Educação de jovens e adultos projeta qualificação profissional

profVinte anos atrás, a consultora de venda de cosméticos Rosineide Apolinário Ferreira de Brito, 48, deixou de estudar a 4ª série do Ensino Médio. Morava em Recife (PE), sua terra natal, e se mudou para Porto Velho, onde nasceram suas três filhas, duas formadas e uma ainda na faculdade.

Este ano ela voltou à sala de aula, cursando a 6ª série no Centro de Educação de Jovens e Adultos Padre Moretti (bairro São Cristóvão), onde fará o exame geral (provão) deste semestre.
“Eu cuidei muitos delas, mas parei no tempo. Estou pensando mais em mim e quero estudar psicologia”, comentou Rosineide. Ela estuda das 7h30 às 11h40 e, depois do almoço, a partir das 14h trabalha até à noite.
Aos 17 anos, quando desembarcou em Porto Velho, ela havia cursado a 4ª série numa escola estadual em Recife. Reingressou, fazendo a 5ª, agora a 6ª, e já vislumbra a 7ª e 8ª convicta de suas aptidões.
“Matemática não é problema, o problema sou eu; em português, venço as dificuldades, mas em ciências, geografia e história estou bem”, disse.
A Secretaria Estadual de Educação (Seduc) administra atualmente 30 Ceejas, todos eles criados para o público alvo: jovens a partir de 15 anos, adultos e idosos.
Atualmente são ofertados cursos presenciais, semipresenciais e exames de conclusão de etapa/nível de escolaridade. O curso modular (semipresencial) ofertado em Rondônia adotará novo formato a partir do primeiro semestre de 2018, assegurando aos alunos carga-horária presencial e prazo para conclusão dos estudos, informou a responsável pelo Núcleo de Educação de Jovens e Adultos (Neeja), Ângela Aguiar.
“Agora, além da formação geral dos alunos, haverá oferta de cursos de qualificação profissional”, ela anunciou.
Pelo EJA, a Seduc reforça o Projeto “Um Conto para a Liberdade”, com aquisição de acervo bibliográfico para unidades prisionais.
Em fase de mobiliamento, o prédio de Alta Floresta do Oeste (Zona da Mata de Rondônia) será inaugurado brevemente pelo governo. No ano passado foi entregue o prédio próprio de São Miguel do Guaporé.

Ângela exemplifica com situações de evasão: “Muitos, depois de longo período afastado para continuidade e conclusão de seus

 estudos, voltam pela necessidade de conseguir a inclusão, ou melhor, colocação no mercado de trabalho”.
O Neeja ainda não dispõe de dados qualitativos no que diz respeito ao fato/motivo de o estudante sair da escola, mas detecta as situações mais comuns.
“Os que abandonam a sala de aula são jovens e adultos de baixa renda, em sua maioria negros, que trocam com frequência os estudos por um trabalho, muitas vezes precário; têm ainda as situações vinculadas a gravidez ainda na adolescência”, assinalou Ângela.
Por isso, Ceejas e escolas aperfeiçoam projetos voltados para a permanência dos estudantes, mesmo com todas as adversidades e fatores que colaboram para que saiam da escola, muitas vezes sem concluir seus estudos.
Segundo a responsável pelo núcleo, muitos alunos se tornam arrimo de família e com a preocupação financeira de ajuda-la financeiramente, aproveitam a idade produtiva entre  15 e 25 anos em geral. “Depois, o próprio mercado de trabalho e outras demandas sociais vão exigindo que retornem, concluam ou continuem seus estudos”.
 
ABORDAGEM DIFERENCIADA
Segundo Ângela, com a melhoria dos prédios, o governo reafirma a educação como direito constitucional de toda pessoa. “No Ceeja se encontram aqueles que, por razões e motivos diversos, não tiveram a oportunidade de frequentar a escola no tempo certo, ou tiveram percalços no caminho”, comentou.
Considerando o contexto e a função que a EJA assume, Ângela lembra que ao aluno do Ceeja deve ser dada “a possibilidade de estar em pé de igualdade numa sociedade excludente e que marginaliza os diferentes”.
Desta maneira, planeja-se a prática pedagógica que realmente atenda ao público-alvo. “Professores são capacitados (na formação continuada) em serviço no próprio espaço escolar e a formação ofertada pela Seduc”.
Nessa prática, conforme ela explica, contemplam-se, entre outros, o perfil do estudante da EJA, suas necessidades, desafios de aprendizagem, evasão escolar, e práticas andragógicas (referentes à arte ou ciência de orientar adultos a aprender, segundo a definição creditada a Malcolm Knowles, na década de 1970).
Selecionam-se conteúdos, materiais didáticos e metodologias de ensino e de avaliação, já que esse público traz consigo uma bagagem de conhecimentos e saberes  extras-curriculares, experiências de vida, que não  pode  ser  ignoradas. Ensinam-se o suficiente para que o estudante da EJA tenha condição depois de egresso, dar continuidade ao nível superior  ou  a outros  projetos de vida.
TIRA DÚVIDAS NO MODULAR
O prédio do Ceeja Padre Moretti ficou subutilizado durante muitos anos, mas agora é frequentado por turmas presenciais de manhã, à tarde e à noite.
De manhã estudam quatro turmas de Ensino Fundamental, com 150 alunos; à tarde, três com 90 alunos fazem o seriado semestral.
“Na sala do modular o atendimento especializado é feito às terças e quintas-feiras à noite, para tirar dúvidas de alunos em rotatividade entre 2016 e 2017”, explicou o professor de matemática Josemar Barros.
Mesmo sonhando com a aposentadoria, a clientela o anima a seguir trabalhando. Com experiência de 11 anos nas escolas estaduais Murilo Braga e John Kennedy, e mais dez anos no Ceeja Padre Moretti, Barros aguardava na manhã de quinta-feira os alunos da progressão – aqueles aprovados, porém, parcialmente retidos em até três disciplinas: 27 no Ensino Médio e 55 no EF.
A coordenadora pedagógica Francisca Aguiar mostrou os mais recentes números da circulação de estudos específicos: “Neste segundo semestre de 2017 temos 1.500 inscritos no EF e 3.500 no EM”. São alunos que não concluíram a 8ª série do EF e o 3º ano do EM.
COMO FREQUENTAR AS AULAS
– O interessado deve procurar a secretaria do Ceeja ou da escola, a fim de renovar sua matrícula no início do semestre, janeiro ou julho.
– Para ingressar em um dos cursos o aluno deve ter 15 anos completos no 1º e 2º segmento do Ensino Fundamental; 18 anos completos no Ensino Médio e apresentar no ato da matrícula ou rematrícula duas) fotografias 3×4, comprovantes de residência e escolaridade a partir do 2º ano do 1º segmento do EF e fotocópia de um dos documentos de identificação.
– Documentos de identificação: certidão de nascimento ou de casamento; RG, Carteira de Trabalho e Previdência Social ou Carteira Nacional de Habilitação; certidão de internação expedida pelo juiz da Vara da Infância e da Juventude no caso de aluno em unidades socioeducativas; e ficha carcerária com foto do aluno em unidades prisionais; e Registro Indígena.
– Caso o aluno não tenha comprovação de escolaridade o Ceeja aplica o Exame de Localização.

FonteSecom – Governo de Rondônia

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