Presos suspeitos de atearem fogo em acampamento do MST em RO

prisaoDois homens foram presos na manhã desta terça-feira (12), suspeitos de integrarem um grupo em realizar uma série de ataques, que culminou no incêndio do acampamento Hugo Chaves, do Movimento Sem Terra (MST), localizado no Km 4, às margens da RO-140, em Cacaulândia (RO), no Vale do Jamari. Na ação também foram apreendidas um revólver calibre 32, munições e cápsulas de armas de diferentes calibres.

Conforme a PC, um dos suspeitos foi preso na área urbana de Cacaulândia. O outro suspeito foi localizado e preso em uma propriedade rural, a menos de 500 metros do acampamento alvo dos ataques realizados na última semana. Temendo novas represálias, cerca de 110 famílias que viviam no local abandonaram às pressas os barracos e foram alojados no Ginásio de Esportes Alberi Ferraço, em Ariquemes (RO).

De acordo com o delegado Rodrigo Duarte, responsável pelo caso, ao todo 92 pessoas foram ouvidas durante as investigações com o intuito de esclarecer os motivos dos atentados e identificar os autores dos ataques. “Com base nos depoimentos, obtivemos provas indiciárias suficientes para conseguirmos junto ao Poder Judiciário, os mandados de busca e apreensão e de prisão preventiva”, relatou.

Na operação deflagrada nesta terça-feira (12) houve o deslocamento de uma equipe composta por 25 agentes de polícia, três escrivães e dois delegados para cumprir os mandados de buscas e apreensões como também para as prisões preventivas.

A região do Vale do Jamari vem enfrentando uma série de crimes relacionados aos conflitos agrários. A Polícia trabalha com a tese dos atentados no acampamento estarem ligados ao assunto, mas o principal motivo para o inicio das represálias seria outro.

“Há possibilidades de ser conflito agrário, mas a questão principal muito provavelmente foi algum desentendimento entre os funcionários de uma propriedade com a permanência dos assentados naquela região”, esclareceu.

Por fim, Duarte relatou que a partir de agora a polícia realizará oitivas com os demais funcionários da propriedade privada na localidade. “Iremos buscar o cadastro de servidores na fazenda e com a colaboração de testemunhas fazer novas diligências, pois ainda restam a identificação de outros dois suspeitos”, afirmou.

Entenda o caso
A onda de atentados no acampamento do MST, Hugo Chaves, em Cacaulândia, iniciou no dia 2 de abril, quando três moradores afirmaram terem sido vítimas de agressão por jagunços armados de uma propriedade próxima ao local. Segundo eles, um grupo de cinco homens chegaram em um carro, invadiram o acampamento e iniciaram os atos de vandalismo e agressão.

No dia 4 de abril, o mesmo grupo invadiu o acampamento e expulsou as pessoas do local com tiros de arma de fogo. Os mais de 300 acampados que residiam no local foram alojados em um ginásio esportivo em Ariquemes.

No dia seguinte, quando não havia mais ninguém, o grupo ateou fogo em todo o acampamento. Ao G1, o coordenador do acampamento, Claudio Pereira, relatou que os moradores souberam do incêndio por meio de fotos e vídeos nas redes sociais.

Negociações de terra
Após uma reunião realizada no dia 6 de abril, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) informou que os moradores do acampamento incendiado terão um novo local para se assentar.Na ata divulgada no evento, foi decidido que a ouvidoria do Incra irá intermediar a disponibilização de uma área para instalação do acampamento em até 10 dias.

Os moradores vão ocupar o local até que o órgão conclua a aquisição de duas áreas definitivas para os moradores. A área pretendida para o novo acampamento é na região do Vale do Jamari, até lá os sem terra continuarão ocupando o ginásio de esportes.

Fonte: G1

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