Mesmo com água na porta, morador de RO diz que não vai deixar casa

moradorCom cinco filhos, Mizael Leão da Silva, de 39 anos, que é aposentado devido a um acidente de trabalho, viu sua casa inundar em 2014 na cheia histórica do rio Madeira. Morador do bairro Nacional, lugar conhecido como Beco da Ponte, após quase um ano, voltou para casa há 15 dias e, mais uma vez já vê a água na porta do imóvel. Ainda assim, acredita que este ano não haverá enchente como no ano passado. Segundo a Agência Nacional das Águas (ANA), o nível do Madeira subiu 39 centímetros do último sábado (21) para o domingo (22). Às 7h de domingo, o rio marcou 16,31 metros e, no mesmo horário no dia anterior, o nível registrado foi de 15,92 metros.

O igarapé – córrego que recebe água do Madeira – que já subiu e está próximo à escada de acesso da residência não assusta Mizael. Em 2014, a água chegou perto do telhado da casa e fez com que o morador abandonasse o local, com a esposa grávida e os outros quatro filhos. A família foi para a casa de uma sobrinha no bairro São Sebastião 2. “Tive prejuízos ano passado, perdi guarda-roupa, cômoda, ferramentas, cama e documentos, além de estar com minha esposa com gravidez de risco”, lamenta.

Além dos prejuízos, o morador reclama que no ano passado não recebeu ajuda da Defesa Civil para se mudar. “Desde cedo liguei para a Defesa Civil e eles disseram que estavam ocupados. Aí liguei para meu primo que me ajudou, pois sofri um acidente de trabalho e não posso fazer força. Quando deu 23h, conseguimos nos mudar para a casa da minha sobrinha”, conta.

Após 15 dias, a família deixou a casa dos parentes e foi para um abrigo na escola John Kennedy, onde permaneceu até o mês de maio. Com a liberação do auxílio aluguel, Mizael deixou o abrigo e alugou uma casa na Zona Leste de Porto Velho , onde morou até este mês.

Apenas este ano, há quinze dias, a família de Mizael conseguiu voltar para a casa diz que agora não quer se mudar, mesmo que a prefeitura conceda um apartamento destinado aos atingidos pela cheia. “Aqui meus filhos brincam, dentro de um apartamento é muito pequeno. Eu não sou macaco para morar trepado, são uns apartamentos que não têm espaço. Além de estar nessa novela que iriam entregar desde o ano passado e não entregaram até hoje”, reclama.

Procurado pelo G1, o secretário municipal de Programas Especiais e Defesa Civil, Vicente Junior, não quis se pronunciar sobre o caso e nem respondre as declarações de Mizael.

Fonte: G1

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