Unicamp propõe abono de 28,6% e fim da greve será votado nesta quinta

unicampA Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) apresentou, nesta quarta-feira (10), uma proposta de abono salarial de 28,6% para os servidores que estão em greve desde o dia 23 de maio. O comunicado com a nova oferta foi feito após o anúncio do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulista (Cruesp), nesta quarta-feira, liberando a negociação individual de USP, Unesp e Unicamp sobre o abono. Os servidores de Campinas, inclusive os professores, realizam assembleias na tarde desta quinta para votar a manutenção ou não da greve.

Os funcionários e docentes entraram em greve após a decisão do Cruesp de congelar os salários e só retomar a negociação de reajuste em setembro deste ano, quando foi definido um aumento salarial de 5,2% aos servidores. O percentual de aumento, no entanto, será dividido em duas parcelas, uma em setembro e outra em dezembro.

Nova proposta

O reitor da Unicamp já havia oferecido aos trabalhadores um abono de 21%, antes de o reajuste salarial ser definido. Na ocasião, os funcionários rejeitaram a oferta e os docentes, que possuem um sindicato próprio, aceitaram o valor e suspenderam a greve. Para estes últimos, a reitoria oferece agora uma correção em relação ao novo valor oferecido, ou seja, mais 7,6% de abono.

A nova proposta, com percentual maior, de 27,6%, foi justificada pela universidade, segundo o Sindicato dos Trabalhadores (STU), para compensar as perdas dos trabalhadores nos meses de setembro, outubro e novembro, já que nesses meses eles não terão o percentual de reajuste de 5,2% na íntegra, por conta do parcelamento.

Para o diretor do STU Diego Machado de Assis, a postura do Cruesp de delegar a cada reitor a negociação em relação ao abono pode enfraquecer o movimento grevistas das três universidades. “Esta negociação unificada não nos causa nenhum prejuízxo material, mas nossa luta é também por uma política de ensino superior integrado no estado de São Paulo”, afirmou.

A assembleia dos funcionários está prevista para as 14h e a dos docentes para as 12h. Na pauta dos trabalhadores será ponderado o reflexo da decisão no movimento grevista das outras universidades. O sindicato teme, por exemplo, que caso a USP não obtenha os mesmos benefícios, o movimento daquela universidade se enfraqueça sem o apoio de Unesp e Unicamp.

Maior greve da história

A greve da Unicamp já é considerada a maior da história da universidade de Campinas, completando 108 dias nesta quarta. A instituição precisou alterar o calendário e adiou, de 4 de agosto para 1º de setembro, o início do segundo semestre letivo para os alunos da graduação e da pós-graduação. Parte do corpo discente, no entanto, também está em greve e não retomou as atividades em alguns institutos.

Para a Unicamp, antes desta, a greve mais longa ocorrida foi em 1988 e teve duração de 68 dias. O STU, entretanto, considera que foram 84 dias de paralisação, entre dezembro daquele ano e 1989, em que a categoria, ao lado de professores e do funcionalismo público, reivindicaram aumentos salarias e investimentos nas universidades.

Fonte: G1

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