Prédio desaba depois de forte chuva em Porto Velho

predio1Apresentado sinais de inclinação desde a última segunda-feira (15), um prédio comercial de três andares, localizado na rua Alexandre Guimarães, no bairro Nova Porto Velho, desabou na madrugada de ontem depois de fortes pancadas de chuva. Segundo informações do Corpo de Bombeiros, em um primeiro instante o solo cedeu cerca de 30 centímetros e o local imediatamente foi evacuado, isolado e teve as instalações elétricas desligadas, mas dois dias depois a estrutura não aguentou e o prédio desmoronou como um castelo de cartas.

Como em um acidente aéreo, os fatores que levam um prédio a desabar são múltiplos. A engenharia tem técnicas e práticas para dar margem de segurança a uma construção. A perícia esteve no local e de acordo com o Corpo de Bombeiros, com o peso da estrutura, o solo cedeu, provocando um afundamento da “sapata”, abalando toda a estrutura do prédio, provocando assim seu desabamento, porém o laudo pericial ainda não foi concluído.

Avaliação extraoficial do prédio

predio2Em uma avaliação extraoficial, o engenheiro civil, Daniel Martins, aponta vários motivos prováveis para que o prédio tenha desmoronado dessa forma. “O desabamento de um prédio é algo excepcional. É preciso que haja um conjunto de fatores para que isso ocorra. A execução de uma obra em desacordo com o projeto elaborado, ou seja, foi projetado um prédio com dois pavimentos e foi executado quatro pavimentos, aumentando assim o carregamento da fundação, sem fazer os devidos reforços estruturais necessários e também aumentando a tensão admissível do solo”, explica Daniel.

Ainda segundo o engenheiro civil, alguns itens também devem ser observados, tais como: execução de obras sem o acompanhamento de um profissional habilitado pelo Crea, não sendo observado o recobrimento da ferragem, deixando-a exposta e com o passar do tempo sobre oxidação (ferrugem), diminuindo sua área útil e consequentemente sua resistência. “Porém uma resposta conclusiva dependerá de uma análise técnica detalhada na área afetada”, expõe Martins.

Inclinação começou no sábado

Segundo informações dos moradores da região, desde sábado era possível observar a diferença do prédio em relação a parede da casa ao lado.

“Ouvimos um estralo, e logo todo mundo saiu de suas casas para ver o que estava acontecendo”, diz Margarete Auxiliadora.

Procurados pela reportagem, o proprietário do edifício, não quis se pronunciar, porém afirmou que em breve um advogado divulgará uma nota de esclarecimento. De acordo com o coronel Pimentel, da Defesa Civil, o proprietário é responsável pela limpeza do local com um suporte da Secretaria Municipal de Serviços Básicos (Semusb) e será responsabilizado pelos prejuízos causados no imóvel ao lado.

Diário alerta para perigos

Em agosto do ano passado, o Diário alertou sobre os perigos de alguns prédios na Capital. Na ocasião, a Coordenadoria Municipal de Posturas (CMP), submetida a Secretaria Municipal de Serviços Básicos (Semusb), afirmou que até dezembro do mesmo ano cinco prédios abandonados deveriam ser demolidos em Porto Velho, a pedido da Procuradoria Geral do Município (PGM), segundo a coordenadora do CMP Nathali Soltovski. Mais de um ano depois a medida não entrou em prática.

A coordenadora relatou que a grande dificuldade da pasta é encontrar os donos dos empreendimentos abandonados. “Esses edifícios são na maioria muito antigos e não conseguimos localizar os proprietários. Dessa forma a coordenadoria leva um tempo muito maior para agilizar os processos de demolição”, explicou.

Edificações Novas sob a mira da Procuradoria Geral do Município

Não são apenas prédios antigos que estão sob a mira da coordenadoria, diversos edifícios que recentemente iniciaram as obras – e por algum motivo foram abandonadas – também estão entre as construções que não atendem às normas municipais e certamente irão entrar no processo de demolição.

Um dos empreendimentos que está incluso na decisão, está localizado na rua 7 de Setembro com rua México. Segundo a Coordenadoria, “os fiscais nunca conseguem encontrar o dono do empreendimento para notificá-lo”. Nathali Soltovski conta que a situação atual do edifício e a procura pelo responsável foi publicada uma vez em edital. Depois da terceira, a documentação é encaminhada para a PGM e consequentemente segue para demolição.

A grande preocupação da coordenadoria sobre os prédios abandonados está relacionada ao fato de os locais servirem de pontos de venda de drogas, abrigo de marginais e esconderijo de produtos roubados. “Esses locais abandonados acabam deixando a população em vulnerabilidade e correndo riscos. A gente trabalha para que todos estejam dentro das normas do Código de Postura”, finalizou Nathali.

Fonte: Diário da Amazônia

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