Após 40 anos, Unidade Mista é fechada definitivamente

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A Unidade Mista de Saúde de Cacoal, após 40 anos de funcionamento, foi fechada em definitivo. O anúncio foi feito na noite desta quarta-feira, pelo vereador Jabá Moreira. Nossa reportagem foi conferir de perto e viu que, como dissera o vereador, os últimos equipamentos e mobiliários estavam realmente sendo transferidos para o HSDC.

O mais curioso foi como se deu o anúncio. Apesar de o Município não ter consultado o Conselho Municipal de Saúde para fazer a transferência de pacientes para o HSDC, na noite desta quarta-feira, 01/10/2014, o vice-presidente da Câmara, Jabá Moreira interrompeu uma reunião da entidade e foi informado de que sua permanência no recinto só poderia ocorrer caso o plenário a aprovasse. Em princípio, o vereador retrucou e disse que, como autoridade, sua presença em quaisquer conselhos do Município era algo inato, mas depois de pensar melhor, aceitou submeter-se à votação do plenário. Sua permanência foi desaprovada por 10 votos contrários, 8 favoráveis e duas abstenções.

Contrariado com a decisão, o vereador retirou-se, mas aproveitou o ensejo para informar que o objetivo de sua ida ao local era para esclarecer que, a partir de hoje (01/10), o prédio da Unidade Mista de Cacoal, situado na Avenida 2 de Junho, seria lacrado definitivamente.
Os 20 conselheiros presentes não entenderam realmente o que estava ocorrendo, mas depois foram informados, por jornalistas que aguardavam o fim da reunião, que o vereador realmente lhes informara, em primeira mão, que o fechamento do prédio da Unidade Mista como hospital público era irreversível e que, nesta data, seria lacrado.

O que mais chamou a atenção e deixou os presentes sem entenderem é que, na reunião, a pauta era justamente uma decisão liminar do Poder Judiciário que insta o Poder Executivo para que se abstenha de qualquer transferência de pacientes para o HSDC, bem como suspenda quaisquer atos que resultem em ocupação parcial ou total do Hospital Administrado pela ASSDACO, entidade que, sentindo que suas instalações haviam sido ocupadas arbitrariamente, impetrou mandado de segurança preventivo, já que, por decreto, o Município decidira recentemente que poderia requisitar qualquer prédio em Cacoal, fosse ele pertencente a pessoa física ou jurídica, pelo tempo necessário.

ENTENDA O CASO
O pedido de liminar para impedir a ocupação do HSDC, no ínicio desta semana, caiu às mãos de um juiz, que declarou-se suspeito, e o processo foi então encaminhado para outra juíza, que julgou o caso e deu parecer favorável à ASSDACO, determinando que o Município não deveria ocupar o prédio daquela instituição. Ocorre que, apesar da liminar, na madrugada de sábado para domingo o prefeito e o secretário de saúde decidiram ocupar as instalações do HSDC, após publicar o decreto às 00H27 minutos do mesmo dia, sem que houvesse tempo para que os dirigentes da ASSDACO, a Câmara, o Conselho Municipal de Saúde e a população tivessem conhecimento. O presidente da ASSDACO, por exemplo, foi informado da ocupação durante a madrugada e em princípio pensou tratar-se de um trote.

Surpresos com o caso inusitado, membros da imprensa fizeram uma minuciosa busca na internet e não conseguiram encontrar, em nenhum dos quase seis mil municípios brasileiros, um único caso de ocupação desse tipo.

RESTRIÇÕES À IMPRENSA
O mais estranho, segundo jornalistas que estão acompanhando o caso, é que a Assessora de Imprensa, Débora Soraia, informou que o prefeito havia decidido não conceder nenhum tipo de entrevista durante toda a semana, que culminou com a ocupação do HSDC. Além disso, após a ocupação, o prefeito convocou a imprensa para um pronunciamento e chamou para o assessorá-lo um advogado da prefeitura, mas o Procurador Geral, que é o cargo máximo do departamento jurídico do Município, não se fez presente.

A Associação Cacoalense de Imprensa, inclusive, fez uma nota de repúdio contra a forma como a imprensa vem sendo tratada. Em redes sociais, pessoas ligadas ao prefeito, entre elas funcionários do primeiro e segundo escalão publicaram, à exaustão, várias postagens em que ridicularizam o trabalho de toda a imprensa de Cacoal, a quem, pejorativamente, tratam com termos como amadores, despreparados, etc.
A REDAÇÃO

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