Crianças sofrem com falta de vagas pediátricas em Porto Velho

pediatriaDiagnosticada com cardiopatia congênita, a pequena Emmanuelly Beatriz Veiga da Silva – com apenas 47 dias de vida, primeira filha de Elisânia Veiga Bragança e Elizeu da Silva Carneiro, luta há mais de 15 dias na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital Infantil Cosme e Damião para sobreviver. A cardiopatia congênita é o nome genérico para os defeitos do coração de origem congênita, causada pelo desenvolvimento incorreto do coração durante a vida fetal. A doença afeta anualmente 130 milhões de recém-nascidos no mundo e, no Brasil, estimativas da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular (SBCC) apontam que 21 mil crianças nascem cardiopatas por ano no País, isto significa que a cada 100 bebês, um nasce com alguma anomalia estrutural do coração.

Segundo informações da mãe, Elisânia Bragança, apenas uma cirurgia poderia salvar sua filha, mas o procedimento não é feito em Rondônia. Além da tristeza de ver a filha recém-nascida internada, Elisânia relata a angústia que está passando, uma vez que foi informada que não há vagas em outros hospitais para que a transferência seja realizada. “Não sei mais a quem recorrer, nem o que fazer para salvar a vida da minha filha. Já procurei a direção do hospital, a Secretaria de Estado de Saúde- Sesau, Ministério Público e Defensoria Pública, só que até agora nem uma alternativa urgente foi apresentada. A única coisa que eles sabem dizer e que preciso esperar uma vaga, mas enquanto isso minha filha vai piorando. Os médicos já disseram que a cirurgia precisa ser feita com urgência”, conta a mãe.

Procurado pela reportagem, o diretor adjunto do Hospital Infantil Cosme e Damião, Sérgio Perreira disse que não estava autorizado a passar informações a respeito do quadro cliínico da paciente. Por meio da assessoria de imprensa, o Ministério Público Estadual de Rondônia, esclarece que está empenhado em auxiliar no caso da pequena Emmanuelly Beatriz e entrou em contato com o secretário da Sesau, que apontou que a demora na transferência é somente por falta de vaga nos hospitais, uma vez, que segundo ele, a demanda é muito grande.

Dois estados foram sinalizados

O pai, Elizeu da Silva, acrescenta que dois Estados foram sinalizados para a transferência de Emmanuelly Beatriz, porém o procedimento não foi realizado. “Primeiro disseram que no hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba havia vaga, depois disseram que não tinha. Depois disseram que os dados dela estariam em um hospital de Goiânia e que haveria 4 vagas lá, só que depois também disseram que não tinha. Nossa filha não pode esperar, precisa urgente dessa cirurgia. Nós precisamos que agilizem essa transferência, porque ela pode não resistir por muito tempo”, desabafa o pai.

De acordo com a chefe de Núcleo da Gerência de Regulamentação da Sesau – responsável pela liberação do Tratamento Fora de Domicílio – TFD, Juliane Campos, a recém-nascida está cadastrada na Central Nacional de Regulação do Ministério da Saúde e foi solicitada urgência para a transferência da paciente, mas ainda não obtiveram êxito. “Estamos entrando em contato com todos os hospitais, só que até o momento nenhum apresentou vaga disponível. O hospital precisa ter vaga na UTI e precisa também realizar a cirurgia. Até os hospitais particulares já foram contatados”, esclarece Campos.

Juliane Campos explica que o TFD é uma ajuda de custo ao paciente e, em alguns casos, também ao acompanhante, encaminhados por ordem médica às unidades de saúde de outros município/Estado, limitada ao período estritamente necessário ao tratamento e aos recursos orçamentários existentes. As despesas permitidas pelo TFD são aquelas relativas ao transporte aéreo, terrestre e fluvial (ida e volta), e diárias para alimentação e pernoite para paciente e acompanhante.

35% dos recém-nascidos morrem

Um levantamento realizado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular (SBCC), aponta que 35% das crianças que precisam de atendimento especializado em cardiopatia congênita morrem na fila de espera por cirurgias. A entidade defende que metade das mortes nesta fase poderia ser evitada se as crianças fossem atendidas em tempo hábil de tratamento. De acordo com a SBCC, o Brasil possui apenas 20 centros capacitados para realizar procedimentos cirúrgicos na área. O número é considerado muito aquém da necessidade do País.

A entidade recomenda que cada Estado mantenha pelo menos um centro especializado com no mínimo dois cirurgiões, que atendam qualquer tipo de complexidade e pacientes de todas as idades. Estudos realizados pela SBCC apontam que o número oficial de óbitos referentes às cardiopatias congênitas é inferior a realidade. Isto acontece porque muitos recém-nascidos deixam os hospitais em bom estado, mas regridem em casa e acabam falecendo, sem que os registros tragam a verdadeira causa e, muitas vezes, sem que os pais saibam da anomalia congênita.

Fonte: Diário da Amazônia

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