Anatel impõe reativação dos orelhões; Fique sabendo o prazo

orelhaoA Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) determinou no dia 5 de fevereiro, que pelo menos 90% dos 650 mil orelhões operados pelas concessionárias do Grupo Oi deverão funcionar plenamente até 31 de março deste ano. De acordo com a Anatel, a decisão foi tomada depois que a fiscalização realizada no segundo semestre do ano passado constatou que os orelhões da empresa nos estados, apesar de instalados, não estavam funcionando.

Em Rondônia, segundo dados da assessoria de imprensa da Oi, a empresa possui 7.162 orelhões, dos quais 0,7% foram danificados nos últimos 6 meses. Na capital, o total é de 2.076, dos quais a empresa não informou quantos estão danificados. Nas localidades atendidas apenas por orelhões, o percentual sobe para 95%. Situação que se enquadra para o distrito de Vista Alegre do Abunã e toda a região da Ponta do Abunã, uma vez que o serviço de telefonia celular ainda não foi instalado e o único meio de comunicação continua sendo os orelhões.

Distrito possui apenas cinco orelhões funcionando

A administradora do distrito de Vista Alegre do Abunã, Eusébia Cristina, explica que os orelhões na região são de grande utilidade, no entanto, o serviço de manutenção não passa por lá há bastante tempo. “Aqui funciona um em cinco orelhões, e por mais que a população reclame, ligue pro serviço especializado, como estamos distantes da capital, nada é feito e daí vamos nos virando com dá”, frisou a administradora.

Nos Estados em que não forem atingidos os patamares mínimos de disponibilidade, as concessionárias deverão pagar multa diária de R$ 50 mil ou fornecer gratuitamente chamadas a partir de seus orelhões. A empresa opera no Distrito Federal e em todos os Estados do País, com exceção de São Paulo. A instalação e manutenção dos orelhões é uma obrigação das concessionárias de telefonia fixa.

Dificuldade para encontrar orelhões

Nas principais avenidas da região central de Porto Velho, encontrar um orelhão em bom estado de conservação e que funcionem não é uma tarefa fácil. Na avenida Carlos Gomes, por exemplo entre a rua Gonçalves Dias e avenida Farquar, a maioria dos orelhões passaram por manutenção e boa parte deles estão funcionando, como informou o proprietário de uma banca de revista que vende cartão telefônico. A equipe do Diário, constatou a existência de nove orelhões no perímetro citado, apenas um deles não estava funcionando.

De acordo com Antônio Faustino, proprietário da banca, não é possível saber ao certo quanto tempo os oito orelhões testados continuarão funcionando. “Quando eu recebo a informação de que algum orelhão não está funcionando, imediatamente entro em contato com a empresa. Eles vêm aqui, trocam a peça do orelhão e no outro dia voltam e trocam novamente, acredito que é pela peça quebrada, pois logo em seguida o orelhão passa a não funcionar mais. Já questionei os rapazes, contudo, eles tentam me enrolar, denunciei a situação para a Oi, entretanto, até hoje ninguém voltou aqui”, denunciou Faustino.
Antônio aponta ainda que a falta de manutenção por parte da empresa afeta as vendas de cartões telefônicos de sua banca. “Alguns clientes chegam aqui, compram seus cartões e não encontram orelhões próximos para utilizarem e principalmente que estejam funcionado. Com essa dificuldade, muitos clientes acabam deixando de utilizar os aparelhos e consequentemente deixam de comprar seus cartões telefônicos”, expõe.

Queda no consumo de créditos

Segundo dados da empresa que administra os telefones públicos, a migração do consumo de voz fixa (acesso individual ou telefone público) para voz móvel faz parte da evolução da telefonia em todo o mundo, inclusive no Brasil. Entre 2007 e 2012, a Oi registrou queda de aproximadamente 40% ao ano no consumo de créditos em seus orelhões – o que representa uma redução de 92% em todo este período.

Pesquisas realizadas pela companhia mostram que, atualmente, o uso do orelhão é esporádico. Em 2010, por exemplo, menos de 4% da população utilizavam os orelhões diariamente. Isto se deve, principalmente, à explosão do celular pré-pago, que, com o aumento da agressividade de ofertas, deixou de ser apenas receptor de ligações e se tornou grande originador de chamadas. A queda de consumo se reverte em concentração do uso: 91% da planta nacional de orelhões queimam menos que 1 crédito por dia e 40% dos telefones públicos representam menos de 1% do consumo total de créditos

Para Roberto Lopes, auxiliar de escritório, os orelhões fazem parte do passado, com os celulares tudo ficou mais prático. “Olha eu acho que nem sei mais como se usa um orelhão, desde que surgiu os celulares, não utilizei mais esse serviço”, afirmou.

Ainda é Necessidade para alguns

Para a dona de casa, Maria das Graças, que não possui celular e telefone fixo, um orelhão é fundamental para manter o contato com seus familiares. “Eu ainda uso o serviço, só que é muito difícil encontrar um orelhão funcionando, quando preciso tenho que andar pelo menos umas cinco quadras pra achar um que funcione”, relata.

O auxiliar de serviços gerais, Antônio Souza, conta que por muitas vezes teve que recorrer aos orelhões, uma vez que sua operadora de telefone fixo sempre fica indisponível. “Eu já troquei de operadora duas vezes, mas onde eu moro o sinal é ruim mesmo. Na esquina de casa tinha um orelhão que quebrava o maior galho, há cerca de cinco meses ele parou de funcionar, agora quando meu celular fica sem sinal, não tem uma opção de emergência para recorrer. Acho válida essa determinação da Anatel, afinal de contas tudo pode acontecer, inclusive eu ficar sem bateria e precisar fazer uma ligação”, exemplifica Souza.

Procurada pela reportagem, a Oi avisou que não iria se manifestar sobre a decisão da Anatel.

Fonte: Diário da Amazônia

 

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