‘Ou compra comida ou paga água e luz’, diz trabalhadora após auxílio emergencial sumir da conta em Porto Velho

PORTO VELHO – A chefe de cozinha Leir Figueiredo França perdeu o emprego por causa do novo coronavírus e encontrou no auxílio emergencial uma alternativa para minimizar as dificuldades durante a pandemia. Mas após ser vítima de um golpe, Leir não sabe como vai pagar as contas de casa.

Auxílio emergencial foi debitado da conta de chefe de cozinha em Porto Velho — Foto: Caixa Tem/Reprodução

Em entrevista ao G1, Leir afirma que recebeu normalmente a primeira parcela do auxílio via conta corrente, mas teve a segunda parcela debitada do aplicativo “Caixa Tem” antes de ter acesso de fato ao benefício.

Leir procurou a Caixa Econômica e foi orientada a fazer um boletim de ocorrência para registrar o crime. Na delegacia, ela diz não ter tido uma resposta animadora, pois foi informada que esse tipo de investigação é muito demorada.

“E como a gente fica? A gente que tá sem trabalho precisa desse auxílio. As contas ficam todas atrasadas. Não dá pra usufruir do dinheiro nem pra comprar comida. Ou compra comida ou paga as contas de água, luz, internet e essas coisas”, diz.

Antes de descobrir a fraude, Leir recebeu mensagens de texto no celular aparentando que outra pessoa estava gerando um código de ativação no aplicativo “Caixa Tem”. Como não havia solicitado o serviço, apenas ignorou os recados de SMS.

“Mas depois que também roubaram o dinheiro do meu cunhado do Caixa Tem eu fiquei preocupada e com medo de que quando o meu caísse já pegassem também. No dia que deveria cair a segunda parcela eu acordei cedo para entrar no Caixa Tem e poder transferir o dinheiro, mas quando fui ver já tinha acontecido [o golpe]”, explica Leir.

Questionada, a Caixa Econômica Federal informou ao G1 que a área de segurança do banco realiza o monitoramento e mapeamento de ocorrências, em colaboração com os órgãos de Segurança Pública para coibir fraudes.

E acrescentou que o banco disponibiliza orientações de segurança em seu portal da internet e em suas agências com o objetivo de alertar os clientes quanto a golpes, seja por e-mails spam, sites falsos ou por telefone.

Conforme a Caixa, contestações de saques podem ser formalizadas pelo beneficiário prejudicado, em qualquer agência. “Após análise, nos casos em que for comprovado eventual saque fraudulento, o beneficiário será ressarcido”.

Até a publicação desta reportagem Leir diz não ter recebido resposta da Caixa referente ao ressarcimento do valor perdido.

“Como que eu fico para receber a terceira parcela? Será que o bandido vai lá pegar de novo?”, indaga a trabalhadora.

O Caixa Tem funciona como o aplicativo de qualquer outro banco. Por ele, a pessoa que recebe o auxílio emergencial de R$ 600 pode consultar saldo, extrato, fazer transferências e pagamentos.

O caso da moradora de Porto Velho não é único. Na semana passada, o JN mostrou que outras dezenas de brasileiros compartilham do mesmo drama.

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