Horta orgânica é instalada em presídio para ajudar ressocializar presos em RO

horta1Desde o mês de agosto, uma vez por semana, apenados do regime semiaberto plantam e colhem verduras e legumes dentro da unidade prisional através de um projeto de ressocialização, em Rolim de Moura (RO), na Zona da Mata. Toda a produção é doada para escolas públicas e o hospital da cidade.

Dentro da unidade prisional também foi construído um viveiro de mudas de árvores para arborizar e embelezar a cidade e recuperar áreas degradadas na zona rural.

Além dos benefícios para a sociedade com a oferta de alimentos de qualidade, a iniciativa dentro do presídio já apresenta transformação na vida dos principais envolvidos. Neste ano, todos os reeducandos retornaram para ao presídio após a saída temporária do Dia das Crianças.

Projeto

O projeto foi desenvolvido pelo Conselho da Comunidade, que é composto por membros de entidades públicas e de segurança. O recurso para a execução da ação foi adquirido através de um fundo criado por prestações pecuniárias a Vara Criminal da comarca de Rolim de Moura.

Prestações pecuniárias são penas alternativas, onde o apenado cumpre em liberdade, dando um retorno social em contrapartida ao delito que praticou.

Essa prestação consiste no pagamento em dinheiro para a vítima e dependentes, ou para entidades públicas ou privadas no valor de um salário mínimo a trezentos e sessenta salários mínimos.

Conforme a juíza Cláudia Maciel, da Vara Criminal do município, a criação da horta e do viveiro no presídio sãos os projetos de maiores destaques dos 18 apresentados junto da Vara para pleitear verbas das prestações pecuniárias.

“Desde a resolução 154 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), cada juiz da vara de execução penais passou a ter uma conta unificada para onde essas verbas são depositadas e anualmente ele pode publicar editais de convocações de entidades para apresentar projetos sociais, preferencialmente na área de execução de penas e prevenção de crimes.

Ainda de acordo com a juíza, o sucesso da iniciativa se deve ao esforço e a dedicação de cada membro envolvido.

“Desde quando foi instalado o Conselho da Comunidade, todos os membros têm se dedicado bastante e compreenderam que um conselho bem estruturado e com vontade de fazer a diferença pode surtir efeito na cidade. Isso é muito gratificante, pois elas têm as obrigações delas e se dedicam de forma voluntária ao conselho. O apoio da sociedade é muito importante nesse processo de ressocialização”, aponta.

De acordo com a presidente do Conselho da Comunidade, a professora Ivone Kerber, um conselho formado por pessoas bem comprometidas é uma peça fundamental na ressocialização e na construção de uma sociedade com melhores perspectivas.

“Essa é uma iniciativa muito importante, pois a pessoa se sente útil e surpreso. Já pensou um preso vendo criança se alimentar de algo que ele plantou, então ele não só tira da sociedade, também contribui. Quando ele tem essa consciência planta-se uma semente de melhora e dali para diante pode acreditar que a melhora vem”, expõe.

Divisor de águas

Conforme o diretor do presídio do regime semiaberto, Fabrício Pittelkow, o projeto foi um divisor de águas na unidade, com significativa melhora no comportamento dos reeducandos e no ambiente de trabalho para os profissionais que prestam serviços no local.

“Antes do projeto, tinha-se um aglomerado de apenados ociosos, com isso ocorriam muitas fugas e várias ocorrências administrativas. Era um ambiente muito ruim de trabalhar”, revela.

O propósito do projeto, segundo Fabrício, é combater a ociosidade e inserir o apenado ao mercado de trabalho.

“A gente tem que entender que o reeducando está segredado, mas ele vai voltar para a sociedade, e precisa retornar um cidadão integro não uma pessoa que passou por diversas adversidades durante o cumprimento da pena. Ele voltando integro a chance dele reincidir no crime é muito menor”, revela.

Voluntário responsável

Marcelo Ribeiro de Jesus cumpre pena há sete meses na unidade por roubo e é o responsável pela horta. Ele conta que o projeto transformou a vida dele e dos companheiros dentro da prisão e proporcionou um sentimento de esperança após o cumprimento da pena.

“Esse projeto caiu do céu, pois ficava muito estressado aqui dentro do presídio. Melhorei muito, pois ajudo a desestressar e tira os pensamentos ruins. Para nós que está preso é muito importante ver que os alimentos produzidos por nós estão sendo distribuídos em escolas, hospitais e comunidades carentes”, diz emocionado.

Horta

Depois dos trabalhos de implantação, a horta e o viveiro entraram em funcionamento no mês de agosto. Na horta são produzidos hortaliças e legumes com irrigação e sem agrotóxicos.

Cristina Vergara é agrônoma da prefeitura e presta serviços orientando os apenados com o cultivo das hortaliças e produção de mudas no viveiro.

“Aqui a gente tem uma rotina de trabalho sobre a propagação das mudas e faz esse preparo para que tudo aconteça corretamente. As hortaliças não recebem nenhum produto químico, quando a gente ver que tem algum inseto ou praga nós realizamos um manejo ecológico com caldas de fumo, bordalesa e outros”, explica.

Plantas para embelezar a cidade

O viveiro tem capacidade para 100 mil mudas, e cerca de 40 mil foram plantadas, entre espécies ornamentais e essências florestais.

“As espécies ornamentais como ipês branco, amarelo e cor de rosa, três marias, equisórias e outras serão destinadas para o embelezamento da cidade. Já as essências florestais, como ingá e pata de vaca serão usadas para recuperar nascentes e áreas degradadas em propriedades rurais”, esclarece.

Cerca de 150 apenados cumprem pena no regime semiaberto de Rolim de Moura. A cada três dias trabalhos, os reeducandos têm um dia de redução na pena. Todos os projetos contemplados precisam fazer prestação de contas das atividades para possível renovação no ano seguinte.

Fonte: G1

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