Rio Madeira chega a casas em Porto Velho e moradores temem cheia

passarelaO Rio Madeira já começou a atingir as casas dos becos do Birro e da Rede, no bairro da Balsa, em Porto Velho. Os moradores estão apreensivos e começaram a construir passagens de madeira elevadas do chão para ter acesso às casas. Alguns já abandonaram as residências, outros pedem providências da prefeitura e ameaçam bloquear avenidas de acesso ao bairro em protesto. Segundo a Agência Nacional das Águas (ANA), às 7h desta segunda-feira (9) o nível das águas estava em 15,14 metros. No dia anterior, no mesmo horário, a marca era 15,62 metros. A média histórica do dia 9 de fevereiro, segundo a Companhia de Pesquisas em Recursos Minerais (CPRM), é de 13,65 metros. Em 2014, quando aconteceu a cheia histórica, o rio atingiu o pico de 19,74 metros.

De acordo com o morador Manoel do Socorro Torres, 120 famílias moram na localidade e, até agora, a Defesa Civil não deu informações se essas pessoas serão realocadas. “Moro aqui há mais de 30 anos e todo ano é assim, é só promessa, e sempre passamos por essa situação”, reclamou. No ano passado, Manoel teve que ir para o Abrigo Único montado pela prefeitura para receber as famílias desabrigadas e diz que perdeu metade de seus pertences.

“Ficamos nas tendas, mas voltamos por nossa conta no dia 25 de junho deste ano. O rio já tinha baixado. Nós perdemos a metade das nossas coisas, todo mundo perdeu e este ano de novo? Dez meses esperando e nada”, desabafou.

Diferentemente de Manoel, ao ver a água mais uma vez batendo no assoalho das residências, alguns moradores já começaram a sair do local. Rayane Lucila dos Santos Nunes e Alife Raí Machado Costa têm três filhos. O casal mora com mais dois irmãos e os pais. Todos vão se mudar para uma casa alugada. “É o jeito. Vieram semana passada falar sobre o auxílio aluguel e nos cadastramos, mas ficaram de ligar na última sexta- feira (6) e ninguém ligou ainda”, conta Rayane. “Estamos esperando, disseram que vão dar uma casa para a gente, mas até agora nada”, complementa o marido, Alife.

Manoel do Socorro diz que estava recebendo o auxílio aluguel, mas o benefício foi suspenso em janeiro. “Fui ver o valor do aluguel de uma casa, é mais de mil reais, não dá para fazer nada com R$ 500,00 [valor do auxílio aluguel]. Queremos que façam alguma coisa por nós, que a situação está feia e cada vez ficando pior. Vai alagar mesmo”, alertou o morador.

O G1 entrou em contato com a Defesa Civil, o chefe de operações Paulo Afonso alegou que o auxílio aluguel havia sido cancelado devido a estiagem, mas afirma que o governo retornou este mês com o pagamento do benefício. Quanto a retirada das famílias dos becos, ele conta que a Defesa Civil contava com um caminhão para auxiliar, mas o veículo quebrou na última quinta-feira (5) e, por isso, houve um atraso na saída das famílias, mas nesta segunda, o caminhão já voltou a trabalhar, mas ainda não há previsão para ir ao local. “Muitos estão indo para casa de parentes e outros estão alugando casas”, finalizou Paulo.

Rio oscilando

Conforme o Serviço Geológico do Brasil – CPRM, o nível do Rio Madeira está oscilando e se mantém estável. O engenheiro hidrólogo Franco Buffon comentou que as alterações acontecem devido à redução das chuvas nas bacias hidrográficas. Ele afirma que a oscilação é natural do Madeira e a maior parte da vazão de água vem do Rio Beni, que tem como característica responder rápido às chuvas.

Cheia histórica

A marca histórica do Rio Madeira até o momento é de 19,74 metros. A cheia de 2014 atingiu principalmente os municípios de Porto Velho, Nova Mamoré e Guajará-Mirim e afetou cerca de 97 mil pessoas, sendo que 35 mil ficaram desabrigadas ou desalojadas. No inicio, as famílias foram levadas para escolas e igrejas, mas posteriormente foram alocadas em barracas no Abrigo Único da capital, para não prejudicar o ano letivo.

Os custos para a recuperação total dos locais afetados foram estimados em R$ 4,2 bilhões e o tempo necessário foi calculado em 10 anos.

Fonte: G1

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