Senegalês fatura até R$ 60 por dia fazendo ligações para imigrantes

sengalesHá seis meses, o senegalês Abdou Larrat Lô decidiu vir sozinho para o Brasil deixando a esposa e os três filhos na cidade de Touba, no Senegal, atraído pela oportunidade de comercializar suas joias e mercadorias. Ele vive num apartamento em Rio Branco, mas é no abrigo de imigrantes que ele garante o seu sustento, cobrando R$ 1,50 para fazer ligações internacionais, via Skype.

“Já trabalhava como comerciante em Senegal. Alguns amigos me disseram que aqui tinha bastante emprego, então vim para cá vender minhas joias. Quando chamei minha esposa, ela não aceitou e nem queria que eu viesse, mas vim assim mesmo, porque queria trabalhar. Como consequência disso, acabei sem mulher”, lembra o imigrante.

De acordo com Abdou, é com o dinheiro das ligações e da venda de joias que ele consegue se manter, pagar o aluguel e mandar dinheiro para os filhos que moram com a avó, no Senegal. Só com as ligações, ele fatura em média de R$ 50 a R$ 60 por dia.

Questionado se ainda pretende voltar para seu país, Abdou diz que não sabe por quanto tempo ainda ficará no Brasil, mas quer rever seus filhos e amigos. “Não sei quanto tempo ficarei aqui. Ainda quero ir para Fortaleza, onde uns amigos me disseram que o comércio é muito bom. Mas quero voltar ao meu país, não para morar, só para visitar minha família e voltar. Gosto daqui.”

Logo que chegou ao Brasil, em fevereiro, o imigrante viajou para Passo Fundo, no interior do Rio Grande do Sul, para encontrar alguns amigos e parentes que residem na cidade. Lá, Abdou trabalhou por 17 dias em uma empresa que fabrica postes, mas abandonou o emprego e virou ambulante no centro da cidade.

“Fiquei por pouco tempo no Acre, esperei o protocolo da documentação e depois fui para o Rio Grande do Sul, por conta própria, porque alguns amigos me esperavam lá. Quando cheguei, dez dias depois já tinha emprego. Mas saí, porque eu queria trabalhar como comerciante, tinha trazido muita mercadoria comigo e queria vendê-la”, contou Abdou.

Para vender seus produtos, Abdou passou ainda por Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Há um mês, ele retornou ao Acre para buscar mais mercadorias, trazidas por outros imigrantes que chegaram ao estado. Mas acabou ficando em Rio Branco para trabalhar na lan house do abrigo fazendo ligações telefônicas, via Skype, ao custo de R$ 1,50 por pessoa.

Quando chegou ao Brasil, Abdoul não sabia nenhuma palavra em português, mas com ajuda de amigos que fez aqui já consegue se comunicar. “Aprendi português no Brasil. Até procurei uma professora lá em Brasiléia, mas não consegui. Então fui conversando, vendendo minhas joias e fui aprendendo”, disse.

O trabalho na lan house, segundo ele, é uma forma de ajudar os imigrantes. “Gosto de ajudar, porque temos muitas dificuldades quando chegamos aqui.

Nem todos falam espanhol ou português, a maioria só consegue se comunicar no nosso idioma. Então, vi que podia ajudar fazendo ligações para as pessoas falarem com seus familiares. Falei com o dono dos computadores e pedi para usar um deles e fazer as ligações. Quero ajudar meu povo e os demais imigrantes”, afirmou.

Fonte: G1

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