Brasil teve 24.612 novos casos de hanseníase em 2014, diz ministério

chioroO Brasil teve 24.612 novos casos de hanseníase no ano passado, segundo o Ministério da Saúde. A apresentação dos dados preliminares em relação à doença no ano passado foi realizada nesta quarta-feira (21) pela manhã em Brasília. Os anúncios fazem parte de ações do governo federal pelo Dia Mundial de Luta contra a Hanseníase, comemorado em 25 de janeiro.

Os dados completos de 2014 só devem ser divulgados em março deste ano. Segundo o governo federal, a hanseníase é uma doença endêmica no país em decréscimo desde 2003. Em 2013, foram detectados 31.044 novos casos. A porcentagem de cura nos dois últimos anos foi de 83,4% e 84%, respectivamente.

Em 2003, o Brasil registrou 51.900 casos de hanseníase, uma incidência de 29,37 descobertas em 100 mil habitantes. Em 2014, os dados do ministério até o momento indicam que esse patamar ficou em 12,14 por 100 mil habitantes.

Quando a taxa de incidência está próxima de 1 por 10 mil habitantes, recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), significa que a doença está sob controle na saúde pública. O governo federal afirmou que quer chegar à uma taxa menor que um em todo o Brasil, mas não deu um prazo para tanto.

Apesar da melhora, o Brasil é o segundo país com mais casos de hanseníase, atrás somente da Índia. A prevalência da doença no país, que inclui casos novos e o total de pessoas com casos já contabilizados em anos anteriores e em tratamento, aumentou de 2013 para 2014. No ano retrasado, o índice foi de 1,42 casos por 10 mil habitantes. No ano passado, dados preliminares indicam 1,56 casos por 10 mil habitantes.

hanseniase-campanhaEm relação ao tratamento, foram 31.568 pessoas em 2014. O número é maior do que o de casos novos no mesmo ano porque este inclui descobertas novas e antigas, como as taxas de prevalência, informou o ministro Arthur Chioro.

“Há uma tendência de diminuição consistente e permanente. Nós devemos ter uma pequena elevação nessa taxa, porque é reflexo da campanha de novos casos. O quadro não reproduz uma piora da doença, mas uma melhora no tratamento. Não podemos comparar só de um ano para outro. Temos de analisar um longo período de tempo.”

Algumas das estratégias adotadas pelo Ministério da Saúde para tentar eliminar a hanseníase são ampliar a oferta de serviços de diagnóstico e tratamento e intensificar a busca de casos em crianças e em áreas com maior incidência da doença, como Mato Grosso, Maranhão, Tocantins, Rondônia, Pará e Goiás.

A doença é considerada extinta em estados como o Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Norte e Alagoas, além do Distrito Federal.

Peças publicitárias

O governo também divulgou nesta quarta a nova campanha publicitária contra a doença para este ano. Com o lema “Hanseníase. Quanto antes as pessoas descobrirem, mais cedo vão se curar”, ela consiste em peças eletrônicas para a televisão e o rádio, além de peças gráficas, como cartazes, para serem distribuídos para agentes de saúde, profissionais de saúde, líderes comunitários e expostos em ônibus. É possível fazer o download das peças no portal do ministério na internet.

Campanhas em escolas

O governo federal também promove campanhas de detecção de hanseníase em estudantes de 5 a 14 anos de escolas públicas. O objetivo é descobrir casos novos em jovens, porque a probabilidade de quem alguém da família do infectado tenha a doença é muito alta.

Em 2014, 1.944 municípios aderiram à campanha, contra 852 em 2013. Ao todo, cerca de cinco milhões de crianças foram avaliadas para a hanseníase. Dessas, 4,7 milhões foram tratadas para verminoses em geral, 231 mil encaminhados para a rede pública de saúde com suspeita de hanseníase e 354 realmente diagnosticadas com a doença.

Outras enfermidades que participam dessa mobilização são a tracoma e a geo-helmintíase. A próxima edição da campanha governamental nas escolas deve começar em agosto deste ano.

“Como a hanseníase é de baixa prevalência, as pessoas não fazem a conexão ao terem os sintomas. Mesmo os profissionais de saúde têm de ser constantemente sensibilizados. Daí a importância da campanha”, explicou o ministro.

Hanseníase

A hanseníase é uma doença transmissível que afeta principalmente a pele e os nervos periféricos. Os primeiros sintomas, em geral, só aparecem de dois a sete anos após a infecção da pessoa pela bactéria Mycobacterium leprae.

A transmissão se dá por meio de espirros e tosses, por exemplo, de uma pessoa doente e sem tratamento. O contágio não é possível através de abraços e apertos de mão. Também não é necessário separar roupas, pratos, talheres e copos do infectado em casa. O tratamento é gratuito e inclui um coquetel de antibióticos, podendo durar até um ano e meio.

Sintomas

Os principais sintomas da hanseníase são: manchas avermelhadas, esbranquiçadas ou amarronzadas no corpo com diminuição ou perda de sensibilidade ao calor, tato e à dor; caroços avermelhados às vezes doloridos; sensação de choque com fisgadas ao longo dos braços e pernas; áreas com diminuição de pelos e suor; e o engrossamento do nervo que passa pelo cotovelo levando à uma perda da força do quinto dedo da mão.

Fonte: Bem Estar

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