Nível do rio Madeira volta a subir

Nível do rio Madeira volta a subir

rio-madeiraMaio começou tranquilamente até que nesse final de semana o nível do rio Madeira começou a apresentar aumentos. Na sexta-feira, 08, a cota era de 15,46 metros e em apenas quatro dias subiu e o nível chegou a 16,56 metros, ou seja, de sexta até ontem, 11, houve um aumento de um metro no nível do rio.

O que preocupa e surpreende o supervisor operacional do Terminal Hidroviário do Cai N’água, Gabriel Bruxel, segundo informou a equipe do Diário da Amazônia, o período do repiquete do rio Madeira ocorre sempre na segunda quinzena do mês março ou na primeira quinzena de abril. “Estamos surpresos com esse repiquete do rio, porque não estamos na época desse fenômeno e outro ponto, no nível que estamos falta um pouco menos de cinquenta centímetros para atingirmos a cota de Estado de Emergência”, relatou.

A enchente histórica do rio Madeira na capital de Rondônia em fevereiro de 2014, foi sem dúvidas, a maior já registrada em toda a história, marcando 19,69 metros, desde que as medições começaram a ser feitas, ainda em 1967, quando o Estado nem existia. Os dados disponibilizados pela CPRM (Companhia de Pesquisas de Recursos Ambientais) e pela ANA (Agência Nacional de Águas) mostram que em 1982, ano da criação do estado de Rondônia, o nível do Madeira na capital rondoniense chegou a 17,15 metros.

Dois anos depois, em 1986, outra grande enchente em Porto Velho afetou por semanas, centenas de moradores. Bairros inteiros ficaram alagados e estradas bloqueadas. O nível máximo aferido pelo órgão chegou a 17,25 metros. Em 1997, o ápice foi de 17,51 metros, considerada até então, a maior enchente em questões de níveis telemétricos.

Chuvas são responsáveis pela subida 

De acordo com a coordenadora operacional do Sipam (Sistema de Proteção da Amazônia), Ana Cristina Strava, as fortes chuvas que caíram nas bacias do rio Mamoré, Guaporé e Beni, nos dias 04, 05 e 07 deste mês foram as grandes responsáveis pelo aumento do nível do rio Madeira nesses últimos dias.

rio-madeira1Ana explica que as chuvas que caem sobre o rio Mamoré e Guaporé demoram cerca de 10 dias para chegar até o rio Madeira, já no rio Beni esse tempo de chegada diminui e as águas das chuvas chegam em 3 ou 5 dias ao rio Madeira. “Ocorre que as águas das chuvas dos dias quatro, cinco e sete, começaram a chegar no rio Madeira a partir desse final de semana, com o ápice nesta terça-feira, 12, mas esperamos que o rio comece a baixar até quarta-feira pois não houve mais chuvas nas bacias depois do dia dez”, informou. Segundo o Sipam as cidades afetadas pela cheia deste final de semana foram Abunã, Porto Velho, Humaitá e de Manicoré em diante.

Aumento já preocupa os moradores

Moradores da região Central de Porto Velho se assustaram com a subida das águas. A aposentada Maria da Conceição Domingues, que mora no bairro Triângulo, disse que está com medo do rio subir novamente. “Olha, depois da construção dessas usinas nós nunca mais tivemos sossego, todo ano o rio sobe de uma hora para outra, por isso não me atrevo a falar em período de repiquete, porque a qualquer momento uma situação nova acontece, o rio sobe, o barranco desaba, enfim, quem sofre com tudo isso somos nós moradores. Não entendemos o que está acontecendo”, desabafou.

Para o autônomo Jaques Pereira, o rio Madeira está apenas nos dando o troco do desenvolvimento que tanto almejamos. “Não era desenvolvimento que o povo queria? Ta aí o resultado. A ganância do povo pelo dinheiro trouxe só isso, a enchente, com isso, perdemos nossas casas, nossos móveis, além do que a criminalidade aumentou muito, é roubo, morte, é tanta coisa que daqui uns dias não teremos mais nada de bom pra falar de Porto Velho”, finalizou.

Em nota, a Santo Antônio Energia afirma que não há qualquer relação entre o aumento do nível do rio com as operações da hidrelétrica. “A variação no nível do Madeira está ocorrendo devido às chuvas que estão sendo registradas no rio Beni (um dos formadores do Madeira), na Bolívia. A hidrelétrica Santo Antônio opera a fio d’água, o que significa que a vazão (volume de água) do rio abaixo da usina é igual à vazão recebida em seu reservatório. Ou seja, a operação da hidrelétrica não altera as vazões naturais do rio”, diz a nota.

Fonte: Diário da Amazônia

 

COMPARTILHAR

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA