Moradores resistem e esperam que Rio Madeira não supere cheia histórica

cheiaÀs margens do Rio Madeira, moradores da rua José Camacho e Herbert de Azevedo, Zona Central de Porto Velho, veem a água praticamente bater à porta. E ela está cada vez mais perto: só de terça-feira (3) para quarta-feira (4), o nível subiu 12 centímetros, atingindo a marca de 15,62 metros, segundo a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM). Mas, ainda assim, os moradores torcem para que a cheia histórica, como a que aconteceu em 2014, quando o rio chegou à marca de 19,74 metros, não se repita.

No ano passado, oito famílias foram atingidas na rua José Camacho e ficaram desabrigadas. A maioria já retornou para casa e agora, com a possibilidade do cenário se repetir, as opiniões se dividem, seja em argumentos científicos ou empíricos. Na maioria dos casos, memórias e apego ao local onde moram são as principais causas para o retorno e a resistência em ficar.

É o caso de Oneide Barroso, que, aos 64 anos, dedicou 15 anos para a casa que tem o manancial como quintal. A idosa foi uma das atingidas. Perdeu armários, sofá e guarda-roupa. Segundo ela, a Defesa Civil demorou para atender o pedido de mudança e a moradora ficou muito abalada ao ver tanta água. “Ano passado, a ponte já estava coberta de água nessa mesma época, porque nós saímos em fevereiro. A casa inundou muito rápido. Em todos esses anos, não lembro de nenhum evento igual”, relata.

Para Oneide, a causa da enchente não pode ser explicada. “Eu não tenho estudo para dizer o que aconteceu, mas acho que não foram as usinas, mas sim o derretimento da geleira lá na Bolívia, não é? Quando soltaram a água, não teve como segurar”, palpita.

Mesmo com o drama vivido, a idosa voltou para o imóvel, reformou a casa, pintou e arrumou cerca de 30 telhas. “Sou apaixonada por isso aqui, a gente briga para ninguém tocar nessas árvores. Não tive medo de voltar. Se a água chegar, eu saio e volto de novo”, diz a dona de casa que já deixou estabelecido aos filhos que não sairá do local que considera a vida.

“Não perdi tudo porque o importante é estar na minha casa. Todos os anos a água chega na porta da casa, mas ano passado o rio subiu e deixou marcas na parede. Nada vai acontecer esse ano”, idealiza Oneide, complementando com a previsão pessoal de que o Rio Madeira não encherá como no ano passado.

O vigilante Alex Moura, que mora há 30 anos no final da Herbert de Azevedo e vê da varanda de casa três réguas de medição do rio, concorda que as águas não devem subir tanto novamente. O morador não foi atingido em 2014, mas foi por pouco. “Ficamos mesmo com o perigo de desbarrancar. Ainda não vieram fazer perícia ainda não e pararam de dar aluguel social. Na época da enchente também ficamos sem água. Mas estamos aqui”, conta.

Já o morador Genival Sabugosa, que se considera filho do Madeira por ter pais ribeirinhos, pensa diferente. Para ele, o rio está subindo rápido. No entanto, ainda não saiu de casa porque a água não chegou onde ele mora. “Moro aqui há 11 anos e nunca aconteceu. As pessoas que voltaram para suas casa é porque não têm opção e esperam que o rio não suba”, avalia.

O padeiro Vanderson Grande, que mora na mesma rua de Oneide e foi afetado no ano passado, também teme uma nova cheia. Segundo o morador, o solo fica frágil e cada dia mais a água sobe. “A gente volta não é por não ter onde morar, mas porque a casa é nossa. Esse é nosso lugar. Nós voltamos com a expectativa de que não vai mais alagar”, finaliza.

Fonte: G1

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