Comércio desacelerado fecha lojas

ComercioJá se tornou comum andar pelas ruas centrais de Porto Velho e se deparar com antigas lojas fechadas, já com placas de “Aluga-se” na frente. A desaceleração da economia brasileira tem mostrado sinais na capital rondoniense, mas para o economista Sílvio Persivo, que faz consultoria para a Federação do Comércio do Estado de Rondônia (Fecomércio-RO), a região Norte – apesar de prejudicada – ainda é uma das grandes regiões que não estão em total sofrimento por causa da crise econômica.

De acordo com Persivo, os indicadores mostram que o comércio está passando por uma fase de declínio de 3% desde o início da crise econômica brasileira. “Mas apesar de tudo, nós da região Norte, sofremos menos que os grandes centros como o Sul e o Sudeste do País – que têm passado por situações ainda mais complicadas com relação ao comércio”, afirma o economista.

A explicação dele para esta tendência é que as regiões mais afetadas dependem muito das áreas de construção civil e o setor industrial, enquanto que Rondônia e os Estados nortistas no geral não são tão fortes nestas áreas. “O que tem sustentado o País neste momento de crise é o agronegócio e, em grande parte, nosso Estado acaba sendo beneficiado por este fato”, diz Persivo.

No entanto, ele não considera Rondônia ilesa, pois os investimentos públicos foram reduzidos desde que a crise se instalou.Ele destaca que o Fundo de Participação dos Estados (FPE) e a arrecadação de impostos também tiveram baixas significativas, o que acaba cancelando repasses que os Estados e os municípios necessitam para a manutenção da economia de cada local. “Há muita reclamação de cortes [orçamentários]. Um exemplo são as próprias universidades que não receberam repasses antes programados. É dinheiro que deixa de seguir aos Estados e, consequentemente, de circular na economia local. O que gera o clima de incerteza financeira”, enfatiza Persivo.

Pequeno empresário é o mais afetado

O economista Sílvio Persivo alega ainda que os micro e pequenos empreendedores são os mais afetados pela crise econômica. “As grandes empresas fazem planejamentos para até 15 anos, contornando a crise, mesmo que diminua os lucros. Mas quem é pequeno sofre mais, pois o clima de incerteza segura as pessoas para que gastem dinheiro como gastava antes de se instalar a crise”, explica o economista.

Ele cita o exemplo de bens móveis, que tem sido afetada fortemente pela crise. “Se perguntarmos para um revendedor de carros ou caminhões, eles irão dizer que a situação está horrível. Mas se perguntarmos em restaurantes, supermercados ou estabelecimentos ligados à alimentação, eles irão dizer que não houve grandes mudanças desde o começo da crise”, diz Persivo. Ele acrescenta que não há incertezas por parte dos consumidores quanto a serviços básicos (como é o caso da alimentação), pois o que gera a crise é o medo de se comprometer com compras a longo prazo.

E longo prazo é a previsão de Sílvio Persivo para o fim da crise. Segundo ele, o Brasil pode levar anos para se reestabelecer economicamente como uma potência, posição que ocupava até o ano passado depois de estar à frente de grupos como o do chamado Países Emergentes Brics (Brasil, Rússia, Índia, e África do Sul). “A crise de hoje não é realmente de hoje. Desde a crise econômica mundial de 2008, o comportamento do consumidor foi modificado, pois não eram mais os Estados Unidos [da América] que ditavam a economia, mas a China – que agora vem desacelerando o crescimento e gerando uma nova crise”, finaliza o economista.

Fonte: Diário da Amazônia

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