Médico vai embora após passar mal em pronto-socorro e pacientes ficam sem atendimento em hospital de RO

hr vilhenaPacientes ficaram sem atendimento no Pronto-Socorro (PS) do Hospital Regional, durante a madrugada deste sábado (27), em Vilhena (RO), a 700 quilômetros de Porto Velho. De acordo com a direção da unidade, o único médico que atendia no PS teve que deixar o plantão após passar mal.

A direção do hospital admite que o número de médicos da unidade é insuficiente para atender a demanda. No entanto, ressalta que profissionais aprovados, em um recente processo seletivo, não têm assumido as vagas.

Conforme pacientes da unidade hospitalar, o pronto-socorro ficou sozinho neste sábado depois que o único médico de plantão passou mal. Como o profissional precisou ir embora, todos as pessoas ficaram sem atendimento e voltaram para casa.

É o caso da estudante de ciências contábeis Andréia Daiane da Silva, de 32 anos. Ela contou ao G1 que chegou ao Hospital Regional às 20h de sexta-feira (26) e saiu às 2h30 deste sábado, sem atendimento médico.

Ela disse que sentia fortes dores abdominais e que voltou para casa com os mesmos sintomas.

“Disseram para gente que o médico deixou o plantão, e não tinha médico para nos atender. Foram mais de 20 pessoas sem atendimento, inclusive crianças e idosos. Creio que tem algo muito errado. A saúde é essencial ao ser humano. Como uma pessoa sem condições financeiras faz sem atendimento público?”, questiona.

A babá Noimy Evelin, de 17 anos, também procurou o PS durante a noite, por causa de problemas na coluna. Ela ficou em observação e recebeu alta na manhã deste sábado.

“Antes de sair, o médico antedeu eu e mais uma criança com febre, ao mesmo tempo. Ele nos atendeu tomando soro, como um paciente também. Ele parecia estar muito cansado”, lembra a jovem.

O diretor do Hospital Regional, Wagner Borges, explica que o ideal é que quatro médicos atendam durante o dia no PS, e três à noite. Por causa do déficit na unidade, a prefeitura abriu processo seletivo para a contratação de médicos, em fevereiro deste ano, porém, os profissionais aprovados não têm assumido as vagas.

“Hoje estamos com números insuficientes de médicos no Hospital Regional e esse quadro se agrava só no Pronto Socorro. No PS, os médicos cumprem uma carga horária de 24 horas, seis plantões mensal e fazem cinco extras. Havendo uma resolução que eles não podem ultrapassar esses 11 plantões, fica descoberto no final do mês; é o que está acontecendo agora”, justifica.

O diretor reconhece que mais de 20 pacientes não receberam atendimento médico durante a madrugada, mas salienta que pessoas em estado graves foram consultadas.

“O médico do plantão passou mal, foi medicado e o colega da UTI se responsabilizou, caso chegasse um caso grave”, enfatiza.

Borges ainda ressalta que na triagem dos pacientes foi constatado que muitos deles precisavam de atendimento ambulatorial, ou seja, que poderiam ter procurado os postos de saúde. “As pessoas deixam para procurar o hospital à noite, pois o atendimento é mais rápido e acabam sobrecarregando a unidade”, diz.

O diretor afirma que uma reunião marcada para este sábado, com o secretário de saúde do município, Marcos Aurélio Vasques, deve definir as providências para minimizar ou resolver o problema no PS da unidade.

hr vilhena1Fonte: G1

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