Custo com construção civil sofre aumento em Rondônia

construçaoPesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que construir ficou 0,5% mais caro, baseado em abril deste ano. Chamado de “inflação da construção”, o Índice Nacional da Construção Civil ficou quase o dobro do esperado para o mês, que era de 0,23%. O órgão ainda revelou que o metro quadrado nacional está custando R$ 923,58 este mês.

Os custos regionais, por metro quadrado, foram: R$ 934,02 (Norte); R$ 867,05 (Nordeste), R$ 960,19 (Sudeste); R$ 940,83 (Sul) e R$ 931,82 (Centro-Oeste). Em Rondônia, o metro quadrado estava custando em abril, R$ 982,48, quase R$ 60,00 a mais que a média nacional. Ainda segundo os dados do IBGE, o Rio de Janeiro lidera o ranking, cobrando R$ 1.046,88 o metro quadrado, em segundo lugar ficou o Estado do Acre cobrando R$ 1.021,03, o último lugar ficou para o Rio Grande do Norte cobrando R$ 822,47.

AUMENTO JÁ FOI REPASSADO PARA O CONSUMIDOR

De acordo com Jairo Ortega, proprietário de uma loja de materiais de construção na zona Leste da capital, não houve outra opção se não aumentar os preços, repassando certos custos ao consumidor final. “A única coisa que é fabricada aqui é cimento e areia, então subiu o petróleo em cerca de 15% este ano e, consequentemente, tivemos que repassar esses custos”, afirma. O repasse destas cobranças no preço acabou resultando em uma queda no faturamento da loja.

Ortega ainda argumenta que as taxas de juros praticadas atualmente no Brasil são um dos maiores “culpados” para os aumentos no material de construção e, portanto, a diminuição dos lucros e retração do crescimento. “Hoje quando o consumidor vai fazer uma compra grande, financiando pela Caixa Econômica Federal ou Banco do Brasil, encontra taxas de juros altíssimas. Às vezes alguém entra querendo fazer uma compra de R$ 6 mil e quando verificamos com o banco o valor salta para até R$ 14”, destaca.

MÃO DE OBRA TAMBÉM PESA NO BOLSO

Dos R$ 923,58 que custa o metro quadrado atualmente no Brasil, segundo os dados do IBGE, pouco mais de R$ 500 apenas em materiais e exatos R$ 421,25 em mão de obra. Para Wilson Ferreira, que presta serviços de construção na zona Leste, o aumento no custo da mão de obra não poderia ter ficado para depois – uma vez que os sucessivos aumentos têm encarecido a vida dos cidadãos.

Ele declara que, no caso dele, mesmo sem uma qualidade de vida maior, tem um número elevado de contas e impostas que o salário não estava dando conta de pagar. “Hoje em dia construir está realmente caro, está custando bem mais que um ou dois anos atrás, mas tudo subiu o preço, materiais de construção e mão de obra também entrariam nesta onda”, comentou.

Para Ferreira, o fato de não possuir um empregador torna a margem de lucro um pouco maior, mas que empregados com carteira assinada não estão ganhando o que mereceriam. “Resolvi prestar serviços por conta própria justamente por ter contas demais e um salário que não cobria. O setor de construção em Porto Velho está entrando em decadência e muita gente está percebendo isso”, lamentou.

DESACELERAÇÃO NO SETOR PREOCUPA 

De acordo com Jairo Ortega, o proprietário de uma loja de material de construção citado no início desta matéria, o desaquecimento do mercado está sendo sentido fortemente. Ele alega que as empresas terceirizadas das grandes indústrias, que geralmente compravam material para elas, deixaram a cidade. “Muitas indústrias saíram daqui e as usinas estão praticamente paradas, inclusive várias pessoas foram embora para o Pará [onde grandes empreendimentos, como a Usina Hidrelétrica de Belo Monte, estão sendo construídos]”, acredita.

O desaquecimento preocupa o lojista que vê a deterioração da economia, inclusive, como um dos motivos que podem levar a capital rondoniense a um retrocesso. “Nós mandamos os caminhões com cargas de materiais pela cidade e eles estão passando por ruas horríveis, voltam estragados, mesmo que vemos obras por aí, temo que Porto Velho possa voltar ao ritmo de antes das usinas começarem a ser construídas e parar o desenvolvimento”, afirma.

E com relação à expectativa de melhora nos negócios, Ortega admite não estar otimista. “Estamos abertos para nos manter e não fechar as portas, como várias outras lojas que tomamos conhecimento. Os pequenos empresários estão passando por dificuldades e os de médio porte estão mantendo, pelo menos para pagar as contas da loja”, explica.

O lojista acentua que está “sem coragem para investir”, pois não adiantaria estocar produtos sem a expectativa de que eles irão para as mãos do consumidor. “É melhor diminuir os estoques e fazer um giro de indústria. Por enquanto, não vejo como e quando pode melhorar. Quem sabe quando esta maré de crise econômica passar”, finalizou.

Fonte: DIÁRIO DA AMAZÔNIA

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