de um plantio que use a tecnologia para a aprovação do local e técnicas que contribuem no desenvolvimento produtivo”, destaca.

O Idam disponibiliza 380 técnicos distribuídos entre os municípios para contribuir com apoio técnico nos trabalhos agrícolas. “Elaboramos os projetos conforme o pedido do agricultor para que ele tenha acesso aos financiamentos. Assim, o produtor também se compromete em utilizar tecnologia inovadora e a correta utilização do solo”, frisou.

Segundo o secretário executivo de planejamento da Sepror, Luis Herval, o preço do quilo do guaraná é atualizado anualmente, sempre no mês de novembro. O valor é anunciado pela Ambev (Companhia de Bebidas das Américas). Até o momento o quilo do guaraná é comercializado por R$ 26. “No período de 2012 para 2013 houve um aumento de 1,2 mil hectares de área produtiva de guaraná no Estado. Isso tem despertado o interesse do produtor em investir nessa cultura. É um mercado crescente”, disse.

Ambev utiliza 10% do guaraná próprio

No Estado, uma das maiores empresas consumidoras da produção de guaraná é a Ambev, que possui no município de Maués uma indústria de concentrado de bebidas e expressiva plantação de guaraná, no empreendimento denominado Fazenda Santa Helena, que fornece 10% do guaraná utilizado pela fábrica instalada no município amazonense. O restante da demanda da empresa é suprida por pequenos produtores. Até setembro deste ano a Ambev processou 380 toneladas do fruto, segundo a assessoria de comunicação da empresa.

Os primeiros plantios de guaranazeiros, na Fazenda Santa Helena, foram realizados em 1972. Os trabalhos acontecem em parceria com a Embrapa, com o desenvolvimento de pesquisas e técnicas de manejo, visando obter as melhores plantas em termos de produtividade, teor de cafeína e resistência a pragas e doenças. O período do plantio anual ocorre entre janeiro e abril.

Fonte: Jornal do Commercio

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