Pais madrugam em escola por vagas

Fundada em fevereiro de 1953, a Escola Murilo Braga passou por uma reestruturação e ganhou uma nova forma. A obra da Murilo Braga entrou em fase de construção em 2011, por determinação do governador Confúcio Moura. Inaugurada em dezembro do ano passado, o novo prédio foi entregue à população com dois pisos, 12 salas de aula, uma quadra poliesportiva, refeitório, laboratórios de ciências, artes e de informática, auditório, camarim, consultório, biblioteca e salas para direção, secretaria, psicologia, avaliação física, reuniões, supervisão e coordenação pedagógica.

A Escola Murilo Braga é considerada um modelo arquitetônico referencial para as futuras construções de escolas, inclusive, o governador Confúcio Moura manteve os antigos “arcos” como forma de preservação do patrimônio histórico e cultural de Porto Velho. A escola é politicamente sustentável e planejada como exige as políticas ambientais. A quadra está no segundo piso e será usada para as atividades físicas de classe. No terceiro andar fica o auditório com espaço para 100 alunos, com cadeiras confortáveis para os eventos promovidos pela classe estudantil.

Pais acampam para conseguir uma vaga em escola modelo

Diante de uma escola com tantos atributos, muitos pais e alunos de diversos bairros da capital rondoniense acamparam na frente da escola desde sábado, porém, o movimento ficou mas intenso na madrugada de terça-feira para quarta-feira, a fim de conseguir uma vaga na nova escola. De acordo com os dados da Coordenadoria Regional de Educação (CRE) de Porto Velho, o período de transferências de crianças e jovens entre escolas da rede estadual tiveram início na manhã de ontem e vão até o dia 15 de janeiro. A secretária de Estado da Educação, Fátima Gavioli, orienta que os pais procurem a unidade escolar mais próxima de sua residência para que não haja filas e tumulto durante a chamada. “Alguns pais moram em um determinado bairro, no entanto eles têm o desejo de matricular o filho em uma escola central. Isso, sem dúvida, vai dificultar o trabalho durante a chamada”, alerta.

Segundo a diretora da escola, Josenice Johnson, a Instituição de Ensino é conhecida pelos programas de enfrentamento contra a violência e contra as drogas. “Os pais hoje em dia procuram por um local seguro para os seus filhos, um lugar que saiba que além do ensino, possa proporcionar aos seus filhos mais qualidade de vida, seja através do esporte, da música ou da informática, e isso nós do Murilo Braga possuímos”, afirmou Johnson.

Ensino pode fazer a diferença no futuro

Entre um dos pais que passaram a noite na escola, está o operador de máquinas Francisco Dias que mora com um filho de 13 anos na zona Leste de Porto Velho. O operador relata que ambos acreditam que as condições de ensino oferecidas em uma escola modelo com a Murilo Braga podem fazer a diferença no futuro do jovem. “Em uma escola tão bem feita assim, tenho certeza que meu filho receberá a melhor educação do Estado. Lá na zona Leste a gente observa outras condições de ensino. Mesmo sabendo que a escola não tem vagas para alunos de outras localidades resolvi arriscar”, diz Francisco.

escolaA comerciante Maria de Lurdes, que reside há pouco mais de dois anos na zona Sul da capital, conta emocionada que sonha em ver a filha na escola em que concluiu seus estudos. “Eu estudei meu Ensino Médio no Murilo, foram anos maravilhosos. Posso afirmar que tive os melhores professores daquela geração. Ao passar dos anos ela foi ficando abandonada, de lado. Mas depois dessa reestruturação, qualquer noite de sono perdida é válida para conseguir uma vaga. Fui informada que não há mais vagas, meu coração ficou apertado, pois eu ficaria muito feliz em ver minha filha estudando no Murilo, como já estudei”, expõe Lurdes.

Apenas 400 vagas foram abertas para este ano

De acordo com Arlete Kalki, secretária da escola Murilo Braga, a escola foi construída para atender 936 alunos, no entanto, 536 alunos já são da escola, restando assim, apenas 400 novas vagas, para alunos da 6ª série do Ensino Fundamental, até o 3º ano do Ensino Médio. “Hoje nós entregamos apenas a declaração de vaga, e com esse documento em mãos os pais têm três dias para comparecerem até a escola para realizar a matrícula, se nesse período o pai ou responsável não comparecer a escola, o aluno perde automaticamente a vaga”, informou Arlete.

A direção da escola, informou que até o momento todas as vagas já foram preenchidas e que só após esse prazo de 3 dias, é que será realizado um levantamento de vagas existente, caso os pais não compareçam à instituição de ensino. “Esses pais de alunos que acamparam na frente da escola, são pais que têm os filhos matriculados em outras escolas públicas, então é preciso que haja consciência por parte dos pais, e procurem de fato a escola mais próxima de sua casa. Porque a demanda é grande, claro que seria maravilhoso se pudéssemos atender a todos, no entanto, não é possível. Mas uma coisa podemos afirmar, nenhuma criança ficará sem estudar por falta de escola. Vaga existe, porém, nem sempre na escola que os pais desejam, mas vamos atender a todos, esse é um compromisso do estado”, concluiu a diretora.

Fonte: Diário da Amazônia

Deixe o seu comentário