Em crise, Rolim de Moura tem R$ 22 mi de dívidas e prefeito pede paciência

rolimConhecida como berço político de Rondônia, por ser domicilio eleitoral de três ex-governadores e três senadores, a cidade de Rolim de Moura (RO), também conhecida como a capital da Zona da Mata, vive hoje uma das suas maiores crises financeiras desde a emancipação política, em 1983. Com R$ 22 milhões em dívidas, recentemente vários órgãos municipais tiveram a energia cortada durante uma semana por falta de pagamento. A situação tem gerado reclamação entre moradores e o prefeito, Luiz Shock (PSDB), pede paciência à população.

Para o professor Adailton dos Santos, que reside há vários anos em Rolim, o município necessita de um choque de gestão para entrar nos trilhos. “É preciso uma mudança urgente na forma de administrar o município, tendo em vista que nada funciona como deveria. A saúde é um exemplo claro, a gente quase não usa, mas quando precisa não consegue um atendimento digno. Outro setor crônico são as vias públicas, onde a maioria apresenta graves problemas de conservação, inclusive a rua de minha casa que está cheia de buracos”, revela.

Já o farmacêutico Orlando Ribeiro de Oliveira reclama que o poder público só se lembra da população na hora da cobrança dos impostos. “Primeiro a gente não tem saúde, os postos de saúde não funcionam, o asfalto é precário. Falam que estão combatendo a dengue e todo mundo está ficando doente, mas os impostos continuam sendo cobrados normalmente”, relata.

Em entrevista ao G1, o prefeito Luiz Ademir Schock, conhecido por Luiz do Trento, disse que entende a crítica da população. “Não tenho nada a esconder. A população reclama com razão, tendo vista que a prefeitura de Rolim de Moura não está conseguindo atender as necessidades do município. Até a energia elétrica foi cortada há pouco tempo, por falta de pagamento de contas atrasadas. Essa é nossa realidade”, revela.

Conforme o prefeito, a atual situação do município foi ocasionada devido ao acúmulo de dívidas ao longo dos anos, aliada á uma grande queda na arrecadação.

“Hoje o município tem cerca de R$ 22 milhões em dívidas, que vem sendo negociadas desde as administrações anteriores. Parece muito, mas não é. Quase todos os municípios devem hoje. O problema é que em Rolim de Moura 80% do que e se arrecada vai para folha de pagamento. A gente arrecada pouco mais de R$ 6 milhões livres por mês. Destes, R$ 5 milhões vão para o pagamento dos servidores e cerca de R$ 500 mil são destinados para o pagamento de dívidas. Assim não tem prefeito que consiga administrar a cidade”, explica.

Corte de energia
Sobre o desligamento da energia elétrica em vários órgãos do município, por falta de pagamento de contas atrasas, Luizão esclarece que a situação aconteceu porque ele optou por pagar os salários dos servidores e deixou o débito com a fornecedora de energia sem ser pago.

“Como não tínhamos dinheiro suficiente para honrar os dois compromissos, tive que optar só por um deles e escolhi pagar os salários dos servidores, que já estavam atrasados. Com isso, a conta da energia ficou sem pagar e deu nisso, é uma vergonha, mas foi que pude fazer naquele momento”, expõe.

De acordo com Luizão do Trento, a energia só foi restabelecida após a renegociação de uma divida de R$ 554 mil junto a Eletrobrás Distribuição Rondônia, fornecedora de energia elétrica no estado. Além dessa dívida, a administração municipal paga outro débito de R$ 9 milhões que foi parcelado há 11 anos, em 180 parcelas de R$ 55 mil. Desse montante, já foram quitadas 141 parcelas, restando ainda 39 parcelas a ser pagas, que corresponde a um valor de pouco mais de R$ 2 milhões em débitos ativos, somando a outro parcelamento no valor de R$ 18 mil.

Futuro
O prefeito reafirmou que sabe que a administração municipal está deixando a desejar e pediu paciência  à população, principalmente com os buracos nas ruas que têm prejudicado bastante a trafegabilidade no município.

“Temos projetos para vários setores e devem ser executados nos próximos meses e anos, com recursos federais e estaduais. Porém, a partir de abril vamos dá inicio a uma grande obra de recuperação e implantação de mais de 30 quilômetros asfalto na cidade”, relata.

Arrecadação
Segundo o prefeito, a meta da administração é arrecadar em torno de R$ 11 milhões de divida ativa, e cerca de R$ 6 milhões com o Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU). “Esse ano fizemos mais de oito cobranças judiciais e com a nova lei, quem não pagar suas dividas com órgãos públicos terá o nome negativado. Também lançamos R$12 mil em IPTU e esperamos receber pelo menos a metade. Para resolver a situação do município, é preciso fazer bons projetos e aumentar a arrecadação e é isso que estamos fazendo”, afirma.

Desabafo
O prefeito acredita que a situação de Rolim de Moura era para estar melhor, pois o município tem uma grande força política. “Quase todos os municípios têm problemas parecidos com os nossos, mas Rolim de Moura é diferente. Tudo aqui ganha uma dimensão gigantesca, porque a cidade é o berço político do estado, tendo em vista que já elegeu três governadores, três senadores e hoje é representado por três deputados federais e dois senadores. Por isso penso que se essas forças políticas se unissem em prol do município, nossa situação estaria bem mais confortável”, aponta.

Luizão do Trento assumiu a prefeitura de Rolim de Moura em junho de 2015, depois que empresário Cesar Cassol renunciou o mandato, alegando dificuldades financeiras e falta de apoio político.

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rolim2Fonte: G1

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