sábado, setembro 18, 2021

NA EFMM – Palitot diz ter provas e fotos de ladrões de peças da ferrovia e cobra ação dura contra roubos

PORTO VELHO – O patrimônio da ferrovia Madeira-Mamoré, jogado fora há quase 50 anos, já em parte entregue à própria selva sem ação efetiva de quem tem a responsabilidade de preservar ou, então, de dar um destino a restos de locomotivas e equipamentos pesados, aparentemente só recebe atenção real de ladrões. Eles retiram peças para vender como ferro velho, talvez até em troca de drogas.

É a denúncia que o vereador Aleks Palitot está outra vez fazendo, após mais uma rodada de verificação de como se encontra a situação do que resta do patrimônio da ferrovia que deu origem ao Estado de Rondônia. O vereador vem recebendo denúncias também de outras pessoas preocupados com a destruição desse patrimônio histórico. Alguns contribui inclusive enviando fotos e vídeos com os larápios de peças da ferrovia em plena ação.

Vereador Alekis Palitot, novamente denunciando o que, parece, ninguém quer escutar: roubo de peças da Madeira-Mamoré

“Estou indignado. Um patrimônio do nosso município é tratado como coisa de cunho particular. Já fui acusado por pessoas, algumas delas depois vieram me pedir desculpas, alegando terem sido enganadas pelos promotores das críticas. Comportamento de pessoas que tratam esse patrimônio. Há dois meses estive na Vila Ferroviária em Nova Teotônio, onde ladrões serraram e arrancaram com ação de maçaricos, peças do acervo da Madeira-Mamoré naquela região”.

Ao longo de todo o trajeto da extinta ferrovia é possível encontrar máquinas e outros equipamentos jogados literalmente no mato

Palitot afirma que esteve no local com alguns secretários da prefeitura e equipe técnica do Iphan, e, agora, o espaço da estação ferroviária de Abunã vem sendo ocupado irregularmente. Palitot está requerendo providências dos órgãos responsáveis pelo patrimônio da Madeira-Mamoré, inclusive órgãos federais e ao próprio Iphan.

“Trato aqui de áreas patrimoniais. Há locais e peças da EFMM com tombamento por lei municipal. O que chegou a mim é criminoso: estão vendendo para comércio os espaços no complexo da estação de Abunã”.

Em 1981, o governador Jorge Teixeira reativou, “para fins turísticos”, o trecho Porto Velho a Santo Antônio, mas logo foi deixado de lado

No quilômetro 3, Vila Candelária, segundo um vereador, fotos tiradas por moradores da região mostram grupos de ladrões roubando as peças para, pelo que diz ele, trocar por drogas.

HISTÓRIA

Construída no período de 1907 a 1912, a ferrovia Madeira-Mamoré deixou de funcionar depois de muitos anos operando mais em sentido social em 1972, quando todos os equipamentos foram eixados praticamente onde se encontravam quando aconteceu a paralização total.

Em 1981 uma denúncia do escritor Manoel Rodrigues Ferreira (autor do livro “Ferrovia do Diabo”), mostrando que peças da EFMM estavam sendo levadas para São Paulo e vendidas como ferro velho, o governador Jorge Teixeira promoveu um seminário para discutir a questão da ferrovia.

O homem semiescondido pelo capim seria, conforme o vereador Palitot, um dos suspeitos de roubar o patrimônio da EFMM

De prático um ponto importante do seminário foi a ativação do trecho Porto Velho a Santo Antônio (6 a 7 KM) para finalidade turística, mas logo parou e mais de 20 anos depois um grupo de ex-ferroviários recuperou uma litorina que fazia o mesmo trecho aos finais de semana.

No período desde  a extinção várias denúncias do abandono e do roubo de peças da ferrovia, e idem promessas de providências inclusive pelo Iphan, prefeitura, governo do Estado etc, foram feitas e não cumpridas.

No poste havia uma placa de bronze indicando o KM 3 da ferrovia, na Vila Candelária, material que teia sido roubado para trocar por droga

Resultado: o roubo do patrimônio, tanto material quanto de áreas, como agora está sendo denunciado pelo vereador Palitot, se repetem e a tendência, de forma lamentável até que, outra vez pouco aconteça.

www.expressaorondonia.com.br

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