Pacientes com epilepsia reclamam da falta de remédios na farmácia básica de Vilhena, RO

“Já fui na farmácia básica várias vezes, mas nunca tem meu remédio. A gente precisa tirar dinheiro da comida ou das coisas das crianças para comprar”, lamenta Daiane Alves Lourenço, de 30 anos, desempregada e mãe de três crianças. Daiane sofre de epilepsia e, assim como ela, vários pacientes reclamam que há meses faltam medicamentos na farmácia básica de Vilhena (RO), na região do Cone Sul.

Daiane foi diagnosticada com a doença ainda criança. Nesta quarta-feira (7), ela fez consulta médica e o neurologista aumentou a dosagem da medicação. “Se antes gastava R$ 47, agora vou gastar quase R$ 100. Já cheguei a ir na cidade vizinha para consultar e poder pegar os remédios. É muito difícil”, relata.

A aposentada Regina Destro, de 59 anos, sobrevive com a renda de um salário mínimo. Ela também sofre da doença desde criança, toma dois tipos de remédios por dia, e diz que todas as vezes que vai à farmácia, é informada de que não há os medicamentos.

A autônoma Joseane Botelho, de 47 anos, explica que cuida do irmão, de 42 anos. O paciente foi diagnosticado com epilepsia em 2011 e, desde então, precisa tomar remédios regularmente. “Se ele não toma o remédio, ele convulsiona. Tem uma crise atrás da outra. Toda vez que vou na farmácia básica, não tem o remédio dele. A gente se sente desamparada”, conta.

O neurocirurgião Josué Guimarães explica que a epilepsia é uma lesão no cérebro, que pode ser provocada por predisposição genética ou por traumas em qualquer período da vida. Ele ressalta que a doença é crônica e não tem cura.

O paciente precisa tomar remédios por toda a vida. “As convulsões são bastante limitantes, mas com o controle, o paciente pode levar uma vida praticamente normal. A inteligência não é afetada pela epilepsia, então ele pode estudar, se desenvolver normalmente. Sem o medicamento, pode ter crises que vão limitá-lo mais ainda, e colocá-lo em situações de risco”, explica o médico.

Através de nota, a prefeitura informou que realizou, nesta semana, um pregão eletrônico para compra de medicamentos controlados. A previsão é que os remédios sejam entregues em 20 dias.

Na nota, a prefeitura ainda ressaltou que “desde que a atual gestão assumiu, os medicamentos estavam em falta. A partir de então, a administração está trabalhando para elaborar atas de registro de preço, liberar orçamento e atualizar o sistema informatizado da secretaria para agilizar processos como esse. O problema não deve se repetir mais, agora que os trâmites burocráticos foram sanados”.

Fonte: G1

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