quarta-feira, setembro 22, 2021

6 DE AGOSTO (1) – Uma data muito festiva para Acre e Rondônia, mas com duplo significado na vizinha Bolívia

PORTO VELHO – A mesma data, mas com vários significados de um de outro lado da fronteira Brasil/Bolívia. Assim se pode escrever o significado do dia 6 de agosto para bolivianos, da mesma forma que para os brasileiros, com destaque para os acreanos, e nós de Rondônia, porque podemos usar um termo comum, no estilo: “E por aqui tudo começou naquele 6 de agosto, há 119 anos”.

E até registrar também que no dia 6 de agosto de 1983 explodiu a primeira grande crise política no recém-criado Estado de Rondônia, numa sequência do que já vinha se formando desde a instalação da Assembleia Estadual Constituinte.

Na Bolívia o 6 de agosto tem duas marcas distintas, a primeira delas, e certamente da maior importância para “los hermanos de la banda”, como costumam dizer alguns de seus “irmãos” do lado de cá, a data relativa ao ano de 1825, quando o país teve proclamada sua independência em relação a Espanha.

As imensas regiões produtoras de seringa, nas terras bolivianos gerou a invasão dos seringueiros brasileiros e a tomada da terra (Foto: Arquivo/Museu da Borracha- AC)

Na brasileira Guajará-Mirim e na boliviana Guayaramerín a data até pouco tempo marcava uma celebração binacional, porque, como costumam dizer alguns de seus “irmãos” do lado de cá, ou, como diz o historiador e romancista Paulo Cordeiro Saldanha, quando fala da fronteira na região rondoniense, “os rios Guaporé e Mamoré mais nos unem que nos separam”.

A GUERRA DO ACRE

O seis de agosto (de 1902) também marca uma data que não traz boas lembranças para os bolivianos, porque oficialmente é a data do início da chamada Guerra do Acre, quando Plácido de Castro, um gaúcho que se instalara na região que depois seria o Estado do Acre.

Desde a segunda metade do século XIX quando a borracha começou a ser exigida pelo mercado mundial, e a descoberta de uma quantidade imensa de seringueiras, material fundamental para a confecção das “pelas”, grupos, em maioria, de nordestinos fugindo das secas daquela região brasileira, começaram a ser cooptados para buscar a Hevea brasiliensis.

Aos poucos os nordestinos começaram a chegar aos “altos rios”, nas regiões de maior incidência da seringueira, especialmente no que seria depois o Acre, terras pertencentes ao estado boliviano. A disputa pelas terras foi crescendo até explodir em duas tentativas de brasileiros em assumir aquelas terras.

Ex-combatente na Guerra dos Farroupilhas, Plácido de Castro veio para o Acre e liderou a última Guerra pelas terras da borracha

Em 1902 um grupo de seringueiros e donos de terras, comandado pelo gaúcho Plácido de Castro retomou a disposição de resolver pelas armas uma questão que já se arrastava há anos.

No dia 6 de agosto daquele ano Plácido de Castro passou da conversa à ação e começou uma guerra cujos números de combatentes, mortos ou feridos depende do lado que o historiador estiver.

O fato seguiu-se de várias batalhas que, um ano depois  levou à assinatura do Tratado de Permuta de Territórios e outras Compensações, mais conhecido por Tratado de Petrópolis – referência à cidade brasileira (no Rio de Janeiro), onde foi assinado por representantes dos dois países à frente da comitiva brasileira o Barão do Rio Branco.

Pelo Tratado de Petrópolis, o Brasil construiu a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, embrião do Estado de Rondônia

RONDÔNIA

Além do pagamento de 2 milhões de libras-ouro pelo Brasil à Bolívia, ficou estabelecida a construção de uma ferrovia margeando as corredeiras do Rio Madeira – a Estrada Madeira-Mamoré, construída entre 1905 e 1912 mas a Bolívia sempre cobrou que o contrato não foi cumprido totalmente.

Disso tudo um fato importante foi que, com a construção da Madeira-Mamoré de Santo Antônio a Guajará-Mirim (cidades então pertencentes ao Estado de Mato Grosso) e a extensão de seu traçado até ao local que seria chamado Porto Velho (Amazonas).

A ferrovia, que funcionou de 1912 a 1972, permitiu o desenvolvimento da região que é o embrião para o que seria, 72 anos após a inauguração, o Estado de Rondônia, com as terras dessa nova Unidade Federativa constando de áreas de Mato Grosso e Amazonas desde 1943, quando foi criado o Território Federal do Guaporé.

CRISE DE 6 DE AGOSTO

Com a posse, em fevereiro de 1983, da primeira composição de deputados estaduais de Rondônia, eleitos em 1982, começou a ser elaborada a primeira composição da Assembleia Estadual, então atuando só como “Constituinte”.

Outro fato, esse de caráter político e que desaguou no dia 6 de agosto, por motivos diversos, como a falta de tato político do governador Jorge Teixeira, de um lado e, de outro, o afogueamento de um grupo de deputados, constituintes até aquela data em 1983.

Amanhã:

6 DE AGOSTO 2

O MP foi o primeiro motivo da crise política, depois o TCE e a seguir o caso do vice-governador

Lúcio Albuquerque, repórter
[email protected]

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