Cerimônia coletiva une 18 casais do sistema prisional do AM

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O primeiro casamento coletivo de detentos do regimento fechado do sistema prisional de Manaus de 2015 foi realizado na tarde desta quarta feira (29), no Centro de Detenção Provisória Masculino (CDPM), no Km 8 da BR-174. A ação serve como forma de reintegração social dos presidiários.

Ao todo, 18 casais oficializaram a união perante o juiz de paz Luiz Cláudio chaves da 4º Vara de Família do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM). Os detentos cumprem pena no Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat) e Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj). Na ocasião, o magistrado declarou que um dos fatores de ressocialização do preso está o apoio a família. “É nesse sentido prático e simbólico que venho a representar o poder judiciário junto aos interesses da sociedade. É de interesse social que os presos se recuperem e é dever do judiciário contribuir para isso. Estou aqui cumprindo uma obrigação institucional”, disse.

Para alguns dos casais, o matrimônio oficializa histórias de união que começaram antes da prisão. A dona de casa Rita de Castro, 32 anos, já morava com o companheiro há dois anos antes de ele ser encaminhado ao regime fechado por furto no ano passado.

“Ele acabou preso por ter roubado um celular, uma besteira que ele fez quando estava bêbado quando se afastou da igreja. Agora, ele está na bênção, se recuperando, decidido a mudar. Já tínhamos planos de se casar e agora aproveitamos a oportunidade, ainda temos uma filha para criar juntos”, explicou.

cerimonia1A industriária Fernanda Patrícia Soares, de 27 anos, e Márcio Bandeira, de 37, estão juntos há 15 anos. Há três anos, Márcio cumpri pena na penitenciária por um furto. O casamento também era um objetivo antigo do casal. “Não tenho do que reclamar, ela está sempre do meu lado em todas as dificuldades que passei. Cometi este erro na minha vida e agora vamos aproveitar essa porta que Deus abriu para nós”, disse o presidiário, que ainda não tem previsão de saída.

Porém, alguns relacionamentos se desenvolveram dentro da prisão. A autônoma Elizângela Rocha, 30 anos, conheceu o marido, Levi Souza da Silva, durante a visita de um amigo. Depois de oito meses juntos, eles decidiram oficializar o matrimônio. “Desde o dia que o conheci, nunca mais deixei de visitar. Ele ainda não foi ouvido pela Justiça e ainda não temos uma previsão para a saída dele, mas já temos planos de ter nossa vida juntos. Estou do lado dele para o que der e vier”, declarou.

cerimonia2A gerente de reintegração social da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), Zuleide Nogueira, informou que há previsão para a realização de um casamento coletivo do regime semiaberto para o mês de junho. “Buscamos com estas cerimônias a reintegração por meio da humanização, valorizando a célula mater da sociedade que é a família”, destacou.

O titular da Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejus), coronel Louismar Bonates, explicou que a união estável facilita os direitos enquanto cidadãos. “Muitas famílias vivem de amparo junto ao Instituto Nacional do Seguro Socia (INSS) e outros órgãos do governo, então essa união garante uma facilidade na hora de buscar esses direitos”, finalizou.

Fonte: G1

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