Culinária oriental garante sustento familiar

comida-orientalQuando os imigrantes japoneses chegaram ao Brasil, no começo do século passado, trouxeram nas malas a culinária. No início, tratada apenas como exótica, a alimentação oriental rompeu com os limites geográficos, atravessou o oceano pacífico, aterrissou em São Paulo e agora chegou com força total na Capital rondoniense.

Com singelas adaptações aos costumes ocidentais, a comida nipônica foi ganhando espaço e mercado em Porto Velho, deixando de ser um prato raro, para ser tratada como uma opção saudável de refeição.

Na última década, a média de crescimento registrada pelos serviços brasileiros de alimentação, divulgada pela Associação Nacional de Restaurantes, foi de 15% ao ano. Segundo a Associação Brasileira de Culinária Japonesa (ABCJ), em todo o Brasil, a oferta da culinária nipônica cresceu cerca de 700% nos últimos dez anos.

A oportunidade de negócio foi observada pelo sushiman, Heverton Bandeira, que carrega na bagagem uma experiência de mais de quinze anos na culinária oriental. Ele relata que sempre teve vontade de abrir seu próprio restaurante, mas as dificuldades sempre foram grandes e os planos foram ficando de lado. “O começo foi horrível, eu já estava trabalhando com eventos particulares e não estava dando certo. Eu não tinha dinheiro nem para comer. Falei com um amigo, falei com outro e ninguém me emprestava dinheiro para montar um negócio”, diz Bandeira.

Feijoada com sushi

Heverton conta que a ideia de montar um restaurante com comida oriental – chinesa e japonesa, surgiu em uma tarde de sábado, ao som de pagode e acompanhado de uma típica feijoada brasileira. “Quando eu cheguei para almoçar com os meus amigos, fiquei observando o espaço e a quantidade de pessoas que estavam ali. Fiquei pensando, será se eu alugar um imóvel e montar um restaurante com buffet de comida oriental, eu consigo tantos clientes assim? Para testar, aluguei o restaurante de um hotel e fiz um festival de sushi, o resultado foi melhor do que o esperado, lotou, todos gostaram e ainda saíram falando bem”, comemora.

Primeiro empréstimo foi de R$ 3 mil

O sushiman lembra que, através da orientação de um amigo, procurou o Banco do Povo – instituição financeiro do Governo do Estado de Rondônia, e conseguiu seu primeiro empréstimo. “Consegui um empréstimo de R$ 3mil, não era o suficiente para fazer tudo o que eu tinha em mente, mas já era alguma coisa. Comprei um pouco de cada coisa e montei a estrutura de buffet de sushi e temaky na parte da frente da minha casa, usando a sala e área. Comecei abrindo só na sexta-feira, com apenas duas mesas. Uma semana depois eu já tive que comprar mais mesas, tive que usar a calçada do vizinho e quando dei conta já estava abrindo na quarta-feira e na sexta-feira e atendendo de 250 a 300 pessoas por noite”, explica Heverton.

Sem tempo de planejar

Heverton relata também que chegou a procurar o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), para fazer o plano de negócio, mas com a correria do dia a dia, não teve tempo de executar as orientações que recebeu. De acordo com o Sebrae, é importante que o empreendedor elabore seu plano de negócio, uma vez que as mudanças são constantes e as informações organizadas tem grande valor para a tomada de decisões.

Produtos caros

Bandeira conta ainda, que por trabalhar com produtos caros e de primeira qualidade, vindos direto de São Paulo, precisou aguentar na estrutura improvisada, antes de fazer maiores investimentos. “Eu arrisquei tudo na minha ideia, mas mesmo dando tudo certo, eu sempre dava um passo de cada vez. Como tudo caminhando bem, eu procurei um local maior e mudei. Hoje temos capacidade para atender 120 pessoas, antes era só 70. Hoje tenho 12 funcionários, quando comecei era só eu e mais um. Uma das minhas maiores felicidades é poder garantir o sustento de 12 famílias e poder trabalhar em algo que eu acredito e confio”, finaliza Heverton.

Facebook garante sucesso

Heverton Bandeira, atribui 80% do sucesso de seu empreendimento ao Facebook. “Só faço publicidade através do Facebook, nunca precisei gastar com propagandas, ele é meu carro-chefe. Quando eu posto alguma promoção, ou até mesmo as fotos com as bandejas de sushi, o número de curtidas e impressionante”, diz. Em março, a empresa Facebook, fechou uma parceria inédita com o Sebrae para ajudar a desenvolver pequenos e médios negócios pelo Brasil. De acordo com o presidente do Sebrae Nacional, Luiz Barretto, a meta é capacitar 1 milhão de empreendedores nos próximos doze meses.

Para isso, a estratégia se baseia em quatro pontos: um curso online sobre as melhores práticas do Facebook para gerar negócios, road shows, participação nas feiras do empreendedor do Sebrae e treinamentos locais com agentes capacitados.

Fonte: Diário da Amazônia

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