‘Ele foi movido pelo ódio’, diz delegada sobre suspeito de ter queimado rosto de médico com ácido em RO

Um dia depois do ataque com ácido ao médico Gladson Siqueira, de 49 anos, que chegava para o plantão ao Centro de Medicina Tropical de Rondônia (Cemetron), a delegada responsável pelo caso contou ao G1 as primeiras informações sobre a investigação do crime.

Segundo Leisaloma Carvalho, da Delegacia de Homicídios, o crime foi motivado por ciúmes. A mulher do suspeito contou que o agente penitenciário Oziel Araújo Fernandes, de 41 anos, descobriu um possível caso extraconjugal dela com o médico há cerca de seis meses.

Conforme a delegada à frente do caso, a esposa do agente penitenciário foi encontrada polícia horas depois do ataque com as roupas do suspeito em seu carro. A mulher explicou que Oziel chegou ferido em casa, onde ela precisou realizar um curativo no marido, que foi atingido no tórax por um tiro de arma de fogo disparado pela vítima no momento do ataque.

Escondido na casa de um irmão, Leisaloma conta que o agressor decidiu se apresentar por conta própria à delegacia e confessar o crime. Devido aos ferimentos, Oziel precisou receber atendimento médico e não pôde ser interrogado no mesmo dia.

“Não foi uma apresentação espontânea à delegacia. Esse é um artifício muito utilizado por infratores que cometem um crime e se apresentam à Justiça no mesmo momento para poder se esquivar de um eventual flagrante delito. No entanto, o flagrante pode, por lei, não ser realizado e isso não impede a prisão preventiva”, explicou a delegada.

Após os procedimentos legais, o suspeito foi encaminhado ao Presídio Vale do Guaporé, em Porto Velho, destinado a servidores da segurança pública. A delegada do caso explica que a versão apresentada pelo suspeito, de que queria apenas “dar um susto” no médico é questionável.

“O Oziel tenta se eximir de responder por uma tentativa de homicídio triplamente qualificado. Ele agiu por motivo torpe nitidamente por vingança. Ele premeditou o crime ao preparar a substância, diluindo solda cáustica em água dentro de uma garrafa pet. Ele monitorou a vida do médico, não foi um acaso. Testemunhas contaram que ele já estava ali (no estacionamento do Cemetron) há cerca de uma hora”, afirmou Leisaloma.

Para a delegada, Oziel agiu por meio cruel ao utilizar um elemento corrosivo no rosto de uma pessoa. “É tentar causar um sofrimento a mais. Isso não é um susto. Mas ele tem o direito de dar a versão dele, qualquer que seja. Ele foi movido pelo ódio, querendo sofrimento (ao médico)”, disse a delegada responsável pelo caso.

Segundo a perícia e a Polícia Civil, o suspeito também portava uma arma ponto 40 na cintura, usada na troca de tiros com a vítima. As versões dos envolvidos agora serão confrontadas e analisadas durante a investigação.

“Vamos, a partir de agora, individualizara conduta de cada um. O objetivo é esclarecer a real dinâmica do crime e como isso aconteceu”, disse a delegada responsável pela investigação.

Oziel Araújo Fernandes se apresentou à Polícia Civil por volta das 14h da última quarta-feira (6) na Delegacia de Homicídios de Porto Velho.

O que diz o advogado do suspeito

Segundo a defesa de Oziel Araújo, o agente penitenciário está consciente do que fez. Disse ainda que ele procurou pela polícia de forma espontânea. “Infelizmente foi uma atitude descontrolada dele”, disse o advogado Dalton di Franco.

Oziel teria ido ao hospital onde Gladson Siqueira trabalha apenas para conversar com o infectologista, conforme a defesa. Porém, o agente disse ao advogado que foi o médico quem deu início a troca de tiros e que a vítima teria corrido atrás dele.

“Ele (suspeito) atirou para cima duas vezes com o intuito de mostrar ao Gladson que também estava armado. Ele não foi para matar. Queria dialogar com o médico”, complementou Dalton.

Durante a troca de tiros, Oziel ficou ferido. De acordo com a defesa, uma árvore teria “salvado” o agente penitenciário de sofrer mais disparos. “Com isso, ele jogou a soda cáustica contra o médico”, contou o advogado.

Sobre a soda cáustica usada contra o médico, o advogado informou que Oziel comprou o produto no mercado um dia antes do crime. O suspeito queria usar a soda para limpar a calçada de casa. “Mas deu um clique nele que acabou levando no dia”, explicou.

A defesa pontuou que acompanha a recuperação do médico Gladson Siqueira e que aguarda o inquérito do caso ser finalizado pela Polícia Civil e entregue ao Ministério Público, que deve ser concluído em oito dias. “Depois veremos uma linha de defesa. Mas no momento vamos aguardar”.

O caso

O médico Gladson Siqueira ficou ferido na manhã da última quarta-feira (6) depois de ser atacado com ácido, no estacionamento do Centro de Medicina Tropical de Rondônia (Cemetron), em Porto Velho. Ele chegava para o plantão no momento do ataque. O rosto da vítima ficou queimado.

Segundo informações de uma testemunha que trabalha próximo ao local, o suspeito chegou em uma moto, parou ao lado do carro do médico, iniciou uma conversa e jogou ácido na vítima. Nesse momento o médico esboçou reação com sua arma de fogo e o suspeito revidou, dando início a uma troca de tiros. Testemunhas relatam que ouviram de cinco a seis disparos.

No início da noite foi decretada a prisão preventiva do agente penitenciário Oziel Araújo Fernandes, de 41 anos, suspeito de ter atacado o médico. O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil.

Conforme o Conselho Regional de Medicina de Rondônia (Cremero), o estado clínico atual de Gladson é grave. O órgão informou que a vítima teve uma lesão ocular e que a soda cáustica usada no crime também atingiu as vias aéreas do infectologista. Gladson segue internado na UTI de um hospital da cidade.

Na manhã desta quinta-feira (7), alunos de uma faculdade particular de Porto Velho fizeram uma homenagem para o médico, que também é professor do curso de medicina da instituição.

Fonte: G1

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