Por semana, 80 brasileiros chegam a garimpos por Oiapoque, diz polícia

oiapqoue_travessiaCerca de 80 brasileiros usam como rota por semana a cidade de Oiapoque, a 590 quilômetros de Macapá, para se aventurar em garimpos ilegais na Guiana Francesa, país pertencente à França, na divisa com o Amapá. Segundo a Polícia Civil, os brasileiros usam embarcações clandestinas superlotadas em condições precárias para atravessar a fronteira dos dois países. As viagens acontecem partindo de Oiapoque, quatro vezes por semana, conforme relato do delegado Cézar Vieira.

Vieira informou que as estatísticas da Polícia Civil mostram que os brasileiros na Guiana Francesa são a maioria do Maranhão, em torno de 80%. O restante é dividido entre Amapá, Amazonas e Pará.

“Esse número é rotativo porque existe um trânsito muito grande entre os dois países”, resumiu o delegado.

A aventura dos brasileiros em território guianense acontece pela tentativa de melhores condições de vida através do euro (moeda europeia) e da extração ilegal do ouro, elemento rico em solos entre Amapá e Guiana Francesa.

O governo francês estima que dos 200 mil habitantes na Guiana, cerca de 40% são brasileiros. Desses, dez mil estão ilegalmente trabalhando nos 479 garimpos clandestinos em território guianense.

Apesar de o Amapá e Guiana Francesa serem separados apenas por 400 metros do rio Oiapoque, chegar até os garimpos pode demorar horas. Para fugir das fiscalizações, os garimpeiros usam embarcações pequenas que percorrem o rio até desembocarem no oceano Atlântico. Parte do percurso também é realizado a pé em meio a mata fechada da Amazônia, conforme mostraram imagens gravadas pelos celulares dos próprios garimpeiros e exibidas no domingo (28) em reportagem especial do Fantástico.

A tentativa da polícia amapaense em inibir a travessia de garimpeiros do Brasil à Guiana Francesa acontece na fiscalização das embarcações que levam as pessoas de Oiapoque até os garimpos ilegais. Mesmo com estimativa de 80 brasileiros deixando o país para trabalhar em garimpos ilegais, o número chegou a ser o dobro. A diminuição foi reflexo das fiscalizações marítimas no rio Oiapoque.

“Não é crime o brasileiro deixar o próprio país. Então, buscamos verificar os atentados a navegação fluvial com transporte irregular, superlotação e transporte de materiais perigosos, a exemplo de combustível”, comentou o delegado de Oiapoque Cézar Vieira.

O combate no território francês acontece pelo alto. Helicópteros partem de Caiena, capital da Guiana Francesa, com policiais conhecidos por “Gendarmes”.
Nos garimpos, os policiais destroem os equipamentos deixados pelos clandestinos durante a fuga. Mas nem sempre as batalhas contra os garimpeiros têm êxito total. Em 27 de junho de 2012, dois Gendarmes foram assassinados a tiros quando desciam de rapel de um helicóptero em uma área de exploração ilegal de ouro na região de Dorlin, Sudoeste da Guiana Francesa. Quase um mês após a morte dos policiais, os dois suspeitos de cometer o crime foram capturados pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope), em um hotel de Macapá. Ambos confessaram os assassinatos.

Projeto
No fim de 2013, um acordo entre Brasil e França que define os parâmetros de fiscalização da atividade garimpeira na área da divisa entre Oiapoque e Guiana Francesa, foi aprovado na Câmara dos Deputados, em Brasília.

O texto especifica que as polícias dos dois países terão a competência de apreender ou destruir qualquer equipamento usado para a extração ilegal de ouro em uma área de 150 quilômetros a partir das fronteiras de cada território.

O trecho na divisa do Amapá e Guiana Francesa possui duas grandes áreas de preservação, o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque e a Floresta da Guiana, locais onde ocorre a extração ilegal de ouro a partir das cidades de Oiapoque, no Brasil, e Saint Georges, na Guiana Francesa, que têm uma extensão de 707 quilômetros. O texto aguarda passar pelo Senado.

Fonte: G1

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