Imigrantes reclamam de falta de água em abrigo de Rio Branco

huguens_rosalvoMoradora de uma casa em frente ao abrigo para imigrantes, mantido pelo governo do estado, em uma chácara na estrada Irineu Serra, em Rio Branco, a dona de casa Adriana Oliveira conta que nesta segunda-feira (22) completou oito dias desde que passou a dividir a água de uma torneira com os vizinhos. No abrigo, imigrantes reclamam que a falta de água tem sido constante.

“Falta água para tomar banho e para beber”, conta o haitiano Vergneau Moise, de 29 anos, e que está no abrigo há seis dias. Ele diz ter enfrentado esse problema diariamente desde que chegou ao local. “Às vezes tem só um pouco, mas sempre temos que ir até a vizinha para abastecer”, reclama.

Vivendo há 15 dias no abrigo, o imigrante Huguens Rosalvo, de 36 anos, também do Haiti, ressalta que só com a ajuda da vizinhança tem conseguido manter a higiene pessoal e hidratar-se. “A vizinha é que está nos ajudando”, diz.

A dona de casa diz não ver problema em deixar que os imigrantes utilizem a torneira em frente à sua casa, já que em sua residência o abastecimento é diário, porém, acredita que deveria haver água no abrigo para todos.

“Por mim eles podem pegar água a vontade, mas deveria ter água para eles lá, pelo menos para tomarem banho e lavar roupa”, diz.

Ela enfatiza ainda que não acha recomendável que os imigrantes utilizem a mesma água para beber. “Isso é agua potável para tomar banho e lavar roupa, mas não para beber. Tem cheiro forte de cloro, ainda têm dias em que está limpa, mas em outros dias parece suco de maracujá, muito amarela”, salienta.

Procurado pelo G1, o secretário de Desenvolvimento Social do Acre, Antônio Torres, disse que ocorreu um problema na rede de distribuição de água, mas que uma equipe já foi destacada para resolver. Ele não confirmou, no entanto, há quanto tempo o problema começou.

“A informação de que está faltando água há uma semana ou mais dias não sei se procede. Até porque, a equipe já teria comunicado e a gente teria providenciado o reparo”, diz.

Ainda segundo ele, carros-pipa foram acionados para abastecer o abrigo. “Foi apenas uma eventualidade. A gente lamenta, mas logo será normalizado”, enfatiza.

Abrigo e rota migratória

O abrigo na estrada Irineu Serra é administrado pelas secretarias de Desenvolvimento Social e Justiça e Direitos Humanos do Acre e recebe imigrantes desde junho de 2014, quando foram transferidos de um outro local montado no Parque de Exposições Marechal Castelo Branco, também na capital. Todavia, entre 2010 e abril de 2014, os imigrantes ficaram em abrigos montados na cidade de Brasiléia, distante 232 km da capital acreana.

O Acre é, desde 2010, porta de entrada para estrangeiros que desejam entrar no Brasil. A rota que passa pelo Equador, Peru e pelas cidades acreanas de Assis Brasil, Brasiléia e Epitaciolândia, foi iniciada por imigrantes haitianos que desejavam refazer suas vidas, após um terremoto que devastou Porto Príncipe. Porém, atualmente também é utilizada por pessoas de outros países, incluindo República Dominicana, Senegal e Nigéria.

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