Conheça atividades de uso sustentável da Flona do Jamari, em Rondônia

flora-roPORTO VELHO – O Portal Amazônia realizou um tour pela Floresta Nacional do Jamari, em Itapuã do Oeste. A unidade de conservação federal é a primeira do Brasil a realizar concessões florestais e está dividida em zonas. A visita, promovida pelo Centro de Estudos Rioterra, foi acompanhada por acadêmicos e profissionais de instituições de pesquisa e percorreu zonas de uso público e de exploração florestal.

A visita começou por uma das áreas de mineração da Flona, a Serra da Onça. O local é explorado por uma das duas empresas de mineração que tem autorização para atuar na área, mas o Portal não recebeu permissão da empresa para fazer imagens. De acordo com o analista ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Samuel dos Santos Nienow, a atividade de mineração no local é mais antiga que a criação da Flona.

Aproximadamente 700 hectares que correspondem às minas abandonadas estão em avançada etapa de recuperação. A intensa exploração mineral das décadas de 70 e 80 alteraram a paisagem do local e formaram vários lagos. Duas empresas têm autorização para explorar de forma sustentável as madeira da Flona. Uma delas é a Madeflona.

Exploração madeireira

O engenheiro florestal, Evandro Muhlbauer, explica o trabalho realizado na área. ‘‘A Madeflona foi criada em 2007 com o intuito de exploração madeireira dentro de unidade de conservação. Desde 2009 a gente extrai madeira da Flona do Jamari. A nossa unidade de manejo é de 17 mil hectares e o ciclo de corte que nós temos nessa área é de 30 anos. Isso quer dizer que conseguimos extrair entre 500 a 600 hectares por ano’’, explica. É um trabalho detalhado que envolve a divisão de áreas e a elaboração de inventário.

‘‘A gente faz um mapeamento de todas as árvores comerciais com diâmetro maior ou igual a 35 centímetros e aí nos fazemos o inventário. Cada espécie de manejo é identificada pelo nome científico e a gente marca a localização geográfica das árvores. A exploração que a gente tem feito na Jamari está sendo de duas árvores por hectare, que são as consideradas maduras’’, afirma.

As árvores extraídas na Floresta Nacional do Jamari de forma sustentável atende o mercado nacional e até internacional. ‘‘Nós temos dois nichos de mercado fortes e estamos abrindo um terceiro. No mercado nacional, atendemos a linha de suplementos rodoviários basicamente carrocerias e revestimentos. Já no mercado internacional, atendemos os europeus fornecendo madeiras para diques’’, conta.

O outro segmento que a Madeflona começa a investir, junto com outra empresa especializada, é a linha de cabos para pequenos objetos. Para o engenheiro florestal, o que a empresa realiza na flona é acelerar o processo natural. ‘‘A regeneração é natural com o próprio banco de sementes do solo da floresta. A própria floresta faz a recuperação, e nós, o monitoramento de como essas árvores estão crescendo. A Floresta Amazônica tem um poder de regeneração fantástica’’, considera.

O acadêmico de gestão ambiental, Alex Oliveira, avaliou como positiva os conhecimentos adquiridos. ‘‘A madeira é um recurso natural que se esgota se não for manejada de maneira correta. Nós temos que trabalhar de forma sustentável para deixar esse exemplo para as futuras gerações’’, afirma. A acadêmica de ciências biológicas, Karina de Oliveira, também gostou da experiência. ‘‘Aprendemos como é realizada a extração de madeira, os métodos utilizados e a importância da madeira’’, disse.

Trilha da Pedra Grande

O tour finalizou na Trilha da Pedra Grande, um dos locais de uso público da unidade. São 2 km de estrada cheia de obstáculos e cercada por várias árvores identificadas por placas. Como o próprio nome diz, a trilha tem um trecho formado por grandes rochas e cercado pelo verde.

Durante o passeio pela trilha, os acadêmicos receberam informação sobre o solo e as árvores que fazem parte da biodiversidade da flona. ‘‘O solo é importância para a Amazônia porque tem uma grande influência para as espécies florestais e nós procuramos explicar como essas espécies podem ser adaptadas a outros meios’’, disse a bióloga do CES Rioterra Ravena Braga.

Durante o passeio o analista ambiental do ICMBio Samuel dos Santos, apresentou aos acadêmicos o programa de monitoramento da biodiversidade que começou a ser realizado neste ano na Floresta Nacional do Jamari. Santos explicou a elaboração do programa, inclusive com a identificação dos alvos de monitoramento, demorou quatro anos para ficar pronto. ‘‘Nesse momento estamos monitorando mamíferos de médio e grande porte, aves, borboletas frugívoras e plantas arbóreas’’.

O analista ambiental colocou ao longo da trilha mostras de como funciona a metodologia do monitoramento. ‘‘Uma das metodologias são as armadilhas fotográficas. Quando ativados o equipamento possui um sensor de calor e presença que ao passar por ele um animal de corpo quente dispara e fotografa. Também possui um sistema de vedação que evita que molhe dentro do equipamento’’, explica.

Outra armadilha exposta na trilha foi a de captura de borboletas. O trabalho vai permitir conhecer e trabalhar em prol da conservação da biodiverdade da Flona. Um lugar cheio de riquezas naturais.

Fonte: Portal Amazônia

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