Inpe registra desmatamento em Rondônia

desmatamentoO Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgou no início do mês passado os números registrados pelo Sistema de Detecção em Tempo Real de Alteração na Cobertura Florestal (Deter). Estes números alertam sobre o desmatamento ocorrido entre os meses de novembro de 2014 e janeiro de 2015.

As áreas de alerta para alteração na cobertura florestal por corte raso e por degradação florestal somaram 291 km². Deste total, estima-se que 219 km² são áreas desmatadas. Entretanto, comparando-se os alertas de novembro e janeiro é possível observar que houve uma diminuição das áreas de degradação florestal em Rondônia.

Conforme o quadro por amostragem do Deter, Rondônia é o segundo colocado entre os Estados da Amazônia Legal que mais desmataram no período pesquisado. No último mês de janeiro observou-se que o Amazonas atingiu 3,21 quilômetros quadrados; Maranhão – nenhuma imagem; Mato Grosso – 108,19 quilômetros quadrados (assumindo o ranking); Pará – 6,60 quilômetros quadrados; Rondônia – 6,96 quilômetros quadrados (em novembro a área era de 14,54 quilômetros quadrados); Roraima – com uma área de 4,40 quilômetros quadrados; e Tocantins – nenhuma imagem de áreas de alerta de corte raso e similares. Na avaliação de janeiro, o Inpe examinou 88 polígonos que representam 69,8% das ocorrências e 78% da área total de alertas.

SINAIS DE QUEIMADAS E DEGRADAÇÃO FLORESTAL

Além disso, foi constatado que 86,8% dessas áreas tratam-se de cortes rasos; 10,9% são áreas de degradação florestal e 2,3% dos alertas foram considerados falsos positivos. Deste modo, estima-se que em janeiro o Deter registrou sinais de queimadas em 112 km² de corte raso e 14 km² de degradação florestal. Os alertas produzidos pelo Deter foram concebidos e são produzidos para orientar a fiscalização do desmatamento ilegal na Amazônia.

Os mapas são enviados diariamente ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), com a localização precisa de eventos de desmatamento e degradação florestal. Registram também um indicativo de área que tem qualidade limitada pela resolução do satélite, permitindo a representação acurada de área apenas para eventos de tamanho superior a 100 hectares.

FISCALIZAÇÃO DO IBAMA ESTÁ CONCENTRADA NA CAPITAL 

No âmbito da legislação estadual, sobre o zoneamento socioeconômico ecológico (Lei Complementar 233/2000), foi definida uma outra categoria de área protegida: as Áreas de Uso Especial (AUE) – destinadas à conservação dos recursos naturais, passíveis de uso sob manejo sustentável, inclusive para fins de criação de novas unidades de conservação. As AUE representam um total de 34.834 km², sendo 14,6% em Rondônia. Estes dados delineiam as terras que estão em guarda legal, e demonstram o empenho de vários setores da sociedade em monitorar o avanço das áreas de ocupação e consequente desflorestamento em nosso Estado.

PERFIL

Em junho do ano passado o Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), Regional Rondônia, elaborou uma pesquisa com objetivo de traçar um perfil das causas e consequências históricas do desmatamento no Estado. O fim da floresta? Com esta pergunta norteadora – que também dá título ao relatório final – o GTA pesquisou a importância da formação das unidades de conservação e terras indígenas. Os estudos chamaram a atenção das autoridades para a devastação ambiental em que a maioria das áreas protegidas hoje se encontra. Atualmente as áreas que demandam maior preocupação e fiscalização do Ibama estão concentradas em Porto Velho.

ONDA VERDE 

A “Onda Verde” é uma das operações que o Ibama/RO desenvolve constantemente para coibir, fiscalizar e apreender os infratores que cometem crimes ambientais. Segundo Renê Luiz, a operação é contínua – sem interrupção – e conta com o apoio da Polícia Ambiental do Estado. A devastação das áreas protegidas no Estado implica em uma série de prejuízos, segundo o GTA. Entre eles são destacados os conflitos sociais, desrespeito aos direitos humanos, empobrecimento da biodiversidade, degradação de solos, comprometimento de bacias hidrográficas, contribuições para a emissão de gases de efeitos estufa e perda de oportunidades econômicas associadas ao uso sustentável dos recursos naturais, com prejuízos para a população rondoniense, para o Brasil e para o planeta.

SISTEMA AGILIZA SERVIÇO DE FISCALIZAÇÃO

O superintendente do Ibama/RO, Renê Luiz Oliveira, explica que o Inpe utiliza dois programas para fazer a identificação do desmatamento. O programa chamado de Deter – que monitora o desmatamento em tempo real gera as informações de forma rápida, mas tem uma margem de erro maior e não é utilizado para quantificar desmatamento. Segundo ele, esses dados divulgados do trimestre (novembro/dezembro/janeiro) identificam áreas de desflorestamento. “Porém, não levamos esses dados em consideração para o fechamento e para a divulgação precisa dessas informações”, disse.

De acordo com o superintende do Ibama/RO, a divulgação de dados mais precisos fica a cargo do Ministério do Meio Ambiente e do próprio Inpe quando utiliza o sistema Prodes – que é um programa que monitora o desmatamento por corte raso na Amazônia. A cada ano todo o desmatamento é computado e no ano seguinte o que foi incrementado é registrado e então é feita a divulgação oficial. O ano Prodes inicia-se em primeiro de agosto de um ano e vai até 31 de julho do ano seguinte. “Então, o Ibama usa os dados desse período para identificar quais são as áreas de maior devastação, naquele momento específico, aqui em Rondônia e em toda a região Amazônica. Por isso, ainda estamos acompanhando as informações que sistematicamente são enviadas para o órgão”, esclarece Renê Luiz.

Fonte: Diário da Amazônia

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