Pacientes com câncer fazem protesto e cobram pagamento de casa de apoio

cancerUm grupo de pacientes do Amapá com câncer que corre o risco de ser despejado da casa de apoio San Remo, em Belém, no Pará, cobrou na manhã desta quinta-feira (27) o pagamento de sete meses de atraso dos recursos para o local, que somam R$ 651 mil. Os pacientes, que vieram da capital paraense, marcharam na Avenida FAB, no Centro de Macapá. A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) responsável pelo contrato com a casa de apoio ainda não se manifestou sobre o assunto.

Airton Pereira, responsável pelo San Remo conta que após o primeiro manifesto na quarta-feira (26) não teve respostas sobre o pagamento total da dívida, e diz só ter que despejar os pacientes por não ter mais recursos próprios para mantê-los. É a segunda vez, segundo ele, que o Governo deixa de repassar a verba do contrato com a San Remo, sendo necessário um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) para o pagamento dos serviços.

“Não é da minha vontade deixar essas pessoas a própria sorte em Belém, mas não tenho escolha, já me endividei muito esperando esse pagamento da Sesa e até agora nada. Usei meus cartões de crédito para comprar comida e hoje os fornecedores não querem me vender mais. Não são pessoas comuns, são doentes de câncer”, disse.

A paciente Rúbia dos Santos, de 34 anos, que passa por tratamento em Belém, participou do protesto e pede pela manutenção da casa de apoio para os amapaenses. Ela revela que se desloca todos os meses entre as duas cidades e tem apenas a San Remo como local de hospedagem.

“Se eu for despejada seria pouco, corro o risco de sair de casa e voltar sem cura, quem sabe até morta. O dono não tem mais condições de sustentar a gente, e nem tem obrigação pois tem um contrato todo mês para ser pago. E essa dívida foi aumentando, aumentando e hoje não tem mais comida, coisa que nunca havia faltado por lá. Nunca tive motivos para reclamar, pelo menos até agora”, lamenta Rúbia.

A manifestação ganhou apoio em Macapá do Instituto do Câncer Joel Magalhães (Ijoma), que realiza trabalho semelhante no amparo a doentes. O presidente do instituto, padre Paulo Roberto, critica a falta de assistência do poder público, e em caso de despejo antecipa uma piora no estado dos pacientes.

“O psicológico em qualquer doença é fundamental, ainda mais no câncer. Imagina se alguém que tem um tumor maligno convive todos os dias com a agonia de ser despejada ou não, de ter que ir para a rua. Viver como um mendigo, lamentável”, diz.

Fonte: G1

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