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PRESTAÇÃO DE CONTAS DA VEREADORA MARIA SIMÕES…

Pelo segundo ano consecutivo de seu mandato, a vereadora Maria Simões organizou sua prestação de contas em um gesto raro, mas merecedor de grande louvor. O evento aconteceu nesta quarta-feira, na Câmara Municipal, e contou com a presença de um bom número de pessoas. Até nisso a vereadora conta com um diferencial. Em geral as pessoas cobram, mas não se animam muito a ir a eventos onde os raros políticos resolvem prestar contas do que fazem. Mas a vereadora realmente conta com elevado prestígio e apesar de uma tarde que começou chuvosa, muitas pessoas acorreram à Câmara Municipal para ver o que ela tinha a dizer.

Eu mesmo fui ao evento, mas como não havia participado da primeira prestação de contas dela, pensei tratar-se daquele evento onde o político fala apenas o que lhe é conveniente e omite o que não lhe interessa. Ou seja: em geral, eventos de prestação de contas são uma chatice. Mas fiquei surpreso que o evento promovido pela vereadora foi bem interessante, descontraído e, sobretudo, organizado. Ela realmente fez um balanço de suas ações, mostrou quanto seu gabinete gastou com salários e diárias e não fez, como muitos, a clássica desculpa de que ganha pouco pelo muito que faz. Pelo contrário, ela disse que faz o seu trabalho por amor à causa que abraçou, mas também falou que a remuneração que recebe é um incentivo para que faça a coisa certa e procure justificar o seus proventos com muito trabalho e dedicação. “O que eu ganho – disse a vereadora – é satisfatório o suficiente para eu me dedicar apenas ao povo de Cacoal e não querer o que não é meu”. Em outras palavras, ela deu uma bofetada nos políticos que além de seus salários também fazem composição com grupos – seja de que natureza e origem forem – para fazer fortunas.

No final, a vereadora deu oportunidade para que qualquer cidadão, exercendo o seu direito, também fizesse sua manifestação, inclusive para cobrar outros detalhamentos. Os que usaram a palavra elogiaram o seu gesto corajoso em atuar com firmeza na defesa de seus ideais e convicções.

RESUMO DA PRESTAÇÃO DE CONTAS

Claro que não vou colocar aqui tudo o que foi dito na reunião e nem enumerar todas as ações da vereadora. Acredito que ela e sua assessoria irão elaborar um documento final e publicá-lo na imprensa escrita e em meios eletrônicos. Farei, contudo, uma pincelada nos principais tópicos.

A vereadora abordou, sobretudo, suas ações de fiscalização e combate à corrupção. Falou que seu mandato não se limitou a fazer indicações, embora também tenha feito muitos desses documentos cobrando melhorias na iluminação pública, infra-estrutura urbana, melhorias na educação, saúde, etc.

O forte de seu mandato foram as ações de fiscalização. Ela falou sobre seu olhar atento aos projetos enviados pelo poder executivo que, em sua visão, não atendiam ao conjunto da sociedade, mas apenas interesses de pequenos grupos, especialmente de gente ligada ao poder. Entre esses projetos ela citou o caso da tentativa de se distribuir combustível a terceiros, vigilância em residência de governantes mas utilizando funcionários públicos para tal, etc. Ela também citou o caso de leis que foram enviadas à Câmara que contrariavam os interesses da classe trabalhadora e citou a perseguição que sofreu por defender a sociedade e por não aceitar que a sujeira fosse para debaixo do tapete.

A vereadora contou também o quanto essas suas ações têm lhe custado, pois os que têm interesses contrariados estão o tempo todo procurando desqualificá-la e citou o caso absurdo e ditatorial do pequeno grupo que hoje comanda o PT com mãos de ferro e tenta intimidá-la com ameaças de expulsá-la do partido que ela ajudou a construir na cidade.

Maria Simões disse que se orgulha de ser filiada ao PT, mas está envergonhada com alguns dirigentes do partido que não agem de acordo com os princípios democráticos que o partido sempre pregou. “Como qualquer partido, tem gente boa e gente ruim no PT e isso é da natureza humana. Mas eu nunca esperava ser perseguida por pessoas que sempre pregaram a ética, a moral e conduta exemplar de vida, justamente em retaliação por eu defender os interesses da sociedade e o combate, sem trégua, à corrupção”, disse a vereadora em entrevista à imprensa.

A vereadora esclareceu, no entanto, que o grupo do PT que a persegue e tenta desqualificar o seu trabalho não é maioria, embora detenha o comando do diretório. “Muitos companheiros sequer puderam estar hoje presentes nesse evento por medo de perseguições. Alguns trabalham na Prefeitura e tem suas famílias para cuidar e, portanto, é natural que tentem a discrição por medo, mas o que me conforta é que estão comigo, me apóiam e me dão força para seguir o meu trabalho firme”.

Maria Simões disse, ao final de sua apresentação, que não é perseguidora desta administração, como seus críticos dizem, mas ao cobrar apuração dos indícios de irregularidades quer apenas separar o joio do trigo e validar as ações das pessoas que são realmente corretas. “As pessoas de bem deveriam ser as primeiras a querer uma ampla e irrestrita investigação para que as dúvidas fossem sanadas e a população fosse bem informada.

Quando alguém não quer que algo seja investigado dá margem para que se suspeite de que tenha algo que quer esconder. Eu sempre preguei a transparência e sempre vou exigir que suspeitas sejam apuradas. Não quer dizer que vamos sair por aí culpando todo mundo. Pelo contrário, tenho o maior respeito por aqueles que, cumprindo com o seu papel de funcionário público, exercem o seu trabalho com dignidade. As pessoas de bem não devem temer, pois a aplicação da lei e da ordem pública é para o bem de todos”, concluiu.

O QUE EU PENSO…

Muitos atores políticos, buscando respaldo popular, usam em suas estratégias de marketing o slogan de que agem sob um jeito novo de fazer política, mas apenas tentam colocar remendos novos em peças de panos rotos. Não é o caso da vereadora Maria Simões e sua brilhante atuação no campo político. A vereadora fez um compromisso com a sociedade, quando candidata, e leva esse conjunto de promessas a sério. O esteio de suas ações políticas é cumprir o seu limitado papel de legisladora, ampliando suas ações para o campo da fiscalização de ações administrativas e gerenciais dos gestores públicos do município, o que inclui, mas não se limita a este, fiscalizar os atos do prefeito Municipal, que, para surpresa dos acostumados à velha política, pertence também o seu partido, o PT.

No jeito velho de fazer política o que predomina é o compadrio político, o jogo de conveniência plena e uma proteção, a qualquer custo, aos que são do mesmo partido, não importa quão graves sejam os indícios e suspeitas. Maria Simões, até aqui, tem sido uma grata surpresa. Não por que faz oposição, pois isso, do ponto de vista da população, não é realmente o que importa. Oposição por oposição é algo que não ajuda em nada. O verdadeiro político tem que olhar uma série de fatores e avaliar os interesses da população e acredito, em minha modesta opinião, que a vereadora sintetiza tudo isso. Ela não faz oposição apenas para se divertir e irritar a contraparte. Ela faz oposição àquilo que contraria interesses da sociedade, mas também não deixa de exercer o seu papel de apoiar as ações que visem o crescimento do município, tenham elas partido da iniciativa do prefeito ou não. Só a título de esclarecimento, quando eu falo do limitadíssimo papel de legisladora da vereadora estou me referindo ao papel limitando que tem todos os vereadores, pois o protagonismo legislativo vem de cima para baixo e, no topo, estão as leis federais e, na seqüência, as estaduais. Compete aos vereadores apenas aprovar leis menores, embora estas também sejam importantes, se cumpridas e bem executadas. Quando eu falo também que apoio as investigações não estou atribuindo culpa ao prefeito e a nenhum de quaisquer de seus secretários. Apenas digo que, havendo suspeitas, os fatos devem ser apurados e apenas os culpados é quem devem pagar. Quem não deve, não tem que temer. Ou, pelo menos, não deveria. Quando um inocente paga por algo que não cometeu a sociedade tem de se mobilizar e denunciar, pois o que todos apoiamos é a Justiça e não a INJUSTIÇA.

ORÇAMENTO DO MUNICÍPIO DOBROU EM RELAÇÃO AO ÚLTIMO ANO DO MANDATO DE SUELI ARAGÃO

Durante o evento de prestação de contas da vereadora Maria Simões, o vice-presidente da Associação Beneficente São Daniel Comboni, Salim Younes, elogiou o seu trabalho e disse que realmente é necessário que os vereadores cobrem mais ações do Poder Executivo em favor da população. “Quando se fala com os que apóiam os atuais governantes do Município, a desculpa deles é que as pessoas não querem enxergar o muito que se está sendo feito. Mas será que tais pessoas ao menos foram em outros municípios para estabelecer uma base sólida de comparação? Tenho andado e percebido que Ji-Paraná, Vilhena e até o vizinho município de Rolim de Moura estão conseguindo muito mais recursos do que Cacoal. Os que se gabam de Cacoal estar perto de concluir mil casas populares do projeto Minha Casa Minha Vida deveriam observar que, no mesmo período, Ji-Paraná construiu quatro mil casas populares e a população de lá não é, sequer, o dobro da de Cacoal. Se nós recebemos investimentos de 18 milhões para esgotamento sanitário, Ji-Paraná recebeu mais de 130 milhões. Enfim, está claro que nossa situação não é nada boa. A administração atual nem pode comparar suas ações com administrações anteriores, já que o orçamento atual é muito maior. Só a título de comparação, em relação ao último mandato da prefeita Sueli Aragão, o orçamento atual é duas vezes maior. Então era de se esperar muito mais e não parece ser isso o que está acontecendo atualmente”, afirmou.

Salim Younes disse também que, como membro do PT, torce para que em 2015 o prefeito consiga mais êxito. Nós queremos o bem da cidade e queríamos ter orgulho de todos os políticos eleitos pelo partido. Mas não podemos fingir que não vemos as coisas erradas só por que quem governa é de nosso partido. Nossa obrigação é apontar os erros e a obrigação deles é corrigir esses erros, punir culpados e dar uma resposta à sociedade. É isso apenas que queremos. Não queremos o mal de ninguém. Pelo contrário, queremos desejar ao prefeito, que é de nosso partido, ações que revertam esse quadro atual. Torço para que, em 2015, o prefeito Padre Franco consiga, finalmente, separar os grãos da moinha e trabalhar em favor desse povo que, apesar da insatisfação com os rumos tomados, deu-lhe uma segunda chance. É isso que ele, o prefeito, deve levar em conta. O bom político é aquele que supre as expectativas de quem demonstrou confiança em sua capacidade e frustra seus opositores ao responder suas críticas com trabalho sério e comprometido com a população”, concluiu.

– Faço minhas as palavras do Salim e acrescento: “Frustrar a expectativa dos que nos criticam com trabalho e dedicação é sempre melhor do que querer pagar na mesma moeda ou, no caso dos políticos, sair por aí distribuindo, sem quaisquer critérios, notas de direito de respostas que confundem mais do que esclarecem e tornam os seus críticos cordeiros diante de seus brados de leões bravios e vingativos. É o que penso.

Daniel Oliveira da Paixão

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