Discussão entre médico e paciente termina na delegacia, em RO

hospitalcentralUma discussão entre um médico e um paciente, no consultório de um hospital particular, terminou na Central da Polícia Civil, nesta quarta-feira (22), em Porto Velho. O médico, um militar aposentado, estava armado e pegou o revólver após sofrer ameaças do paciente. O Conselho Regional de Medicina de Rondônia (Cremero) deve abrir uma sindicância para analisar o caso. Ninguém ficou ferido.

Segundo o boletim de ocorrência, o paciente, um montador industrial de 35 anos, entrou no consultório com o intuito de adquirir um laudo médico, após ter passado por um procedimento cirúrgico, e, muito alterado, começou a ameaçar o médico, um urologista de 51 anos, com um capacete na mão.

O médico pegou uma arma em uma bolsa e colocou em cima da perna. Ao perceber o movimento, o paciente resolveu ligar para a polícia. O urologista então chamou a secretária, entregou a arma e pediu para que ela saísse, mas o paciente pegou o revólver e os dois iniciaram uma briga, até que o montador industrial conseguiu sair da sala, onde ficou aguardando a chegada dos policiais.

Enquanto o montador esperava a polícia na recepção do consultório, o médico ficou dentro da sala. Quando os agentes chegaram, o paciente entregou a arma, que havia pegado do médico, e os dois envolvidos foram detidos e levados para a Central de Flagrantes da Polícia Civil.

De acordo com a esposa do paciente, o montador passou por um procedimento cirúrgico no último final de semana no hospital onde foi atendido pelo urologista. Após a cirurgia, o paciente contou à esposa que ouviu o médico fazendo críticas dele e que, por isso, não queria mais ficar naquele hospital. No dia seguinte à cirurgia, o paciente solicitou que fosse liberado e teve que assinar um termo, pois não teve alta médica. Por ter recebido anestesia, o montador passou muito mal e pediu atendimento em outro hospital particular, na segunda-feira (20), onde ficou internado por dois dias.

Ainda conforme a esposa, o paciente retornou ao consultório do urologista para pegar o laudo da cirurgia. O médico teria se negado a entregar o documento e os dois começaram a discutir, gerando assim toda a confusão.

O G1 tentou contato com o médico, mas, até a publicação desta matéria, não conseguiu falar com o profissional. Segundo a secretária do consultório, ele não deve atender nesta quinta-feira (23). O montador foi levado para a Central de Flagrantes e encaminhado para a Penitenciária de Médio Porte, o Pandinha, já que havia mandados de prisão emitidos em desfavor dele anteriormente. O médico já foi liberado.

Sindicândias

O médico é aposentado do Exército Brasileiro e trabalha há cerca de 20 anos no hospital, onde tem uma sala alugada para consultório. Segundo o proprietário da instituição, o médico será ouvido para maiores esclarecimentos, pois, apesar de ser um consultório particular, ele deve prestar satisfações ao estabelecimento. “Ainda não conversei com ele, é a primeira vez que acontece isso no hospital, desde que foi inaugurado há 26 anos.

Pelo que eu soube, ele pediu ajuda à secretária, para que ela ficasse com a arma. Acho que ele teve uma atitude preventiva, por conta das ações, para que não acontecesse o pior”, disse o proprietário do hospital.

De acordo com a seção de comunicação social do Hospital de Guarnição de Porto Velho, a conduta do médico foi inadequada e o “Exército brasileiro não compactua com esse tipo de atitude”. O órgão afirmou que, por ser militar, o médico tem porte de arma. Ele já é aposentado, mas, segundo o Exército, se estivesse na ativa, responderia a uma sindicância, poderia ser advertido e até ficar preso por 30 dias.

O Cremero ainda não tem conhecimento sobre o ocorrido, mas explicou que a conduta médica deve ser avaliada e provavelmente deve ser aberta uma sindicância. “As partes envolvidas devem ser ouvidas, para saber se houve infração do código de ética por parte do profissional”, disse o vice-presidente do conselho, Cleiton Bach.

Fonte: G1

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