quinta-feira, dezembro 9, 2021

A infraestrutura que integra e desenvolve a região

Por Marcelo Thomé*

Marcelo Thomé*

PORTO VELHO – Em quase cinco décadas, desde que ela foi aberta a asfaltada em meados da década de 1970, nunca precisamos tanto da BR-319 (Porto Velho-Manaus) como atualmente. Óbvio afirmar, mas ela é essencial ao desenvolvimento econômico e à integração regional, se analisarmos a somatória de outras obras e eventos importantes: a ponte sobre o Rio Madeira em Abunã; as duas pontes da rodovia BR-425 (Abunã-Guajará-Mirim), em Araras e Ribeirão, em fase de construção no oeste de Rondônia e a privatização do nosso aeroporto, com boas perspectivas de efetiva internacionalização.

Rondônia sonha com a pavimentação da BR-319, e agora vê o Amazonas também clamando por ela.

 

Manaus se liga ao País por avião, ou por rios. Esse isolamento desestabiliza muitos negócios, prejudicando os nossos vizinhos.

A Capital do Amazonas é um mercado consumidor importante, com 2,2 milhões de habitantes, além de abrir passagem para o mercado do Caribe.

A BR-319 está em pauta, exigindo o debate inadiável no âmbito governamental.

Precisamos dessa rodovia aberta no Brasil do “milagre econômico” (antes da década de 1970), quando se anteviam o comércio e a indústria em desenvolvimento também na região norte brasileira.

Mesmo que seja uma rodovia para o tráfego apenas de caminhões com peso limitado (no máximo dois eixos), uma vez que as cargas de maior volume continuarão descendo ou subindo normalmente a Hidrovia do Madeira.

Rio Madeira em Porto Velho — Foto: Reprodução

A atual logística não atende plenamente a diversos segmentos, quando temos condições de fornecer mais e rigorosamente em dia, nossa produção de pescado, carne bovina, arroz, entre outros gêneros de primeira necessidade.

O tambaqui cultivado nas fazendas rondonienses tem grande aceitação em Manaus.

Política e ambientalmente, a Fiero não vê a estrada como “abertura à devastação”, da forma como tristemente se alardeia na internet.

Primeiro, porque, pavimentada e com infraestrutura, a região se abre também à fiscalização.

Segundo, porque a BR-319 irá propiciar o grande momento de integração amazônica, pois Rondônia alcança o 1º lugar em exportação de carne bovina; o 1º produtor de peixe nativo do Brasil; 1º de leite; 2º em soja, 2º em milho, e 3º em arroz, em toda a Região.

A BR-319 asfaltada e bem fiscalizada pelos esforçados Ibama, Polícia Rodoviária Federal e Polícia Federal se uniria também a outra vertente do progresso, o porto público de Porto Velho, único alfandegado na região norte.

 

Em 2020, esse porto movimentou cargas gerais de 249,69 mil toneladas (t) de exportação e importação.

Caminho natural rodoviário entre o Sudeste e a Amazônia, a Capital rondoniense é um grande entreposto de abastecimento na medida em que distribui produtos para o Amazonas e o Acre.

Contamos com sete empresas atacadistas só na capital.

Nosso porto está equipado para receber mercadorias importadas ou exportadas pela Hidrovia do Madeira e vive momento especial, ao oferecer suas mais nobres áreas para a instalação de futuros escritórios de empresas usuárias.

Esse movimento tende a crescer exponencialmente se conseguirmos internacionalizar nosso aeroporto, abrindo a possibilidades de alcançar novos consumidores do mercado andino (Peru, Bolívia, Colômbia, Equador, etc.)

Desta maneira, a FIERO apela ao bom senso das autoridades dos transportes para que refaça estudos e ouça o clamor dos setores produtivos de Rondônia na consolidação do grande projeto.

Ainda nesta década, a BR-319 haverá de se conjugar às águas do Rio Madeira e à modernização do Aeroporto Jorge Teixeira, em Porto Velho.

 

Quando alfandegado, o aeroporto ensejará o eixo, cuja importância se explica no ajuste e distribuição de cargas que sua empresa concessionária também promoverá ao escoamento da produção agropecuária e da agroindústria, rumo aos portos de Ilo e Matarani, do Oceano Pacífico, no Peru.

Também vislumbramos a possibilidade de se ver concretizar a instalação no aeroporto de Porto Velho de um centro de manutenção de aeronaves que fazem linhas internacionais?

Nosso clamor empresarial é o mesmo clamor de outras classes, e daqueles que sonham com o ecoturismo.

E a todas, acredito que seria simpática a adequação do percurso de aproximadamente 900 quilômetros da BR-319, consolidando-a como uma estrada-parque.

A hora é agora!

E o debate deve ser retomado, com toda urgência possível.

*É presidente da Federação das Indústrias de Rondônia


Veja mais+

- Advertisement -

Veja Mais Notícias