Servidores param atendimento em hospital por falta de medicamentos, em RO

greve hospitalServidores municipais da saúde paralisaram parcialmente os atendimentos à população no Hospital Regional Perpétuo Socorro, nesta quinta-feira (8), em Guajará-Mirim (RO), cidade distante a cerca de 330 quilômetros de Porto Velho. Os funcionários alegam falta de pagamento do mês de janeiro, além da falta de condições de trabalho e de materiais básicos. A Prefeitura alega que não foi comunicada oficialmente e diz que a greve é ilegal.

Segundo o presidente do sindicato dos trabalhadores da saúde do município, Francisco Tobias, o hospital não tem medicamentos e os plantonistas atendem somente os casos graves de emergência.

“Só estamos exigindo os direitos do trabalhador, pois não temos o básico do básico para trabalhar. Se chegar algum paciente precisando tomar uma dipirona, não tem. Parece até piada, mas não temos nem copos descartáveis para o paciente tomar uma água. Isso é um absurdo. Já comunicamos ao Ministério Público de Rondônia (MP-RO), Tribunal do Trabalho e estamos aguardando providências”, declarou o servidor.

Segundo o comando de greve, se até a próxima sexta-feira (9) a prefeitura não se manifestar e dar uma satisfação sobre o pagamento atrasado de janeiro, os atendimentos serão completamente suspensos, inclusive em todos os postos de saúde.

Prefeitura

Procurado, o prefeito Cícero Noronha (DEM) afirmou que o movimento é ilegal. “Não recebemos nenhum documento, nenhuma pauta de reivindicações, então não estávamos nem sabendo disso. Este assunto deveria ter sido encaminhado ao gabinete e a partir dai teríamos 48 horas para discutirmos as possíveis soluções, mas se não houvesse nenhuma providência eles poderiam fazer a greve, portanto a consideramos ilegal”, diz.

Questionado sobre o pagamento atrasado, Noronha disse ainda que o dinheiro estará em conta até sexta, 9. Já sobre a falta de materiais e medicamentos, o prefeito declarou que vai dialogar com a Secretaria Municipal de Saúde (Semsau) e verificar o que está faltando para sanar o problema.

“O prazo para o pagamento está vencendo nesta quinta, 8. Temos prazo para cumprir e será cumprido. É estranho o sindicato se comportar dessa maneira, já que oficialmente não existiu paralisação nenhuma. Os atendimentos básicos estão sendo feitos normalmente nos postos de saúde, já o Regional é para os atendimentos mais complexos. O Regional sempre precisa de uma demanda maior de medicamentos e materiais, vamos verificar e trazer o que falta”, concluiu.

Pacientes

Vários pacientes que buscaram atendimento na unidade foram informados pelos funcionários que só poderiam ser atendidos se fosse em uma situação de emergência e foram orientados a irem até o posto de saúde mais próximo para receberam o atendimento básico.

A situação revoltou os moradores. Uma das pacientes foi a dona de casa Elaide Laia, que reside no Bairro Santa Luzia e foi até o hospital porque estava se sentindo mal após passar a madrugada inteira com a pressão alta e palpitações no peito.

“Absurdo, como pode isso acontecer com a população meu Deus? O hospital não tem nada, a gente chega para ser atendido e ainda recebe uma notícia dessa de que ninguém vai atender. A população é tratada como lixo, onde estão os nossos representantes? Estou revoltada, é uma mistura de raiva com frustração e tristeza”, desabafou a mulher.

Fonte: G1

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