Dengue deixa 13 bairros em alerta

dengueUm relatório do Ministério da Saúde divulgado na manhã de ontem, revelou que o surto de dengue tem aumentado em todo o País. O Estado campeão em casos confirmados é São Paulo, com 401.564 pessoas doentes. No entanto, apesar de aparecer no ranking com um número milhares de vezes inferior, o estado é de alerta em Rondônia: de 813 casos verificados de janeiro a abril de 2014, o número de pessoas infectadas passou para 2.201. Ou seja, um aumento de 170%.

Vale ressaltar que os números não refletem a realidade da capital. De acordo com um relatório da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), em Porto Velho de janeiro a abril deste ano foram detectados 64 casos de dengue. Em todo o ano passado, foram 262 casos – o que caracteriza certo controle sobre a doença. “Na cidade, a doença está controlada, mas é importante citar que temos um índice de infestação alto, o que nos deixa em estado de alerta”, disse o secretário municipal de saúde Domingos Sávio Fernandes de Araújo.

O secretário explica que a dengue é uma doença urbana, diferente da malária que está em um perímetro um pouco mais distante das residências – mas onde tem água limpa, pode ter dengue, afirma. “Nós temos uma equipe responsável para ir nas casas das pessoas verificar pontos de infestação. Então nós fazemos o Levantamento de Índice Rápido (Lira) [que verifica e elabora o índice de infestação predial] e elegemos 50% dos bairros onde serão feitas verificações durante dois dias”, disse o secretário.

ÍNDICE DE INFESTAÇÃO ACIMA DO LIMITE 

Ainda de acordo com o secretário, o levantamento faz uma contagem de quantos pontos focais do mosquito transmissor da dengue são encontrados e colocados em um relatório. “O Ministério da Saúde tem uma escala em que, quando uma cidade apresenta um número menor que 1, ela está segura da dengue. Entre 2 e 3,9, estabelece um estado de alerta, enquanto mais de 4 é uma questão epidêmica”, destacou Araújo.

Segundo o relatório da Secretaria, a capital rondoniense apresenta valor de 2,8 na escala – o que lhe acarreta o status de “alerta”. Entretanto, a questão fica pior quando analisadas bairro a bairro. Araújo afirma que há pontos críticos de locais onde pode haver a proliferação dos mosquitos transmissores da dengue, que pode aumentar o número de pessoas doentes na cidade. “As nossas vistorias mostram bairros que tem um valor muito acima de 4 na escala do Ministério da Saúde”, revelou o secretário.

O bairro Cidade do Lobo aparece no topo do índice de infestação predial elaborado pela Secretaria Municipal de Saúde. Na região, o limite de 4 na escala de risco é ultrapassado em 275%, totalizando 15 – que caracteriza um altíssimo risco de epidemia. Acompanhado do bairro Cidade do Lobo no topo de locais com maior risco, estão os bairros Roque (com índice de infestação também de 15), Arigolândia, Panair e Socialista (com índices de 10 cada).

AÇÕES DE COMBATE CONTÍNUAS 

Para o secretário Domingos Sávio Fernandes de Araújo, o maior problema para que os casos de dengue continuem aparecendo em Porto Velho é a falta de conscientização da própria população. “Quando finalizamos o Lira, mandamos nossa equipe aos pontos críticos para promover ações de combate, mas como nossa equipe é pequena, quando termina esse trabalho, já temos que começar tudo de novo”, declarou.

O Ministério da Saúde recomenda que as cidades façam três levantamentos (Lira) por ano, mas como o estado é sempre de alerta, o processo é contínuo em Porto Velho – sendo que três levantamentos de índice rápido já foram feitos apenas este ano. “Os dados do Ministério que mostram um crescimento alto nos casos de dengue no Estado de Rondônia não reflete a realidade do município da capital, mas pode ser, pois Porto Velho tem tudo o que precisa para ter um surto da doença, como os altos índices de infestação predial”, admitiu.

O relatório da secretaria apontou ainda que 13 bairros na cidade estão com o índice bem acima do limite de 4 recomendado pelo Ministério da Saúde – o que pode alastrar a doença por toda a cidade, acredita o secretário. “Mesmo assim, ainda temos conseguido manter a doença sob controle, mas não tem sido fácil. O controle tem funcionado justamente pelo grande esforço de nossas equipes”, disse.

CONSCIENTIZAÇÃO É A MELHOR FORMA DE COMBATER A PROLIFERAÇÃO 

Como o mosquito Aedes aegypti não se reproduz em água suja, ele aparece frequentemente dentro das casas, onde as pessoas deixam água parada e limpa em locais abertos. De acordo com o secretário de saúde, cerca de 35% dos casos de dengue acontecem dentro da casa das pessoas. “A causa da doença pode ser resumida em absoluta falta de conscientização, de pessoas que não limpam o quintal, estocam água e não cobrem, gerando um criadouro do mosquito”, explicou Araújo.

O secretário destacou ainda que é de extrema importância a colaboração dos próprios porto-velhenses no combate à doença, prevenindo-se dentro de casa. “Hoje se espera muito pelo poder público, então fazemos um grande trabalho em escolas, distribuímos panfletos, criamos um prêmio para a escola que incentivasse os alunos a combaterem a dengue nas comunidades em que vivem em que se ganha um computador”, acrescentou.

Além das recomendações básicas, que é eliminar pontos de água parada em casa (como vasos de planta, reservatórios de água abertos, garrafas inutilizadas e pneus velhos), Araújo disse que aquelas pessoas que possuem reservatórios necessários em casa, podem procurar uma unidade de saúde para receber uma forma de combater o mosquito. “Quem tem que guardar a água, mas que está passível de criar focos do mosquito, pode passar em qualquer posto de saúde e solicitar o hipoclorito de sódio. Para cada litro de água, são necessárias três gotas. É de graça”, finalizou.

Fonte: Diário da Amazônia

 

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