“Uma febre que não passava”, diz médico que contraiu ebola

ebolaO médico norte-americano Richard Sacra, que viajou para a Libéria em meio ao surto de ebola, contou com exclusividade à BandNews FM como foi infectado pelo vírus e o que aconteceu durante o período em que esteve no isolamento. Richard Sacra é um dos sobreviventes da doença mais perigosa da atualidade.

“Geralmente a gente precisava fazer uma cesárea nas grávidas. Muitas vezes, quando elas chegavam a nós, o bebê nem estava mais vivo porque elas tinham passado muito tempo em trabalho de parto durante por não haver hospitais disponíveis. Então, tenho certeza de que uma dessas senhoras quem estava em trabalho de parto e muito doente tinha ebola, mas ela não sabia e nós também não”, disse.

Richard Sacra havia trabalhado como missionário no país africano de 2008 a 2010 e retornou em agosto, em meio a maior epidemia de ebola da história. Pelo menos 416 médicos e enfermeiros contraíram o vírus nas regiões mais afetadas da África, 233 deles não resistiram.

O médico norte-americano atendia em uma hospital que pertence à missão cristã da qual faz parte, na capital Monrovia. Como sabia dos risoc que corria, ele se isolou em casa assim que a febre começou e só saiu de lá de volta aos Estados Unidos.

“Eu desenvolvi uma febre que não passava, uma das características do Ebola. Pelos primeiros três dias foi só essa febre, era o único sintoma que eu tinha. Depois começaram os outros sintomas: vômito, diarreia, erupções na pele, meus olhos ficaram vermelhos”, contou à reportagem da BandNews FM.

O país onde Richard Sacra trabalhou é o mais arriscado para os profissionais de saúde. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de cem médicos e enfermeiros morreram pela doença somente na Libéria. O norte-americano diz que há mais risco para os profissionais que trabalham em hospitais gerais do que aos atuantes dos centros de tratamento.

“Na linha de frente você sabe que o paciente está em risco, você sabe que ele tem ebola e você usa o equipamento de segurança adequado o tempo todo. Já no pronto-socorro, você não sabe quem tem ou não a doença no momento da entrada no hospital”, aponta Richard Sacra.

Fonte: AFP

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