Carne com gordura apresenta riscos à saúde

carneRondônia é o terceiro Estado que mais consome carne com gordura de todo o Brasil. É o que aponta o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com os dados apresentados, 51,5% da população do Estado consome carne vermelha ou frango com excesso de gordura. Segundo a nutricionista Tainãn Moreira, o índice é preocupante porque é um grande número de pessoas que se alimentam de forma que causa riscos à saúde.

Do total de brasileiros, 37,2% consomem carne com gordura em excesso – bem abaixo dos dados de Rondônia. No top 10 do ranking encontram-se apenas mais dois Estados da região Norte: Roraima, em sétimo lugar, com 43,8% consumidora de carne com gordura; e Acre, em décimo, com 39,6%.

Sobre a carne vermelha, que de acordo com Tainãn é uma grande causadora de câncer de intestino, a gordura aumenta os níveis de colesterol no organismo – que pode levar a diversas doenças. “Aqui no Estado, temos carne de forma acessível, por mais que as pessoas a achem cara – em outros Estados é ainda mais cara. Então comemos muita carne aqui e isso não é benéfico ao organismo”, relata.

PIRÂMIDE  ALIMENTAR

Tainãn explica que as pessoas deviam seguir a pirâmide alimentar criada por Sonia Phillip, pesquisadora do Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP). Nela, a base se constitui de cereais e energéticos como arroz, pão, batata, mandioca, etc. Logo acima, em quantidade menor, deve-se colocar os legumes, as verduras e as frutas. Na penúltima escala, produtos como leite, iogurte, feijões, carnes e ovos – todos em porções pequenas. Por último, em quantidades ainda menores, os açúcares, gordura e óleos.

“Hoje em dia, as pessoas invertem a pirâmide. Em vez de comer carnes e açúcar em pouca quantidade, acabam fazendo desses produtos a base da pirâmide, o que acarreta em uma série de doenças e um mal funcionamento do corpo”, explica a nutricionista. Tainãn ainda revela que a inversão da pirâmide pode causar doenças crônicas como a diabetes e hipertensão.
“Geralmente, quem come carne, faz churrascos, usa outros produtos que não fazem bem em excesso, como o uso indiscriminado de sal”, destaca. De acordo com a nutricionista, não é fato de que o consumo de alimentos com açúcar e gordura sejam sinônimos de mal para o corpo, mas o perigo fica a cargo do excesso.

LEITE INTEGRAL APRESENTA ALTO TEOR DE GORDURA 

Os dados do IBGE também revelaram que 66,4% da população rondoniense consome leite com teor integral de gordura – acima do total nacional, que é de 60,6%. “No leite desnatado, é retirada toda a gordura e ele é bastante procurado por quem quer fazer dieta, mas não há problemas com o leite integral – o que acontece é que as pessoas têm ingerido muito além daquilo que é saudável para um dia inteiro”, afirma Tainãn. Já a cota para os refrigerantes, em todo o Estado cerca de 19,7% da população consome a bebida gaseificada regularmente. “O refrigerante é algo bem preocupante, há mães que colocam até na mamadeira do bebê e esta bebida é puro açúcar”, destaca.

A nutricionista ainda afirma que o refrigerante não tem nenhum valor nutricional para a dieta de uma pessoa e que, o consumo regular da bebida, só eleva a quantidade de açúcar no corpo – que pode levar a diabetes. “Por não apresentar nenhum valor nutricional, o refrigerante é uma bebida que não há necessidade em ser ingerida pelo ser humano, ao contrário dos sucos naturais”, explica.

Tainãn conta que uma fruta como a laranja contém vitaminas úteis para o organismo humano, como a vitamina C – que aumenta o nível de imunidade. “Há crianças que ficam gripadas com facilidade e isso pode ser a falta de vitamina C. O consumo da laranja ou frutas cítricas aumentaria o nível de imunidade e ajudaria a evitar estas doenças virais”, enfatiza. O termo usado pelos nutricionistas para classificar o refrigerante é o que eles chamam de “caloria vazia”, pois só causa o aumento de peso e de açúcar no sangue, sem apresentar nenhum tipo de nutriente para o consumidor.

coca-colaMODERAR É A MELHOR FORMA DE PREVENIR DOENÇAS

De acordo com Tainãn, a alimentação atualmente fica bastante à mercê da indústria. “O Brasil é o maior produtor de alimentos orgânicos do mundo, mas o que é produzido é exportado e o que fica é muito caro”, lamenta. A nutricionista explica que produtos orgânicos, apesar de caros, seriam uma boa alternativa para uma alimentação saudável, já que eles não contém aditivos de produtos químicos, agrotóxicos, entre outros. “Hoje em dia a produção é em larga escala, então é necessário colocar produtos que protejam as produções, mas eles podem fazer mal para nós. Não é mais como no tempo dos nossos avós, que eles mesmos plantavam frutas e verduras. Era tudo orgânico”, relembra Tainãn.

Para a nutricionista, moderar no consumo de carne com gordura, açúcares e outros produtos que em excesso podem ser nocivos é a melhor forma de prevenir doenças como diabetes e colesterol. “É importante que as pessoas conheçam e usem a pirâmide alimentar como base para as suas refeições e moderem nos produtos que podem prejudicar a saúde. É fundamental também atentar à qualidade dos alimentos que estão sendo colocados na mesa”, finaliza.

O IBGE também mostrou que 16,6% dos habitantes do Estado consomem doces regularmente (sendo 21,7% o consumo nacional), assim como 17% apresentaram um elevado consumo de sal (frente à 14,2% do índice brasileiro). De toda a população em Rondônia, 5,2% trocam refeições por sanduíches, salgados ou pizzas – número abaixo dos 6,6% da média nacional.

Fonte: Diário da Amazônia

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