Rondônia, um pedaço da Amazônia

rio madeiraApesar da Terra ser composto 70% de água, apenas cerca de 3% da água do planeta está disponível para o consumo humano. O Brasil concentra aproximadamente 12% água doce do mundo e é na Amazônia que fica a maior bacia fluvial. No estado de Rondônia, os rios de maior importância são: rio Madeira, Mamoré e Guaporé.

O rio Madeira, principal afluente do rio Amazonas, recebe águas dos rios Guaporé, Mamoré e Beni. Rios que nascem na Bolívia e Peru. O rio tem uma enorme importância como hidrovia. São aproximadamente 1.056 Km navegáveis. Segundo o levantamento da Sociedade de Portos e Hidrovias de Rondônia (SOPH), o porto movimentou mais de 3 milhões de toneladas de carga pelo rio Madeira em 2013 e deve movimentar 4 milhões de toneladas até o final de 2014.

Além de Rondônia, a hidrovia do Madeira atende aos estados Mato Grosso, Pará, Amazonas e Acre. Os principais produtos escoados são soja (1º), milho (2º); carnes, verduras e frutas (3º); cimento (4º) e açúcar (5º). De acordo com o SOPH, representantes de países como Peru, Bolívia e Chile têm visitado o Estado com o interesse em uma rota interoceânica.

Peixes

O aproveitamento como via de transporte não é o único benefício que o rio Madeira oferece. Ele também conserva uma variedade de espécies aquáticas. Segundo o projeto ‘‘Peixes do rio Madeira’’, o rio possui mais de mil espécies, destas cerca de 40 eram desconhecidas antes do estudo como bagres-banjo, bagrinhos; mandubés e charutinhos.

O levantamento foi realizado pelo Laboratório de Ictiologia e Pesca da Universidade Federal de Rondônia (LIP/UNIR), em parceria com outras instituições de ensino e pesquisa e com apoio do consórcio Santo Antônio Energia (SAE).A área geográfica do estudo é o trajeto Mamoré- Madeira.

A área foi subdividida em outras quatro grandes delimitações geográficas de estudo: as planícies de inundação do rio Mamoré, os trechos de corredeiras do rio Madeira; planícies alagáveis do médio Madeira e planícies de inundação do baixo madeira. Entre as espécies da ictiofauna estão as que tradicionalmente fazem parte da alimentação dos rondonienses como o tambaqui, pirapitinga e pacus.

Biodiversidade aquática

Importantes como vias de transportes e na riqueza de animais aquáticos, os rios amazônicos enfrentam desafios. ‘‘A dinâmica de desflorestamento na Amazônia tem comprometido de forma significativa os mananciais’’, disse o professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e coordenador do laboratório de ictiologia e ordenamento pesqueira do vale do rio Madeira Marcelo Rodrigues dos Anjos.

Para Anjos, há atualmente uma preocupação muito grande com os grandes empreendimentos que são instalados na região. ‘‘Além de ter alguns estudos pontuais, a gente precisa monitorar para fazer inferências, uma série amostral ao longo de um grande período. Então a gente faz esse monitoramento da biodiversidade aquática, para isso podemos trabalhar com peixes, com alguns répteis como crocodilianos e tartarugas. E ainda com mamíferos, invertebrados e anfíbios’’, avalia.

O coordenador explica que os grupos citados são usados como bioindicadores. ‘‘Todo tipo de alteração que você tenha no ecossistema aquático, esses organismos passam a ter respostas diferenciadas. O que nós chamamos de biomarcadores e nos possibilitam fazer inferência sobre alguma alteração, seja ela de caráter antropogênico, de ação humana ou não’’, conta. Para Anjos, o monitoramento da biodiversidade deve ser feita no sentido de buscar dados que permitam ações que venham miniminizar os impactos ambientais.

Interferências

Os rios amazônicos apresentam problemas em decorrência de ações humanas, mas também de ordem natural. ‘‘O rio Madeira é um rio geologicamente jovem, ou seja, não está totalmente consolidado na calha dele. As margens erodem com grande facilidade. Isto é uma característica típica dos rios de água branca, como é o caso do rio Madeira’’, aponta.

Já na questão da ação humana, o desflorestamento e supressão das matas ciliares também são responsáveis por processos de erosão. E ainda de polarização dos ciclos hidrológicos e polarização de outras questões ambientais ligados aos ciclos biogeoquímicos, que são os trajetos de elemento químico na natureza como o do oxigênio, do carbono e do cálcio.

‘‘Os rios acabam recebendo todas as ações que são desenvolvidas em terra. A biodiversidade aquática depende da defesa da biodiversidade terrestre. Se a gente suprime florestas, a gente tem a eutrofização dos corpos d’água que é a contaminação por excesso de fósforo ou nitrogênio e aí a gente tem a perda de biodiversidade. Então é importante que a gente pense que os ecossistemas não são compartimentos isolados, mas sim integrados’’, afirma Anjos.

Variedade de organismos

De acordo com o coordenador, os rios da Amazônia têm a maior biodiversidade de vertebrados, principalmente peixes. ‘‘Mas também são importantes diversos microorganismos aquáticos, até por serem bioindicadores. A biodiversidade de maior importância eu não diria que seriam os peixes, mas o conjunto delas”.

Quanto à preocupação dos amazônidas com os rios, Anjos disse estar satisfeito. “É uma tônica hoje a gente ver a população discutindo problemas de abastecimento, sobre qualidade de água, sobre projetos ambientais que mostram que a há uma preocupação com a conservação dos sistemas aquáticos’’. Mas ainda é preciso avançar mais.

Segundo Anjos, há espécies em extinção nos rios da Amazônia, inclusive peixes. ‘‘A ideia é que se faça um manejo sustentável para conservação dos estoques pesqueiros. Não é só pela questão nutricional, mas por uma série de serviços ambientais. Grandes quantidades de espécies de peixes amazônicos são dispersores de sementes’’, conta.

Fonte: Portal Amazônia

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