segunda-feira, dezembro 6, 2021

Fatores que provocam a disparada de preços dos combustíveis

A disparada nos preços de combustíveis vem assustando o brasileiro que era acostumado com uma política de preço não dolarizada, com reajustes em intervalos de tempo mais distantes. A gasolina é o combustível veicular mais utilizado no País e o preço médio está acima de R$ 6 chegando a mais de R$ 7 em alguns lugares mais remotos.

Os dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) apontam a oitava alta consecutiva na semana até 25 de setembro. O diesel e o álcool também estão em alta. A cotação do barril de petróleo e de temores de uma crise energética na Europa fazem o preço disparar no mercado internacional, afetando ainda mais a realidade brasileira.
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A alta frequente dos preços dos combustíveis, principalmente da gasolina tem razões técnicas e econômicas para serem consideradas. A primeira é o aumento da demanda em todo o mundo. Com a retomada econômica, os carros voltaram às ruas e as estradas, e a procura pelo combustível cresce dia após dia.

Em entrevista à BBC News Brasil, a professora da Faculdade de Economia da Universidade Federal Fluminense (UFF) Julia Braga, explica que a China vem usando mais gás natural como substituto do carvão em suas termelétricas. A medida é parte do esforço do país para cumprir as metas para redução da emissão de poluentes e entra na política de médio e longo prazo de transição energética da China. Para ela, isso também pressiona o preço do barril de petróleo.

Deve ser considerado também como o segundo fator de impacto aos preços dos combustíveis, a restrição de oferta no mercado. As reservas de petróleo fóssil estão diminuindo enquanto que a procura continua crescendo. E para piorar esse quadro, existe a limitação de exploração das minas, uma ação manipulada pela Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep), um tipo de cartel que reúne 13 países e concentra cerca de 33% da produção global da commodity, que segundo a BBC News, está em torno de 30 milhões de barris por dia.

O dólar alto aparece como o terceiro fator na disparada dos preços dos combustíveis. A moeda norte-americana, que regula o mercado internacional, está em alta frequente atingindo no momento em torno de R$ 5. Isso para um país como o Brasil, que vive uma crise institucional e política intensa, provoca o aumento natural dos preços de commodity.

“E essa imagem muito ruim que o Brasil passa para o mundo inteiro, não apenas na parte política, mas também a visão anti-Ciência [do governo], a política ambiental, com aumento das queimadas, em um momento em que o mundo está cada vez mais sensível a essas questões. Tudo isso acaba afetando a decisão dos investidores internacionais de apostar no Brasil”, avalia a professora Julia Braga.

Mas tem ainda o quarto fator que seria a elevação dos preços de biocombustíveis. A procura para esse tipo de combustível está em alta no mercado mundial e, com isso, ajuda na elevação dos preços. Acontece que, pelos acordos internacionais de redução de emissões de gases poluentes de efeito estufa, os combustíveis fósseis recebem adição de biocombustíveis e essa proporção de mistura vem aumentando em quantidade e puxando o valor.

O álcool anidro responde por 27% do litro da gasolina vendida dos postos; já o biodiesel hoje equivale a 10% do diesel que sai das bombas. O álcool já acumula alta de quase 60% desde o início do ano, conforme os dados do Cepea/Esalq. Commodity como a cana-de-açucar e milho que são utilizados na produção de etanol sofrem frequentes problemas de cultivos devido a fatores climáticos como secas e geadas. Já a soja usada no biodiesel, também está mais cara devido à grande demanda e aos fatores climáticos que interferem no cultivo. A soja acumula alta de 70% no período deste ano.

Com informações da BBC.


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