Torneio de futebol de mesa resgata prática da modalidade em Manaus

fut-botaoMANAUS – Se você é apaixonado por futebol, provavelmente um de seus passatempos favoritos na infância era o futebol de mesa (ou futebol de botão, como é popularmente conhecido). Com o desenvolvimento dos jogos de videogame – e seus gráficos que beiram à realidade – e outras tecnologias, os botões estão cada vez mais esquecidos. Todavia, em Manaus, existe uma turma que não deixa essa ‘chama’ apagar. É a Associação Manauara de Futebol de Mesa (AMFM), que promove, neste domingo (11), o 2º Open Amazonense de Futebol de Mesa. A competição será na Arena Amadeu Teixeira, a partir das 9h.

O antigo jogo de botão é reconhecido como um desporto de alto rendimento desde a década de 80 pelo Ministério do Esporte. Em Manaus, o campeonato é dividido em três séries: Ouro, Prata e Bronze. O torneio pretende resgatar a popularidade do futebol de mesa na capital amazonense. Quem comparecer ao evento, inclusive, poderá jogar contra os botonistas profissionais do Amazonas e relembrar uma das brincadeiras mais marcantes entre os fanáticos por futebol.

Realidade paralela

Dois elementos são fundamentais para mergulhar profundamente no futebol de mesa: paixão e imaginação. Paixão pelo futebol, seja o de mesa ou o de campo; e imaginação para construir uma realidade cômica para quem não compreende que os botões não são apenas botões e que a mesa não é uma simples mesa. Afinal, os botões são verdadeiros jogadores e a mesa nada mais é do que um estádio, certo? Tudo depende da sua imaginação.

Essa afirmação pode ser mais séria do que você imagina. O botonista Alexandre Macedo ajuda a entender essa realidade nem tão real assim. Sob o comando do time inglês Newcastle, o amazonense subiu da Série Prata para a Série Ouro do Open em 2014. “No Open eu represento o Newcastle, clube pelo qual eu tenho um apreço muito grande. Eu sou rio-negrino e as cores do Newcastle também são preto e branco, então tem tudo a ver comigo”, disse ele.

Mas não são apenas os clubes que são fantasiados pelos botonistas. Os botões são identificados pelo nome e número dos jogadores da equipe. E tal como na realidade, os jogadores (ou botões) treinam, lesionam-se, assinam contratos, transferem-se para outras equipes, falam com a imprensa e vivenciam outras situações rotineiras do futebol. Todo o ‘dia a dia’ dos clubes é criado e registrado pelos botonistas – que nada mais são do que os técnicos das equipes – através de um grupo de botonistas amazonenses no aplicativo WhatsApp.

E através do grupo que Alexandre Macedo anunciou que o Newcastle se reapresentou na última segunda-feira (5). Após o recesso de fim de ano, o elenco e comissão técnica do clube participaram de um coquetel na sede do clube, no bairro Nova Esperança, regado a um açaí bem gelado. Posteriormente, o time realizou uma breve caminhada de quatro quilômetros na Ponta Negra para avaliar a parte física dos jogadores. E se você perdeu o fio da meada da história, acredite: ele ainda está falando dos botões.

Paixão antiga

As histórias que resultam da imaginação tornam o jogo mais divertido e, por quê não, real. A paixão de Alexandre pelo futebol de mesa vem desde os 12 anos. “Eu comecei a jogar na Escola Estadual Marechal Hermes com três amigos. Marcamos campeonatos na época que estava tendo a Copa de 94. Jogamos até os 16 anos, e quando fizemos 18, cada um seguiu o seu caminho e perdemos contato”, contou. Hoje, aos 30, Alexandre concilia a paixão pelo futebol de mesa com o seu ofício como engenheiro civil.

No entanto, em 2008, Alexandre reencontrou um de seus amigos de escola: Cléber Farias. Foi quando ele descobriu que Cléber preside a Associação Manauara de Futebol de Mesa (AMFM). “Ele [Cléber] me fez um convite para eu voltar a praticar [futebol de mesa]. Isso foi que nem uma febre. Quando ele me deu a palheta, eu comecei a relembrar a infância e voltou aquela doença”, brincou o botonista.

Experiência

Um dos personagens mais marcantes do futebol de mesa amazonense é Antônio Oscar. ‘Veterano’ na modalidade, ele protagonizou os tempos áureos do futebol de mesa em Manaus. “Eu comecei no futebol de botão jogando no chão de casa, com aqueles botões que a gente compra em supermercado e as travinhas. E desde aquela época eu já fazia questão de fazer preleção, tabela de campeonatos, sempre brincando eu contra eu mesmo”, relembrou.

Antônio foi apresentado à modalidade profissional por José Carlos Mattos, através da regra de três toques. Mattos, inclusive, fez parte da primeira diretoria da Confederação Brasileira de Futebol de Mesa, em janeiro de 1980. “Naquela época existiam muitas associações de futebol de mesa em Manaus. Tinha também o Campeonato Amazonense da primeira e da segunda divisão. Depois da década de 80 deu uma parada, as associações foram se desmembrando e o interesse, até pelas novas tecnologias, não foi muito bem disseminado. É um esporte que você tem que gostar e trazer essa realidade do futebol pra dentro da mesa”, disse.

Antes disso, Antônio e outros botonistas amazonenses se sagraram campeões do Campeonato Brasileiro de Futebol de Mesa por equipes. “Como nós começamos muito jovens, depois chegou o período de faculdade, trabalho e aí surgiram outras prioridades. Como botonista, eu encerrei minhas atividades no início da década de 90”, contou Antônio.

O reencontro de Antônio Oscar com o futebol de mesa veio no ano passado, na primeira edição do Open. Ele foi rebaixado para a Série Prata, mas confia na ‘ressurreição’ da modalidade em Manaus. “Estamos com o calendário fechado, mas ainda estamos acertando alguns detalhes antes da divulgação. Esse ano promete muita coisa, estamos com muitas novidades. Temos muitos botonistas com excelente nível técnico”, afirmou.

No ano passado, Antônio participou do Open sob o comando do Maués. Para 2015, ele ‘fechou contrato’ com a Juventus e ‘contratou’ jogadores do seu antigo clube. Todas as movimentações estão documentadas por ele. “Às vezes quando eu conto essas coisas, as pessoas dizem ‘esse cara é louco, o cara conversa com o jogador, faz preleção’. O detalhe mais interessante é que, quando terminam as competições, eu faço um programa de rádio e TV com entrevistas com o técnico [o próprio Antônio] e os jogadores”, disse o botonista.

Uma loucura que só quem gosta de futebol é capaz de entender. Futebol de mesa não é coisa do passado. E se você quer voltar a praticar a modalidade – seja por diversão ou de forma profissional -, o evento do próximo domingo é a oportunidade perfeita para o reencontro.

Fonte: Portal Amazônia

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