Infestação de mosquitos afeta distritos de Porto Velho

mosquitoHá algumas semanas, moradores dos distritos de Porto Velho têm reclamado de infestações de mosquitos. Os locais mais afetados, segundo os residentes, são os assentamentos Joana D’Arc até os distritos de Ponta do Abunã.

A possível causa para a infestação pode ser uma mudança no habitat dos insetos. É o que revela a bióloga Cleópatra Caldeira, doutoranda do Centro de Estudos de Biomoléculas Aplicadas à Saúde (CEBio) da Universidade Federal de Rondônia (Unir) em parceria com a Fiocruz Rondônia. “As infestações de mosquitos na nossa região tornaram-se comuns, devido as alterações ambientais causadas pelo homem, que associado à ecologia reprodutiva do mosquito, amplificam sua proliferação no meio”, explica. Cleópatra afirma ainda que o período de chuvas, típicas da região amazônica, combinadas com o calor da época, fazem com que pernilongos, muriçocas ou carapanãs tenham a reprodução amplificada. Outra afirmação é a de que o “calor favorece o processo reprodutivo dos mosquitos, fazendo com que as fêmeas coloquem mais ovos, além de eclodirem mais rápido em altas temperaturas”.

No entanto, a bióloga afirma que a reprodução desenfreada pode ser relacionada com a intervenção do homem no meio ambiente. “Geralmente, estes desequilíbrios [sentidos nos distritos de Porto Velho] são causados por ações humanas, ligadas a modificações desordenadas do meio ambiente”, revela. A bióloga declara que a falta de um planejamento sustentável, ocasionando uma mudança drástica no habitat dos mosquitos, pode levar a um desequilíbrio ambiental a longo prazo. Para ela, os sintomas sentidos pelas localidades de Porto Velho estão realmente relacionadas a um desequilíbrio do gênero.

OPERAÇÃO DA SEMUSA CRIA AÇÕES DE CONTROLE

A Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) organizou uma operação em parceria com o consórcio responsável pela construção das hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau. Segundo o vereador Jurandir Bengala, que reside no distrito, as ações já apresentaram melhora no quadro. “Melhorou um pouco com o fumacê passado pela secretaria e também pela limpeza que foi feita nos córregos da região”, conta o vereador.

No entanto, Bengala ainda afirma que a situação da região de Joana D’Arc continua catastrófica. “Muitas famílias do distrito têm ido embora porque a situação por lá está insustentável. É muito mosquito, não tem como aguentar”, informou.

De acordo com o vereador, a situação tem gerado um êxodo rural, de pessoas que estão migrando para o perímetro urbano de Porto Velho para escapar da infestação. “As comunidades hoje vivem algo inusitado que nunca ocorrera antes. E olha que estamos falando de populações que vivem na mesma região há mais de 50 anos. É um verdadeiro caso de saúde pública que está exigindo um esforço concentrado do poder público e da iniciativa privada”, comentou Bengala.

Mesmo com a parceria entre órgãos públicos e privados, a Saneamento Ambiental Projetos e Operações (Sapo), empresa que monitora as áreas alagadas pela bacia da Santo Antônio Energia, informou que faz controles e estudos apenas de mosquitos que possam transmitir doenças. De acordo com a empresa, as infestações de mosquitos nos distritos afetados são de insetos que não representam riscos de adoecer a população.

DICAS PARA AMENIZAR A INFESTAÇÃO

Enquanto o problema da grande infestação não é resolvido, a bióloga Cleópatra aconselha que, para amenizar a infestação de mosquitos de maneira sustentável sem prejuízos para as comunidades ribeirinhas e aos mosquitos, recomenda-se manter as portas e janelas das residências fechadas ou com telas de proteção. Ela ainda avisa sobre a importância do uso de moqueteiros durante a noite e a pulverização natural com plantas.

De acordo com ela, a lavanda, a hortelã, o manjericão e a citronela funcionam como repelentes naturais de mosquitos. “Pode-se também utilizar óleos dessas plantas na pele para afastar os mosquitos. O uso de repelentes químicos deve ser feito em último caso, pois esses produtos contem reagentes químicos como o piretróide, que provoca alergias”, alerta. Segundo Cleópatra, os mosquitos também ganham resistência a repelentes químicos de forma muito rápida, tornando os produtos ineficientes. A doutoranda ainda revela que a partir do momento em que se adentra florestas e se modifica a paisagem natural de forma planejada técnica e sustentavelmente, causa-se grandes alterações no ecossistema.

Fonte: Diário da Amazônia

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