Operação de demolição surpreende famílias em assentamento de RO

demolicaoCerca de 100 famílias do assentamento Dilma Rousseff foram surpreendidas por tratores e viaturas da Polícia Militar em uma operação de demolição na manhã desta quinta-feira (25), na Zona Sul de Porto Velho. Mais de 40 casas que estavam desocupadas foram demolidas. A população se revoltou com a ação e a força de choque do batalhão da PM precisou conter os moradores com balas de borracha e gás de efeito moral.

Segundo o policial coronel Enedy, a Polícia Militar trabalhou no apoio ao Departamento de Estradas e Rodagens de Rondônia (DER) para demolir as construções no assentamento, mediante uma autorização judicial cedida depois de acordo entre o estado e as famílias.

O acordo definiu que o governo deve disponibilizar um terreno para que os moradores sejam transferidos e possam reconstruir as casas. Além disso, será concedido um auxílio aluguel no valor de R$ 400. Mas o terreno onde serão erguidos os novos imóveis, que fica do outro lado da ponte sobre o Rio Madeira, na BR-319, não foi disponibilizado ainda.

“Prometeram um terreno do outro lado da balsa, mas quem mora lá já quer sair. Tem gente morrendo de malária e chikungunya, e lá só é buritizal, não tem condições de fazer barraco. Quem derrubou as casas, não tem mais nenhum centavo pra cobrir uma casa de lona, a não ser que joguem esse povo pra baixo das lonas da defesa civil, como colocaram o povo da enchente [cheia histórica de 2014]”, reclama Maria Raimunda Rodrigues, alegando que  nenhum dos moradores tem condições de construir um novo lugar para morar.

O Conselho Estadual de Direitos Humanos esteve no assentamento para mediar a operação e dialogar com os moradores. Ezequiel Roque, da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), explicou que no último dia 1º de junho saiu uma decisão de desocupação da área, mas um agravo proposto pela Defensoria Pública da União (DPE) suspendeu a desocupação. “Estávamos aguardando uma nova decisão do TRF [Tribunal Regional Federal], que proveu o agravo, porque as famílias ainda não têm local destinado para morar e fomos surpreendidos por essa nova decisão que determina a demolição das casas que já estão desocupadas.”

O advogado da OAB acredita que a confusão durante a operação do DER foi agravada pela falta diálogo. “Deveria ter sido feita uma reunião com os moradores comunicando essa nova decisão judicial. Isso gerou uma tensão muito grande”, avaliou Ezequiel, informando que uma reunião com as famílias foi agendada para a noite desta quinta, depois da demolição.

demolicao1A operação para demolição é semelhante a uma desocupação e conta com apoio da força de choque da PM, helicóptero e tratores. Durante a confusão, muitas pessoas foram feridas com balas de borracha e crianças passaram mal com gás de efeito moral, além de dois moradores atingidos com balas de revólver.

A polícia conseguiu acalmar os ânimos dos moradores e se reuniu no assentamento, para explicar e tentar convencer as famílias de que não há como reverter a decisão judicial, garantindo também que as casas ocupadas não serão demolidas.

Fonte: G1

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