Durante fuga em massa de presídio de Ariquemes, cinco agentes tomavam conta de 470 presos

presidioPouco tempo depois da Polícia Civil informar que investigará as circunstâncias e se existe facilitação nas constantes fugas no Centro de Ressocialização de Ariquemes (RO), no Vale do Jamari, o delegado sindical dos agentes penitenciários contou detalhes sobre a fuga ocorrida no último domingo (24) e ainda declarou que a culpa dos seguidos episódios deve ser atribuída ao Estado.

O representante sindical dos agentes penitenciários Clebs Dias, explica que no plantão havia cinco agentes e que no momento da fuga, quatro deles foram entregar as alimentações aos cerca de 470 detentos que cumprem pena na unidade prisional. Enquanto o quinto agente plantonista ficou na guarita de entrada, para caso fosse preciso liberar o acesso de alguma viatura que chegasse ao local.

“No momento em que eles [agentes] fizeram a entrega da alimentação e a conferência, todos os presos estavam dentro das celas. Porém após retornar para a base mais abaixo, já se escutaram os disparos e os gritos lá de fuga, então as grades já estavam serradas naquele momento, colocando em risco a vida dos próprios plantonistas que lá estavam, porque eles podiam ter sido pegos naquela hora pelos detentos”, revela.

Para Clebs, o grande culpado pelas constantes fugas no presido do município é o Estado, devido à decisão de manter a unidade prisional em funcionamento sem estar capacitada, tanto na estrutura quanto na quantidade de servidores, que trabalham no local.

“Eu vejo que houve facilitação mesmo, mas por parte do Estado, que apesar de todos os nossos avisos e todos os documentos protocolados, eles ainda mantém aquela unidade com essa fragilidade de poucos servidores e com a estrutura que ainda não teve as adequações que nós apontamos desde 2014. Então, se tem facilidade, essa facilitação é do Governo, do Estado e não do servidor, que trabalha lá com menos de um terço do plantão que seria o necessário”, declara.

Denúncia ao MP-RO

Os agentes penitenciários da unidade denunciaram ao Ministério Público de Rondônia (MP-RO) problemas na lotação do presídio, que foi inaugurado no dia 27 de julho deste ano. Segundo os servidores, a unidade devia ter apenas 230 apenados, mas atualmente mais de 400 presos estão no local, inclusive ocupando a enfermaria.

A denúncia ao MP foi feita pelos agentes antes mesmo da primeira fuga em massa da unidade, quando 11 detentos serrarem as grades e fugiram no dia 3 de agosto.

Na ocasião, Clebs Dias disse ao G1 que o excesso de presos e a carência de servidores estimulavam revoltas e fugas dos presos. A promotora Joice Mota Azevedo se comprometeu em manter conversas com a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus) e a partir do atendimento ou não das demandas, ações seriam traçadas.

Recomendação às autoridades

O MP-RO expediu uma notificação ao governador Confúcio Moura e ao secretário de Estado, o coronel da PM Marcos José Rocha dos Santos, para que providenciem o aumento do efetivo de agentes penitenciários e policiais militares nas equipes que prestam segurança no presídio e na Casa do Albergado do município.

Segundo a promotoria da Comarca de Ariquemes, a recomendação foi expedida às autoridades no dia 17 de setembro, ou seja, antes mesmo da segunda fuga em massa na unidade prisional.

Para o MP, a recomendação foi expedida diante da preocupação com a precária segurança no presídio, tendo em vista que uma nova fuga como a ocorrida no último fim de semana já estava prevista, não só pela falta de agentes penitenciários, mas principalmente pela falta de policiais para fazerem a segurança na área externa do presídio.

A Promotoria requereu que sejam adotadas providências para lotar, em caráter definitivo, um terço do recomendado no Conselho Nacional de Politica Criminal e Penitenciária (CNPCP), sendo 31 agentes por plantão no Centro de Ressocialização e seis agentes na Casa do Albergado. Segundo o órgão, as medidas sugeridas são razoáveis, exequíveis e essenciais para garantia dos interesses de todos os envolvidos.

Fonte: G1

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