Risco de contaminação da água em Porto Velho é alto

Risco de contaminação da água em Porto Velho é alto

polucaoNo período de 16 a 22 de março, a Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia (Caerd) está realizando a Semana da Água, em alusão ao Dia Mundial da Água (22), com o tema: “Água! Se não cuidarmos hoje, as águas do futuro serão as nossas lágrimas”.

O objetivo é mostrar à sociedade em geral a importância da utilização da água tratada, pois, segundo o Ministério da Saúde, mais de 70% das internações hospitalares na região Norte são derivadas do consumo de água contaminada. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o consumo de água tratada impede a veiculação de doenças como hepatite, diarreia, leptospirose, esquistossomose.

No entanto, um estudo apontou que na região da capital o risco de contaminação da água é alto. É o que apresenta o pesquisador Ph.D. Carlos Alberto Paraguassu-Chaves, coordenador do Laboratório de Geografia Médica da Amazônia da Universidade Federal de Rondônia (Unir). De acordo com ele, em Porto Velho, tanto na zona urbana quanto na rural, as águas subterrâneas representam um importante recurso para o abastecimento humano.

A água subterrânea, por ser uma alternativa de baixo custo, é acessível, especialmente à população de baixa renda, tanto na complementação diária como na substituição total da água fornecida pelo serviço público. Outros aspectos são a ineficiência de serviços de saneamento básico e a falta de esgotamento sanitário na área urbana.

A ineficiência desses serviços obriga a população local a construir fossas negras e sépticas para deposição de efluentes nas imediações dos terrenos, que, na prática, se traduz em contaminação das águas subterrâneas.

NÍVEL DE NITRATO NA ÁGUA É ALARMANTE

A pesquisa utilizou o parâmetro da quantidade de nitrato na água. O nitrato é extremamente solúvel e pode mover-se facilmente e contaminar o aquífero a longa distância. Nos resultados preliminares, foram feitas dez coletas em cada área pré-definida. A primeira área de risco de alagação e que figurava com alta concentração de nitrato e a segunda área distante da área propícia a enchentes.

Após a enchente/inundação da área, o grau de contaminação elevou-se de forma assustadora. Apenas para elucidar alguns pontos de referências, as circunvizinhanças do cemitério, unidades de saúde, córregos que se transformaram em depósito de lixo a céu aberto, acumulação de casas em precárias condições, a utilização de água de poço amazônico e poços tubulares sem manutenção e próximos às fossas negras e sépticas são locais condicionantes ou determinantes para contaminação. “A população está consumindo água com alto grau de nitrato. É uma questão de saúde pública. Os estudos apontam os cânceres gástricos. Os cânceres de colo de útero são também resultados do excesso nitratos”, revelou Paraguassu-Chaves.

Para o pesquisador, quando quase todos se preocupavam com os agravos e doenças infecciosas e parasitárias (diarreia, gastroenterites, hepatites A e E, varíola, poliomelite, malária, dengue, leptospirose, entre outras), outros agravos e doenças manifestavam-se silenciosas (desnutrição, estresse pós-traumáticos, insônia, pesadelos e memórias repetidas sobre o evento, amnésia, depressão, dificuldade de concentração, irritabilidade e raiva, fobias, ansiedade e pânico, perda de apetite, tontura, entre outros).

Segundo Paraguassu-Chaves, os estudos têm como objetivo trazer benefícios à saúde das pessoas. “Queremos que estes resultados sejam avaliados para que possam ser realizadas medidas que nos tragam água de qualidade”, finalizou Paraguassu-Chaves. Para amenizar o impacto, as dicas à população são: ferver a água, coar com pano e, se possível, usar o hipoclorito de sódio. Medidas simples que ajudam a melhorar a qualidade da água e diminuir os riscos de contaminação.

Fonte: Diário da Amazônia

 

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